13.03.2010
PARA TODOS OS SENTIDOS
O Forfun que hoje aterrissa no Circo Voador não é o mesmo que apresentava em pequenas casas do Rio de Janeiro seu álbum de estreia, Das pistas de skate às pistas de dança. Os meninos cresceram e com eles o seu público: apresentam hoje na Lapa o repertório de seu disco mais recente, o comentadíssimo Polisenso, com promessa de casa cheia. O quarteto aproveita para lançar o clipe de O viajante.
O álbum foi primeiramente disponibilizado para download no site da banda: alcançou em apenas cinco meses a marca invejável de 400 mil álbuns baixados, e hoje já se encontra também em formato físico nas lojas. Com 10 anos de estrada, o quarteto formado por Danilo Cutrim (vocal e guitarra), Rodrigo Costa (vocal e baixo), Vitor Isensee (guitarra e sintetizadores) e Nicolas Christ (bateria) teve que lutar para ser levada à sério. E conseguiu, apoiado na evolução musical evidente desde seus primeiros hits emplacados no final dos anos 90.
Os músicos citam Os Novos Baianos, Jorge Ben, Nação Zumbi, 311, Red Hot Chili Peppers e Sublime como fortes influências do novo disco. Polisenso traz uma sonoridade bastante diferenciada dos outros álbuns, agregando muitos elementos eletrônicos, e rastros de outros gêneros como o dub, o funk, ritmos latinos e, sobretudo, o reggae, tudo isso embalado por uma viagem existencial nas letras.
Dos versos adolescentes de Uma história de verão onde cantavam "Nós dois em frente ao 9 / gastando ao som do Bob", a banda salta para uma odisseia alucinógina nos versos de Gruvi quântico: "Na nova era chega à Terra a nova concepção / respiro fundo, fecho os olhos, de pé permaneço / abro ao cosmos as janelas do meu coração / entrego, confio, aceito e agradeço", canta Danilo.
E tudo é possível quando se fala de uma música desse quarteto carioca. As letras vão desde cerveja de boteco ao aquecimento global, passando pelo folclore brasileiro, filosofia, biologia, história antiga, desmatamento e até mecânica quântica.
A mesma banda capaz de emplacar anos atrás o hit Cortei meu cabelo por você chega com nova música inspirada no romance clássico de Eduardo Galeano, As veias abertas da América Latina que, garantem os músicos, “abriu a percepção” para a composição de Escala Latina.
O disco promoveu uma mudança estrutural na banda. Graças às experimentações eletrônicas, o guitarrista Vitor Isensee acabou trocando de vez a guitarra pelos sintetizadores e programações, usando as seis cordas somente para tocar as canções antigas.
Circo Voador, Rua dos Arcos, S/N, Lapa, Rio de Janeiro. Tel.: (21) 2533-0354. Sábado, às 21h. Ingressos: R$ 50.
FORMULE
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