DeLorean numa jacuzzi | LABORATÓRIO POP


CINEMA

08.09.2010 | 17:52

DELOREAN NUMA JACUZZI

Philippe Noguchi



A comédia dirigida por Steve Pink (em inglês, Hot tube time machine) recebeu tradução para o português idêntica ao título original de um dos maiores sucessos do cinema de 2009 (The hangover, Se beber, não case) e já começa, portanto, com o pé esquerdo. A escolha peca não somente pela falta de criatividade, mas pelas inevitáveis comparações com o engraçadíssimo longa de Todd Phillips que, de longe, bate o filme deste ano na maioria absoluta dos quesitos.



A história traz três grandes amigos da juventude que – frustrados, em crise de meia idade e entediados com a própria vida – se encontram muitos anos depois e, após uma noitada de bebedeira, acordam em 1986, transportados no tempo por uma banheira de hidromassagem. Os fracassados tem então uma chance para reviverem o passado e , sobretudo, tentar mudar o futuro: um bom ponto de partida para o longa. A boa premissa, entretanto, rapidamente desmorona nos primeiros minutos do filme, que não consegue convencer com o roteiro fraco.



A história se desenrola com pouca ousadia e não é difícil prever onde cada cena desemboca. O ápice cômico está em Rob Corddry, muito bem no papel do Lou, um alcólatra descontrolado e festeiro que se empenha em se auto destruir. John Cusack (interpretando o ressentido Adam, deixado pela namorada), Craig Robinson (caricato na pele de Nick, marido fiel) e o jovem Clark Duke (Jacob, seu sobrinho nerd, fã de videogames) estão apenas convincentes em seus papéis, mas não surpreendem.



Algumas sequências (a maioria delas protagonizadas por Corddry) arrancam gargalhadas, mas no geral o filme não empolga pela comédia e muito menos pela história. Fica nítida, por exemplo, uma certa falta de coragem de se levar algumas ideias ousadas adiante e não é difícil se sentir frustado ao final das cenas. Possivelmente erro de um diretor principiante.



Apesar de este ser apenas o segundo filme dirigido por Steve Pink (é dele a comédia Aprovados, de 2006), sua parceria com John Cusack é longa. Eles atuaram juntos, por exemplo, nas comédias Garota sinal verde (um dos primeiros filmes de Cusack, de 1985), Matador em conflito (1997) e Os queridinhos da América (2001), tendo roteirizado os dois últimos. Pink também adaptou e coproduziu a adaptação da obra-prima de Nick Hornby, Alta fidelidade (2000), protagonizada por Cusack.

 


 

Foto: Divulgação

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