Da Tailândia ao Facebook | LABORATÓRIO POP


CINEMA

17.08.2010 | 08:03

DA TAILâNDIA AO FACEBOOK

Carlos Augusto Brandão



O Festival de Cinema de Nova York — que acontece de 24 de setembro a 10 de outubro — tem nesta 48ª edição uma programação eclética, que inclui diretores em seus primeiros trabalhos e nomes consagrados. Um deles, o veterano Clint Eastwood, é mais uma vez homenageado pelo festival.  Assim como Sobre meninos e lobos teve o status de abrir o evento em 2003, neste ano o filme de encerramento é Hereafter, novo trabalho do cultuado diretor.Trata-se de um thriller sobrenatural centrado em três pessoas — um colarinho branco americano, um jornalista francês e um estudante londrino — que são tocados pela morte de diferentes maneiras.

 

Ao fazer o anúncio da programação, Richard Peña, diretor do NYFF, disse que é um orgulho ter Eastwood de volta ao evento, onde já apresentou Bird (1998), A troca (2008) e Sobre meninos e lobos (2003). “Como ficou evidente de forma brilhante em Hereafter, Clint continua a fazer os filmes mais provocadores e arrojados dos Estados Unidos”, destaca Peña. 

 

The social network, de David Fincher, liga o interruptor do evento. Baseado no livro O bilionário acidental (The accidental billionaire) de Ben Mezrich, aborda os bastidores do início do Facebook, através da trajetória de seu idealizador Mark Zuckerberg e de outras pessoas que tiveram papel fundamental na criação da famosa rede social, entre elas o carioca Eduardo Saverin.

 

A tradicional “peça de resistência” — destaque para um filme inovador e criativo — é The tempest, de Julie Taymor. Estrelado por Helen Mirren, trata-se de uma adaptação totalmente original de A tempestade, de William Shakespeare.

 

Os Estados Unidos, além dos filmes de abertura e encerramento, também comparecem com Lennon YUC, de Michael Epstein; Meek’s cutoff, de Kelly Reichardt; e Inside job, segundo documentário de Charles Ferguson, que faz uma análise contundente da crise financeira global de 2008. O filme é narrado pelo ator Matt Damon.

 

Muitos filmes da programação já foram exibidos em Cannes, a começar pelo inusitado Uncle Boonmee who can recall his past lives, do tailandês Apichatpong Weerasethakul, ganhador da Palma de Ouro. O filme é a história surreal de um homem à cata de reconciliação com almas do seu passado, que decide passar seus últimos dias na selva, onde encontra o fantasma da mulher morta e do filho desaparecido, este transformado num animal.

 

Entre outros títulos vindos do festival francês, também se destacam: Another year, de Mike Leigh (Grã Bretanha); Carlos, de Olivier Assayas (França); Film socialism, de Jean-Luc Godard (Suíça); Of gods and men, de Xavier Beauvois (França); My joy, de Sergei Loznitsa (Ucrânia); e O estranho caso de Angélica, do veterano diretor Manoel de Oliveira (101 anos), um nome sempre presente no NYFF com seu novo trabalho. 

 

Portugal ainda marca território na programação com Mistérios de Lisboa, de Raul Ruiz, um épico com 272 minutos, baseado numa história de Camilo Castelo Branco, que envolve paixão, ciúmes, intriga e morte.

 

A representação latino-americana, que não inclui títulos brasileiros, mostra filmes do Chile — Post mortem, de Pablo Larrain e Gatos viejos, de Sebastián Silva — e do México — Somos lo que hay, de Jorge Michel Grau e Revolución, realização coletiva de dez diretores latinos que inclui Gael Garcia Bernal, Diego Luna e o ótimo Carlos Reygadas. Trata como a revolução é vista hoje na mente das novas gerações.

 

Ainda fazem parte da programação The robber, de Benjamin Heisenberg (Alemanha), indicado ao Urso de Ouro no último Festival de Berlim; Oki’s movie, de Hong Sang-soo; e Poetry, de Lee Chang-dong, ambos da Coreia do Sul.

 

Em mostras paralelas à programação principal, há uma retrospectiva do cineasta japonês Masahiro Shinoda e a trilogia revolucionária de Fernando de Fuentes, um dos pioneiros do cinema mexicano.

 

Foto: Divulgação 

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