Chove em NY | LABORATÓRIO POP


CINEMA

01.10.2010 | 12:39

CHOVE EM NY



O Festival de Nova York (NYFF), que está na sua 48ª edição, sempre inclui em sua programação uma “Centerpiece”, que é considerado o principal título do evento por sua criatividade e inovação. É sempre um filme diferente, como é característica do perfil deste festival. Neste ano, o tributo coube a The tempest, de Julie Taymor (Across the universe, Frida) exibido numa sessão especial para a imprensa, seguida de uma entrevista com a diretora.

 

The tempest – que encerrou o Festival de Veneza no último dia 11 é a adaptação para as telas de A tempestade, última obra do dramaturgo inglês William Shakespeare. Utilizando uma dinâmica muito original, Julie fez a transposição dessa história escrita há 400 anos, transformando o feiticeiro Prospero em outro gênero, a feiticeira Prospera.

 

Numa mescla de romance e tragicomédia, ela reina numa ilha mágica cuidando de sua filha, Miranda, e lançando seus poderes contra os inimigos. Prospera é interpretada por Helen Mirren e o elenco inclui ainda Alfred Molina, Russell Brand, Chris Cooper, Alan Cumming, David Strathairn e Ben Whishaw, entre outros.

 

Julie já tinha adaptado Titus, também de Shakespeare, em 1999, e para trazê-lo às telas se baseou em sua própria produção off-Broadway, interpretada no cinema por Anthony Hopkins. Na longa coletiva após a sessão, a diretora enfatizou que Shakespeare é uma de suas paixões, e por isso ficou tão à vontade para adaptá-lo de forma totalmente inusitada.

 

“Eu gostei muito de ter feito Titus e coloquei na minha cabeça que iria voltar a fazer Shakespeare assim que pudesse. Optei por Tempest porque é uma grande peça e tem um visual ideal para o cinema. E tem inclusive uma das minhas cenas favoritas, entre Prospera e Ariel, que envolve sentimentos, compaixão e perdão”, disse, complementando por que mudou o gênero do personagem de Prospero para Prospera.

 

“Foi uma coincidência muito interessante e que envolve a Helen Mirren. Eu já tinha ideia de mudar o personagem não por uma questão ligada à política – privilegiar a mulher – mas porque achava que “a relação mãe e filha” funcionaria melhor. Comentei isso com Helen numa festa e ela disse que sempre quis viver Prospera no cinema. Foi um encontro feliz”, ressaltou.

 

A diretora admitiu o desejo de colocar a paisagem também como um personagem no filme. “A maior parte das filmagens foi feita no Havaí e fizemos alguns ensaios na Califórnia. A ilha Lanai foi a locação perfeita, árida, vulcânica. Estive lá antes das filmagens, tem um aspecto paradisíaco, uma espécie de jardim marinho com rochedos, um lindo penhasco... Enfim, era nossa intenção que a paisagem fizesse parte do elenco”, brincou Taymor, que atribui aos atores o bom resultado que teve.

 

“Além da Helen (Mirren), que é maravilhosa, todos estão ótimos, inclusive o Ben (Whishaw que faz o Ariel, uma espécie de gênio). Acho que está perfeito porque o papel é dual, meio andrógino, meio água, meio ar, meio fogo. Gostei muito do resultado e acho que acertei nas escolhas”, afirmou.

 

Respondendo a uma pergunta quanto à razão de ter optado pelo estilo de música contemporânea, Taymor disse que foi uma decisão proposital e conjunta entre ela e o compositor Elliot Goldenthal. “Todas as músicas foram compostas para o filme e a condução foi de Elliot. Embora se trate de Shakespeare, a tonalidade de natureza contemporânea foi intencional, queríamos que a trilha tivesse esse viés”, contou a diretora de 58 anos, que é mais conhecida como visionária criadora de produções teatrais e tem uma diversificada carreira na ópera e no cinema.

 

Ao final, Taymor lembrou a grande diferença que existe entre conduzir uma peça teatral e realizar uma adaptação para o cinema. “Primeiramente há a questão do tempo, o que me levou a fazer vários cortes na duração do filme para ter uma versão menor. A linguagem e o ritmo também são diferentes, o que exigiu que muita coisa fosse adaptada. Além disso, como tínhamos pouco dinheiro, o baixo orçamento nos obrigou a sermos criativos. Como, por exemplo, construir uma atmosfera de sonho utilizando materiais leves”, destacou.


Taymor está de volta à Broadway com Spider-Man: Turn off the dark, um musical com canções de Bono e The Edge, do U2.

 

Foto: Divulgação

Leia outras notícias sobre cinema

FORMULE