01.09.2010 | 13:34
LEÃO DE OURO RENOVADO
Começa com a exibição de Black swan, de Darren Aronofsky, a disputa pelo Leão de Ouro da 67.ª edição do Festival de Veneza. É com esse thriller psicológico que o diretor pretende repetir o feito do ano passado, quando levou a estatueta da fera dourada por O lutador. A tarefa não é fácil, principalmente quando na concorrência constam Sofia Coppola (Somewhere), Vincent Gallo (Promises written in water), Abdellatif Kechiche (Venus noire), Tom Tykwer (Drei) e outros 18 filmes, exibidos até 11 de setembro. As primeiras críticas de Black swan, exibido há pouco em sessão para a imprensa, contudo, são suficientes para inflar o ego de Aronofsky.
Neste ano, a curadoria aposta em juventude e ousadia, com nomes como Vincent Gallo e Monte Hellman, em detrimento dos veteranos bichos-papões de prêmios. A escolha se reflete no júri, presidido por Quentin Tarantino. Fazem-lhe companhia o roteirista e diretor mexicano Guillermo Arriaga, a atriz lituana Ingeborga Dapkunaite, o cineasta e roteirista francês Arnaud Desplechin, o compositor norte-americano de trilhas Danny Elfman e os diretores italianos Luca Guadagnino e Gabriele Salvatores.
Ousadia é o que não falta também a Black swan, em que Natalie Portman interpreta uma bailarina e chega a protagonizar cenas de sexo violento com Mila Kunis, sua concorrente ao papel principal da montagem de O lago dos cisnes na companhia de balé. Natalie é Nina, atormentada por uma relação doentia com a mãe (Barbara Hershey) e pelas pressões de seu diretor artístico (Vincent Cassel), começa a entrar em paranoia.
Em entrevista coletiva, Natalie apontou como "interessante e desafiador" a cenas sensuais propostas - numa das quais, faz "sexo consigo mesma", nos delírios da personagem. Aronofsky destacou ver semelhanças entre Black swan e O lutador. Os dois filmes, aliás, inicialmente era o projeto de um só. "Embora cada história tenha seu próprio estilo e causa, em ambos eu uso os corpos dos atores de forma muito física", analisou.
A crítica especializada americana foi embalada pelo thriller, em consenso. "Um estudo louco, sexy e devastador sobre a ambição de um jovem dançarina. Aqui, Aronofsky parece pender para o cinema dos primeiros de Roman Polanski ou David Cronenberg. Mistura técnicas contemporâneas e clássicas para fazer um filme macabro - em que conta com boa ajuda da trilha sonora de horror", elogia a Variety. "Não temos como não admirar Aronofsky por tentar ser tão absurdo e fazer um filme de horror psicológico ambientado numa clássica companhia de balé. A doença mental se mistura com as fadigas do corpo exíguo, cansado, sofrido. Mesmo assim, não falta controvérsia para o público", aponta a crítica do Hollywood Reporter.
A maioria dos filmes são americanos, tendo ainda uma rebarba da Europa - como uma comédia, gênero pouco apreciado por festivais, de François Ozon, Potiche - e da Ásia. Ao Brasil cabem Lope, de Andrucha Waddington, coprodução com a Espanha que conta a vida do poeta Félix Lope da Vega, fora de competição; e o curta O mundo é belo, de Luiz Pretti, na mostra Horizontes. Pablo Larraín representa a América Latina na Venezia 67, a mostra competitiva, com o chileno Post mortem.
Confira os candidatos ao Leão de Ouro:
Black swan - Darren Aronofsky (EUA)
La pecora nera - Ascanio Celestini (Itália)
Somewhere - Sofia Coppola (EUA)
Happy few - Antony Cordier (França)
La solitudine dei numeri primi - Saverio Costanzo (Itália)
Silent souls - Aleksei Fedorchenko (Rússia)
Promises written in water - Vincent Gallo (EUA)
Route to nowhere - Monte Hellman (EUA)
Balada triste de trompeta - Álex de la Iglesia (Espanha)
Venus noire - Abdellatif Kechiche (França)
Post morten - Pablo Larraín (Chile)
Barney’s version - Richard J. Lewis (Canadá)
Noi credevamo - Mario Martone (Itália)
La passione - Carlo Mazzacurati (Itália)
13 assassins - Takashi Miike (Japão)
Potiche - François Ozon (França)
Meek’s cutoff - Kelly Reichardt (EUA)
Miral - Julian Schnabel (EUA, Canadá, Itália)
Norwegian wood - Ahn Hung Tran (Japão)
Attenberg - Attina Rachel Tsangari (Grécia)
Detective Dee and the mystery of the Phantom Flame - Hark Tsui (China)
Drei - Tom Tykwer (Alemanha)
Essential killing - Jerzy Skolimowski (Polônia)
Foto: Reprodução
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