09.02.2011 | 19:29
BERLINALE LIGADA
Myrna Silveira Brandão , de Berlim
Já a partir desta terça (8), os olhos do cinema mundial se voltam para o Festival de Berlim, que começa a sua 61ª edição no dia 10, seguindo até 20 de fevereiro. Na noite desta quinta (10), Bravura indômita, dos irmãos Joel e Ethan Coen, dá partida no festival, que mostra uma eclética programação com mais de 300 títulos.
Faroeste dramático com um elenco estelar, que inclui Jeff Bridges, Matt Damon, Josh Brolin e a novata Hailee Steinfeld, o filme é uma releitura do clássico homônimo de 1969, estrelado por John Wayne. A participação de nomes de peso ressoa no pensamento de Dieter Kosslick , diretor da Berlinale, que acredita que as estrelas contribuem para garantir o brilho do festival, um dos três mais importantes do mundo, ao lado de Cannes e Veneza.
Bravura indômita – que estreia no Brasil nesta sexta (11) – segue Mattie (Steinfeld), uma jovem de 14 anos em busca do assassino do seu pai. Sem contar com a ajuda das autoridades, contrata o xerife Rooster Cogburn (Bridges), que, junto com ela e o Texas Ranger LaBoeuf (Damon), saem no encalço do malfeitor (Brolin).
No dia 19, é anunciado o vencedor do Urso de Ouro, junto com o filme de encerramento da Berlinale 2011.
José Padilha volta à Berlinale pela terceira vez
Ausente da mostra oficial, o Brasil é representado na Panorama com Tropa de Elite 2, de José Padilha. O diretor está na Berlinale pela terceira vez. Depois de ganhar o Urso de Ouro em 2008 com Tropa de elite, Padilha apresentou Garapa no ano passado na Panorama.
Satisfeito com o retorno a Berlim, Padilha disse ao LABORATÓRIO POP que, apesar das diferenças, os dois os filmes abordam problemas reais que buscam a reflexão e o debate pela sociedade.
“Em Tropa de elite eu quis falar sob a perspectiva do policial. Em Tropa de elite 2, situamos a ação na interface entre a polícia e a política”, explicou Padilha, que além de apresentar seu filme também atuará em Berlim, como instrutor do Talent Campus. O projeto é um treinamento para jovens do mundo todo abrangendo várias áreas do cinema.
O Brasil marca presença ainda em outras duas paralelas: na mostra Fórum com o longa experimental Os residentes, de Tiago Mata Machado, história incomum de personagens trancafiados numa casa abandonada; e na Generation Kplus de curtas-metragens com Ensolarado, de Ricardo Targino, sobre uma família e o gesto de dizer adeus sob um sol escaldante.
Sessões em 3D são novidade
A Mostra Oficial, a mais importante do evento, tem 22 filmes, 16 dos quais em competição, e se caracteriza por uma grande diversidade.
São mostrados filmes de diretores renomados como os Irmãos Coen e o cineasta húngaro Béla Tarr (The Turin horse), bem como de estreantes em longas, casos de Yasemin Samdereli (Almanya) e JC Chandor (Margin call), estrelado por Kevin Spacey, Jeremy Irons e Demi Moore.
Entre os principais destaques da mostra estão Pina, um musical em 3D de Wim Wenders; Coriolanus, estreia na direção do ator Ralph Fiennes; e o independente The future, de Miranda July, recém chegado de Sundance.
Kosslick ressaltou que, em 2011, a Berlinale estreitou a cooperação com o Sundance não apenas no Mercado de Filmes Europeus, mas também no programa oficial. “Além de mostrar filmes independentes numa escala significativa, vamos começar as sessões dos filmes em competição com a diretora Miranda July, numa extraordinária coprodução alemã/americana”, destacou.
A América Latina está representada por El premio, da roteirista e também estreante em longas Paula Markovitch (produção conjunta do México com a França, Polônia, Alemanha); e Un mundo misterioso, de Rodrigo Moreno, (Argentina, em coprodução com Uruguai e Alemanha).
Pela primeira vez, a Berlinale tem sessões de filmes em 3D. Além do filme de Wenders, são exibidos no formato Les contes de la nuit, do francês Michel Ocelot, e a première europeia de Cave of forgotten dreams, documentário do alemão Werner Herzog, sobre pinturas pré-históricas francesas.
A mostra oficial tem ainda uma sessão especial com Offside, de Jafar Panahi, que ganhou o grande prêmio do júri na Berlinale 2006. Esta última é uma homenagem / protesto ao diretor iraniano que tinha sido convidado pela organização do festival para integrar o júri da mostra, que será presidido pela atriz italiana Isabela Rosselini. Acusado de propaganda contra o sistema, o cineasta foi sentenciado a seis anos de prisão e impedido de praticar sua profissão por outros 20.
Numa forma adicional de desagravo, o lugar de Panahi no júri fica vago e são exibidos, além de Offside, mais quatro filmes seus em mostras do festival: O círculo (2000) na Panorama; Crimson gold (2003) na Fórum; O balão branco (1995) na Generation; e Untying the knot, na mostra de curtas-metragens. A propósito, tudo indica que os protestos à perseguição que ele está sofrendo no Irã serão uma constante nesta edição do festival.
