Oriente Médio não vende | LABORATÓRIO POP


CINEMA

09.03.2010 | 10:47

ORIENTE MéDIO NãO VENDE

Marcella Huche

No Brasil, o dourado Guerra ao terror está, há 10 meses, numa locadora perto de você. Em maio de 2009, 6 mil cópias do filme que venceu seis Oscar nesste domingo (7), incluindo o de Melhor Filme e Melhor Direção, aportavam com destino certo no país — as prateleiras das milhares de videolocadoras. Ora, na época nem um Avatar havia para arrasar toda e qualquer bilheteira. Afinal, por que a Imagem Filmes, distribuidora do premiado thriller de guerra de Kathryn Bigelow, desprezou um circuito nos cinemas, para voltar atrás há um mês?


"Os títulos sobre conflitos no Oriente Médio não têm bom retorno no mercado brasileiro", justifica-se Laercio Bognar, diretor comercial da distribuidora. "Além disso, tivemos dificuldade em acessar o material para o lançamento nos cinemas".

 

A decisão de lançarmos o filme direto em DVD foi tomada em setembro de 2008, quando Guerra ao terror saiu do Festival de Veneza sem levar prêmios ou com qualquer referência de que despontaria”, justifica a distribuidora por meio de sua assessoria de imprensa, esquecendo-se de que, além da indicação ao Leão de Ouro, a equipe de Kathryn Bigelow saiu de lá com outros cinco prêmios de festivais paralelos. “O mercado de home vídeo é muito dinâmico e a Imagem Filmes fez uma escolha”, explica. "Não temos tempo de ficar arrependido. Tomadas as decisões, precisamos trabalhar e executá-las da melhor forma possível'.


E essa bomba foi ativada pela equipe comercial e de marketing da Imagem Filmes, depois sacramentada pelo dono da distribuidora. Ou seja, não há ninguém a culpar — ou culpa-se todos?

 

Passado o Festival de Veneza, Guerra ao terror ganhou outros 70 prêmios, foi indicado a mais outros 45, e a Imagem Filmes teve correr para lançar o filme e não ficar (tão) feio. Dessa vez, os problemas de acesso ao material foram rapidamente vencidos: menos de dois meses depois da indicação ao Globo de Ouro, o thriller de guerra explodia nas salas do país. Mas, com míseras 22 cópias, uma semana antes do carnaval (5 de fevereiro).  Acrescente aí um fato inédito na trajetória de Kathryn: foi a primeira vez, no Brasil, que um filme é lançado primeiro em DVD e depois chega aos cinemas.

 

Há pouco mais de um mês em cartaz, 66 mil pessoas se deram ao trabalho de ver Guerra ao terror nos cinemas. Mesmo depois de seis Oscars, a distribuidora não aposta no sucesso da produção. “Não temos grandes expectativas porque as locadoras vão abrir um grande espaço para o filme”, lamentam.

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