DE CAUSAR CIÚMES | LABORATÓRIO POP


CINEMA

21.07.2010 | 04:48

DE CAUSAR CIÚMES

Marcella Huche, de Paulínia *



Uma comédia romântica, algo trágica, finalmente triunfou no III Festival Paulínia de Cinema, que segue até 22 de julho. Malu de bicicleta, terceiro longa de Flávio R. Tambellini, é adaptado do romance de Marcelo Rubens Paiva, que também contribuiu com o roteiro, e evocou palmas efusivas e até longos assovios na exibição desta terça (20). Na trama, o relacionamento de Malu (Fernanda de Freitas em sua primeira protagonista nos cinemas) e Luiz Mário (Marcelo Serrado) é permeado de desconfianças e ciúmes, algo como Machado de Assis moderno, dividido entre Rio e São Paulo. No livro, mais machadiano, são pouco presentes as tintas tragicômicas sarcásticas carregadas por Tambellini no longa. Malu de bicicleta empolgou, sendo, ao lado de 5x favela, agora por nós mesmos, um dos filmes mais aplaudidos em competição. 

 

"Queria pedir que o público se despisse de julgamentos de gênero. Na verdade não é uma comédia, mas uma história patética de amor, por que todos nós passamos", esclarece Rubens Paiva, antes de começar a sessão. A ideia de adaptar o romance partiu de Marcelo Serrado, que procurou e convenceu Tambellini. O próprio produtor / diretor mexeu bastante no roteiro antes de mostrá-lo a Rubens Paiva. "Ele me deu bastante liberdade, mas já tinha trabalhado muito no texto antes. O Marcelo até trouxe algumas coisas legais de volta, mas é difícil para o escritor exercitar esse desapego", conta Tambellini, em conversa ao LABORATÓRIO POP logo depois da sessão lotada no Theatro Municipal de Paulínia.

 

O longa foi precedido pelo curta Quem vai comer minha mulher?, de Rodrigo Bittencourt. Com Cauã Reymond no elenco e filmado totalmente em inglês, o diretor se complicou com a plateia ao explicar sua opção pela língua, recebendo algumas vaias espaçadas e muitas caras feias. "O roteiro é do Bernardo Melo Barreto, que estudou muito tempo em Nova York e veio com ele pronto para mim. Já estava em inglês e achamos natural deixá-lo assim, até porque é uma língua que todo mundo fala hoje em dia, né? Bom, todo mundo gosta de músicas em inglês, por que não fazer um filme em inglês também?", questionou o diretor, acrescentando que é também músico e poeta. Na trama, um homem trai sua mulher, que diz só lhe perdoar se ela puder fazer o mesmo com um homem de sua escolha. Ele então sai à caça de um amigo para a árdua tarefa.

 

 

Antes disso, o documentário Programa Casé, de Estevão Ciavatta, foi bem recebido. Para apresentar o longa, além do diretor, subiu ao palco três mulheres da família Casé — a mais famosa delas, Regina, aliás, casada com o diretor. Avó de Regina, Adhemar Casé é apresentado ao grande público no filme, que ressalta a ligação do radialista com a MPB e os caminhos no showbiz. O acervo pessoal de Adhemar Casé chegou quase por acaso nas mãos de Ciavatta. "Não o conhecia, nem sabia de sua importância. Além de apresentar o personagem é um filme de família", explica o diretor, que teve acesso ao material porque uma caixa com todos os pertences restantes de Adhemar Casé foi guardada na produtora do casal, a Pindorama."Hoje, o Estevão, que não conheceu meu avô, sabe mais dele do que a maior parte da família. Pelo filme eu pude finalmente entender por que faço TV", revela Regina, acrescentando que assim se pode compreender melhor a história do rádio, da TV e da MPB. O grande desafio foi cobrir de imagens o vasto material de rádio do qual o diretor dispunha.

 

O outro curta exibido nesta terça (20) foi o regional Depois do almoço, de Rodrigo Diaz Diaz. Antes, na mostra paralela, o público de Paulínia pôde assistir novamente a Salve geral, de Sérgio Rezende, representante do Brasil entre os concorrentes a indicados a Melhor Filme Estrangeiro. Esta quarta (21) é o último dia de competição do festival, que apresenta os premiados Lixo extraordinário, doc de Lucy Walker, João Jardim e Karen Harley, sobre o trabalho de Vik Muniz; e o longa de ficção Bróder, de Jeferson De. No encerramento na quinta (22), são distribuídos os prêmios e, antes, é exibido 400contra1, de Caco de Souza.

 

Foto: Leandro Moraes / Divulgação

 

* Marcella Huche viajou a convite da organização do evento

 

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