13.07.2010 | 07:27
MAIORIDADE ASSISTIDA
Gerhard Brêda
“Sou da época em que chamavam animação de desenho animado”, disse o ator Fernando Caruso, filho do cartunista Chico Caruso, na abertura do Animamundi, que aconteceu nesta segunda (12) ao lado do CCBB-RJ, no Centro, numa gigantesca tenda. O evento, que chega à sua 18ª edição e vai de 16 a 25 de julho no Rio e de 28 de julho a 1º de agosto em São Paulo, mostrou na primeira exibição como as animações realmente se tornaram mais abrangentes: desenhos animados passam, sim, pelas telas, mas ao lado de animações poligonais e filmes em stop motion.
Na 18ª edição, os organizadores se orgulham do quanto a animação no Brasil cresceu. “De 1910 a 1992, um ano antes do primeiro Animamundi, o Brasil registrou pouco mais de 100 animações”, lembrou Aida Queiroz, uma das organizadores do evento. “De 1993 até 2010, só de animações inscritas no festival – e lembrando que alguns anos não tivemos animações brasileiras – tivemos mais de 2000”. Cesar Coelho, também da organização, relembrou as origens mais humildes do festival. “Num ano, a gente montou uma tenda bem pequena aqui, daquelas que só tinham teto. A tela era mais alta do que a tenda, então formava uma barriga e a gente tinha que, com um cabo de vassoura, esvaziar a barriga se chovesse”, contou, recordando que, naquele ano, os espectadores sentaram no chão.
A sessão de abertura mostrou uma coletânea de curtas, de vários países, com vários estilos. O primeiro a ser exibido foi Der DaVinci code, da Alemanha, que se construía na edição do quadro A última ceia, de Leonardo Da Vinci, e, com cortes rápidos, o animador constituía movimentos. A Alemanha foi contemplada com exibição de outras obras, destaque para o brilhante Der kleine und das biest, que mostra uma visão afetuosa, ingênua e divertida de um divórcio, pela ótica de uma criança.
O Brasil deu as caras na animação Os anjos do meio da praça, que surpreendeu a plateia com a narrativa madura e o estilo visual poligonal bem resolvido, tanto tecnicamente quanto artisticamente. O filme conta a história de um anjo que, ferido após o ataque de um demônio, cai na Terra e é aprisionado pela população de uma vila.
Do Canadá, veio o simpático Runaway, que mostra um trem desgovernado e prima pelo uso das perspectivas. No vagão com os controles da locomotiva, a “câmera” fica parcialmente obscurecida por alavancas e uma pilha de carvão e, em uma cena, a “câmera” navega pelos vagões, quebrando os vidros que dividem os carros.
Da Austrália, veio o sombrio The lost things, que apresenta uma história interessante, uma boa narração e um estilo visual gloriosamente esquisito, mas muito bem resolvido. O curta – o mais longo da noite – conta a história de um rapaz que coleciona de tampinhas de garrafa e encontra uma peculiar, amigável e indescritível criatura-máquina perdida. Operatatatata, da Itália, é uma animação tradicional com gângsters tentando matar um capo de uma máfia rival em uma ópera. O estilo caricato, o excelente timing cômico e o traço caricato arrancaram risadas da plateia.
A animação mais famosa saiu direto dos videogames. Um trailer do game Beatles: Rockband fechou a noite, com a carreira da banda resumida em animações tradicionais, trechos que pareciam recortes de quadrinhos e sequências poligonais, ao som de pérolas como Here comes the sun e I am the walrus.
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