19.02.2012 | 09:43
URSO DE OURO VAI PARA A ITÁLIA
Myrna Silveira Brandão, de Berlim
Dieter Kosslick, diretor do Festival de Berlim, deu início às 19h (16h de Brasília) à cerimônia de premiação da 62ª edição, chamando ao palco o cineasta inglês Mike Leigh, Presidente do Júri.
“Tantos filmes e tão poucos prêmios. Estou muito feliz e o principal é que o júri foi ótimo e tudo transcorreu em grande harmonia”, ressaltou chamando ao palco a diretora Ursula Meier para receber um Urso de Prata especial pelo seu filme L’ enfant d’en haut.
Cesar deve morrer, dos Irmãos Paolo e Vittorio Taviani foi o grande vencedor do Urso de Ouro.
O filme é um drama de 76 minutos baseado na peça Júlio Cesar, de William Shakespeare, encenada pelos prisioneiros do centro carcerário de segurança máxima Rebibbia, no norte de Roma.
O prêmio para os irmãos diretores não chegou a ser uma surpresa, era um dos favoritos. Bastante aplaudidos, os irmãos diretores subiram ao palco e Paolo iniciou o discurso dizendo que estava muito difícil falar.
“Buscamos a harmonia que não se consegue sempre e foi com ela que fizemos esse filme e ganhamos esse prêmio. Esperamos que, quando os espectadores o assistirem e retornarem às suas casas, tenham consciência que viram uma coisa terrivel. Obrigado às palavras de Shakespeare, que agora voltaram à vida. Foram poucos dias filmando, mas passados com grande paixão. Aos atores a nossa saudação”, disse Paolo citando nominalmente todos eles.
“Agora nosso pensamento está nesses homens que, enquanto estamos aqui com a alegria do prêmio, estão na solidão de suas celas”, complementou Vittorio.
O Grande Prêmio do Júri, o segundo mais importante do festival, foi dado para o húngaro Just the wind, de Bence Fliegauf.
O filme é sobre assassinatos de ciganos na Hungria, com base numa série de crimes que levou a vida de oito pessoas em menos de um ano,
“Obrigado a todos que me ajudaram a fazer o filme. Quero agradecer as pessoas que colaboraram e também aos trabalhadores sociais da Hungria”, declarou Fliegauf.
O prêmio de melhor diretor foi para Christian Petzold, por Barbara, um dos filmes mais bem recebidos nesta edição da Berlinale.
“É fantástico, é incrível que eu tenha ganho um Urso de Prata”, celebrou Petzold, sob aplausos.
O prêmio de melhor ator foi para Mikkel Boe pelo seu papel em A royal affair, de Nikolaj Arcel, que também levou o troféu de melhor roteiro.
A melhor atriz foi Rachel Mwanza por sua atuação em Rebelle de Kim Nguyen. Aplaudidíssima quando subiu ao palco, Mwanza, muito comovida, agradeceu várias vezes ao festival, ao diretor e ao júri.
O Prêmio Teddy Bear – melhor filme de temática homossexual foi para Keep the lights on, de Ira Sachs, que é roteirizado pelo brasileiro Maurício Zacharias.
Tabu, de Miguel Gomes ganhou o Prêmio da Crítica dado pela FIPRESCI (Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica) e o Prêmio Alfred Bauer (trabalho inovador). Gomes, aparentemente surpreso, disse:
“Não entendi ganhar um prêmio ligado à inovação para um filme antigo”.
VENCEDORES DOS PRINCIPAIS PRÊMIOS
– Urso de Ouro: Cesare deve morire, de Paolo e Vittorio Taviani
– Urso de Prata – grande prêmio do júri: Just the wind, de Bence Fliegauf.
– Urso de Prata – melhor diretor: Christian Petzold, por Barbara
– Urso de Prata – melhor ator: Mikkel Boe em A Royal Affair, de Nikolaj Arcel
– Urso de Prata – melhor atriz: Rachel Mwanza em Rebelle de Kim Nguyen
– Urso de Prata especial: L’ enfant d’ en Haut, de Ursula Meier
– Prêmio de melhor roteiro: Nikolaj Arcel por A royal affair
– Prêmio Alfred Bauer – trabalho inovador (uma homenagem ao fundador da Berlinale): Tabu, de Miguel Gomes
– Prêmio para Primeiro Longa/Metragem: Kauwboy, de Boudewijn Koole
– Prêmio da Crítica Internacional: (Fipresci): Tabu, de Miguel Gomes
– Prêmio Teddy Bear – melhor filme de temática homossexual: Keep the lights on, de Ira Sachs
– Prêmio de audiência da Panorama Principal: Parada, de Srdjan Dragojevic (Sérvia)
– Prêmio de audiência da Panorama Documenta: Marina Abramovic: The artist is present, de Matthew Akers
– Melhor filme da Mostra Generation: – Urso de Cristal: Lal gece, de Reis Celik – Turquia
– Melhor curta-metragem: Rafa, de João Salaviza
– Menção especial de curta-metragem: Licurf surf, de Guile Martins
Política e programação para todos
A 62ª edição da Berlinale manteve, em sua programação, o viés político, que é uma das características de sua seleção, conforme fez questão de lembrar Dieter Kosslick, diretor do festival, numa declaração oficial.
“O Festival de Berlim tem uma tradição fortemente política, assim queremos mostrar filmes que espelhem o momento que estamos vivendo”, ressaltou.
A mescla de alguns diretores consagrados com muitos novatos ou em início de carreira, garantiu também uma programação bastante abrangente com filmes para todas as platéias e ênfase nos temas que retratam a realidade.
A presença brasileira – na paralela Panorama Especial e Documenta, com respectivamente Xingu, de Cao Hamburger e Olhe pra mim de novo, de Kiko Goifman e Cláudia Priscila – não fez feio. Os filmes foram exibidos sempre com ingressos esgotados e muitos questionamentos da platéia na Q&A, depois da projeção.
Concorrendo com 33 títulos pelo prêmio de audiência na Panorama Principal, Xingu foi o terceiro colocado na disputa, vencida por Parada, de Srdjan Dragojevic (Sérvia).
Licurf Surf, de Guile Martins, recebeu uma menção especial na competição oficial de curtas-metragem. O filme gira em torno da procura de uma onda.
O Brasil ainda marcou um tento como co-produtor de Tabu, de Miguel Gomes, que fez muito sucesso e sai daqui levando para casa o importante prêmio da crítica internacional (FIPRESCI) e o Alfred Bauer, por seu caráter inovador.
Apesar da crise européia,o Mercado de Filmes Europeus nao decepcionou, principalmente para os países do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), conforme confirmado por André Sturm, Presidente da “Cinema do Brasil”, que promove filmes brasileiros no EFM.
“Foi realmente um país muito procurado pelos vendedores. Inúmeras e as melhores produções foram vendidas para o Brasil”, afirmou.
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