14.07.2010 | 20:45
CINEMA DE INTERIOR
Marcella Huche, de Paulínia
Os holofotes do mais pop dos festivais de cinema se acendem nesta quinta (15), quando um pedaço do interior de São Paulo vira a Meca da produção audiovisual. Até 22 de julho, o Festival Paulínia de Cinema apresenta 27 filmes em sua terceira edição, que homenageia Hector Babenco. Completando 25 anos de seu lançamento e depois de evocar aplausos calorosos em Cannes, O beijo da mulher-aranha, em versão restaurada, liga o interruptor do festival, exibindo ainda nomes premiados no exterior, como os docs Lixo extraodinário, de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley, e Bróder, de Jeferson De.
“Quando a seleção ficou pronta, tinha certeza de que nós devíamos ter um cineasta que contasse bem histórias e mostrasse que fazer isso é o suficiente para conquistarmos cada vez mais público”, explica Ivan Melo, diretor do Festival Paulínia de Cinema, ao LABORATÓRIO POP. A aposta da curadoria, que em dois meses analisou 377 filmes, foi nos bons filmes “sem arrogância”, que aliam cinema autoral e público. Por isso a heterogeneidade entre os destaques, que vão de 5X favela, agora por nós mesmos, de Manaíra Carneiro e Wagner Novaes; Rodrigo Felha e Cacau Amaral; Luciano Vidigal; Cadu Barcellos; Luciana Bezerra, também fresco de Cannes, e Eu e meu guarda-chuva, de Toni Vanzolini, estreia mundial da ficção infantil.
Além de rever o clássico O beijo da mulher-aranha, é possível ainda pegar sessões de sucessos recentes, já fora de circuito, como Chico Xavier, de Daniel Filho, Salve geral, de Sergio Rezende, e É proibido fumar, de Anna Muylaert. Outro filme sobre o médium Chico Xavier também é exibido por lá, As cartas psicografadas de Chico Xavier, de Cristina Grumbach. Atenção para a estreia de Desenrola, de Rosane Svartman, veterana de filmes juvenis, como Mais uma vez amor. Finalizando a maratona, 400contra1 – Uma história do crime organizado, de Caco Sousa.
Investidos R$ 21 milhões por ano em cinema na cidade, Melo espera formar um bom público e educar os novos funcionários do cinema formados em Paulínia. Em conversa por telefone com o LABORATÓRIO POP, o diretor do festival explica que seleção do evento pode apontar um caminho de bons frutos para o cinema nacional, que precisaria se despir de arrogância e encontrar um viés entre a estética autoral do diretor e o entendimento do público.
LABORATÓRIO POP: O homenageado dessa edição é Hector Babenco, que apresenta O beijo da mulher-aranha restaurado. Como aconteceu essa escolha? O senhor chegou a ver a versão restaurada? Como está?
Ivan Melo: A gente queria homenagear alguém que fosse um contador de histórias e que transcendesse, filmes representativos. O Hector veio como uma opção natural. Quando a seleção ficou pronta, tinha certeza que precisava de um cineasta que contasse bem histórias e que mostrasse que contar bem histórias é o suficiente para ganharmos cada vez mais público. E o Hector é um exemplo multiplicado por três de como isso deve ser feito. Sobre o Beijo... Faz 25 anos do lançamento, a cópia está restaurada, linda. Pensamos que tão pouca gente dessa nova geração teve a oportunidade de assisti-lo, principalmente desse pessoal aqui em Paulínia que estão começando a trabalhar com cinema agora, e seria uma homenagem a todo mundo exibi-lo numa cópia 35mm, restaurada, linda.
Neste ano, a projeção é que um terço da produção nacional passe pelo pólo cinematográfico de Paulínia. Como o senhor posiciona o festival no mercado nacional?
Pelo pouco tempo que temos, já somos muito reconhecidos. Somos hoje um dos grandes festivais brasileiros, que tem uma programação de filmes só inéditos, que são muito bons filmes, pensada em termos de bons diretores, mas também de bons filmes para público. Acho que vivemos um momento muito bom em Paulínia e, claro, muito por conta do polo de cinema, que é produtor. Se você é convidado para um festival numa cidade que faz 20 filmes por ano e apoia o cinema brasileiro é muito mais fácil você aceitar...
O que o senhor acredita ser o diferencial, a aposta da curadoria de Paulínia?
Tentamos conciliar filmes autorais, de bons diretores, bem dirigidos, bem feitos, com cuidados estéticos que cabem ao cinema autoral, mas que buscassem público.
Durante a seleção deste ano alguma coisa te surpreendeu, marcou mais?
Ah, O beijo da mulher-aranha! Todos são surpreendentes, não posso nem falar de um por um porque me empolgo muito. A sessão de curtas e de documentários estão maravilhosas. A seleção de longas de ficção, então...
Como foi o trabalho?
Os filmes começaram a chegar em março e assistimos tudo até maio. Foram 377 filmes!
Como o senhor enxerga a produção nacional nesse momento? Consegue perceber rumos definidos?
A produção nacional precisa encontrar uma via, que não é nem tão autoral, nem tão comercial. O cinema brasileiro está tentando achar essa via do meio. E ela é muito difícil de ser alcançada. Nossa programação tem uma boa chance de retratar esse viés. Tanto longas como curtas e até os documentários procuram seu público. Menos arrogância, sabe? Tanto da parte do produtor ou do diretor, que falam que estão fazendo filme como eu quero, do jeito que eu quero e que se dane se alguém entende ou não. Acho que estamos procurando esse meio termo, que é muito agradável e necessário no cinema brasileiro hoje.
Quais são suas expectativas para esta edição?
Espero que o festival tenha um público bem grande porque os filmes são gratuitos, são bons filmes, que ninguém viu ainda. Estamos ampliando esse ano uma sessão infantil, que é intencional, para formar público. Espero muito que a população da região metropolitana de Campinas aproveite essa oportunidade que a prefeitura está oferecendo. Porque é gratuito e é bom, não é aquele gratuito meia-boca.
Veja aqui alguns trailers dos destaques da III Festival Paulínia de Cinema:
Eu e meu guarda-chuva
Lixo extraordinário
Desenrola
400contra1
FORMULE
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21.06.2010 | 17:05
Sai seleção oficial do Festival de Paulínia: R$ 650 mil em prêmios
17.07.2010 | 12:56
Famosos prestigiam III Festival Paulínia de Cinema; veja galeria.jpg)
16.07.2010 | 12:52
Um beijo em Babenco
23.07.2010 | 00:49
7x periferia
23.07.2010 | 19:28
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