O discurso do rei estreia na Berlinale Special
O discurso do rei, recordista de indicações ao Oscar em 12 categorias, é lançado na Alemanha na Berlinale Special, que também tem como destaque a exibição de Sing your song, de Susanne Rostock. Vindo do último Sundance, onde fez muito sucesso, o doc foca a contribuição do cantor, ator e ativista Harry Belafonte na luta pelos direitos civis e justiça social.
Panorama completa 25 anos
Criada em 1970 para complementar a Mostra Oficial, a Panorama tornou-se uma seção com vida própria em 1985, sob a coordenação de Manfred Salzgeber. A mostra, que tem a característica de exibir filmes de cunho social e qualidade artística, tem 50 títulos vindos da Europa, Estados Unidos, América Latina e Ásia.
Além de Tropa de elite 2, são destaques: Devil’s doublé, de Lee Tamahori (Bélgica) e Mothers, do macedônio Milcho Manchevski; além de novatos promissores como Marie Kreutzer (Áustria), Jan Schomburg (Alemanha) e Michael R. Roskam (Bélgica).
Outras atrações incluem Amador, do diretor espanhol Fernando Leon de Aranoa, sobre um imigrante ilegal; Vampire, de Iwai Shunji (Canadá), no qual Kevin Zegers interpreta o mais meigo vampiro de todos os tempos; Medianeras, estreia do argentino Gustavo Taretto, uma história sobre a tentativa de trazer um viciado de volta da internet para a vida real; Life in a day, de Kevin MacDonald (Inglaterra), já exibido em Sundance, um projeto coletivo global de fazer um filme sobre um dia em suas vidas, apoiado pelo YouTube; e También La lluvia, de Icíar Bollaín, com Gael García Bernal, sobre as consequências da colonização, que também é exibido na Culinary Cinema, mostra destinada a filmes ligados à gastronomia.
De volta à Panorama, com novos trabalhos, estão os documentaristas Elfi Mikesch, Lynn Hershaman Leeson, Cyril Tuschi e Rosa von Praunheim. O gênero continua muito forte em 2011 e tem uma presença significativa compondo praticamente um terço da mostra.
Retrospectivas e Homenagens
O clássico Ingmar Bergman ganha uma retrospectiva na 61ª edição da Berlinale. Ao lado dos seus trabalhos mais conhecidos como Morangos silvestres – que lhe deu o Urso de Ouro em 1958 – Cenas de um casamento, Mônica e o desejo, O sétimo selo, Persona e Gritos e sussurros, a retrospectiva foca também na redescoberta de seus trabalhos menos vistos dos anos 40 e 50 como, por exemplo, os seus roteiros para Alf Sjoberg em Frenzy, Torment e Hets. Complementando a homenagem ao mestre sueco, a Cinemateca Alemã abriga uma exposição denominada “Ingmar Bergman – Verdades e mentiras”.
No aniversário dos 35 anos de Taxi driver, clássico de Martin Scorsese, uma cópia recentemente restaurada é apresentada numa sessão especial em 4K digital. Há também uma homenagem ao diretor italiano Mario Monicelli, morto no final do ano passado. Uma sessão especial In Memorian exibe Il marchese del grillo, que lhe deu o Urso de Melhor Diretor em 1982.
Títulos da Mostra Oficial
Bizim büyük çaresizliğimiz (Our grand despair) de Seyfi Teoman, Turquia/Alemanha/Holanda, Premiere mundial
Coriolanus de Ralph Fiennes, Inglaterra, Premiere mundial
Odem (Lipstikka) de Jonathan Sagall, Israel/Inglaterra, Premiere mundial
The future de Miranda July, Alemanha/EUA, Premiere Internacional
Wer wenn nicht wir (If not us, who) de Andres Veiel, Alemanha, Premiere mundial
Yelling to the sky de Victoria Mahoney, EUA, Premiere mundial
A torinói ló (The turin horse) de Béla Tarr,Hungria/França/Alemanha/Suiça, Premiere Mundial
El premio (The prize) de Paula Markovitch, Mexico/França/Polônia/Alemanha, Premiere mundial
Jodaeiye Nader az Simin (Nader and simin, a separation) de Asghar Farhadi, Irã, Premiere Internacional
Les contes de la nuit (Tales of the night) de Michel Ocelot, França, Premiere mundial
Margin call de JC Chandor, EUA, Premiere Internacional
Saranghanda, saranghaji anneunda (Come rain come shine), de Lee Yoon-ki, República da Coreia
Schlafkrankheit (Sleeping sickness) de Ulrich Köhler, Alemanha/França/Holanda
The forgiveness of blood de Joshua Marston, EUA
Un mundo misterioso (A mysterious world) de Rodrigo Moreno, Argentina/Alemanha/Uruguai
V subbotu (Innocent saturday) de Alexander Mindadze, Russia/Alemanha/Ucrânia
Fora de competição
Bravura indômita de Joel and Ethan Coen, EUA
Pina de Wim Wenders, Alemanha/França
Almanya - Willkommen in Deutschland (Almanya) de Yasemin Samdereli, Alemanha
Les femmes du 6ème étage (Service entrance) de Philippe Le Guay, França
Mein bester feind (My best enemy) de Wolfgang Murnberger, Áustria/Luxemburgo
Unknown, de Jaume Collet-Serra, Alemanha/Inglaterra/França
Exibições especiais
Cave of forgotten dreams, de Werner Herzog,EUA
Offside, de Jafar Panahi, Irã
Foto: Divulgação
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