09.02.2012 | 16:20
DENDÊ NO CHUCRUTE
Myrna Silveira Brandão, de Berlim
A produção francesa Les adieux à la reine, de Benoît Jacquot, inicia nesta quinta (9) a 62ª edição do Festival de Berlim, que vai mostrar uma eclética programação de mais de 300 títulos.
O filme é uma adaptação para as telas do livro de Chantal Thomas, que retrata os primeiros dias da Revolução Francesa na perspectiva dos empregados de Versalhes. Além de Diane Kruger, que vive Maria Antonieta, estão no elenco, entre outros, Léa Seydoux e Virginie Ledoyen.
Les adieux à la reine é um dos concorrentes ao Urso de Ouro, que será conhecido no dia 18, na festa de premiação. No dia seguinte, o vencedor será mostrado como o filme de encerramento da Berlinale 2012.
Tempero brasileiro no chucrute
O Brasil está na mostra oficial como co-produtor de Tabu, do português Miguel Gomes, e marca presença na paralela Panorama em dois momentos: na Principal com Xingu e na Documenta, com Olhe pra mim de Novo.
Xingu segue a aventura dos irmãos Villas-Boas, que se alistam na expedição Roncador e partem em missão desbravadora pelo Brasil Central. Produzido por Fernando Meirelles, o longa traz no elenco João Miguel, Felipe Camargo, Caio Blat e Maria Flor. O diretor Cao Hamburger está de volta à Berlinale, onde em 2007 concorreu ao Urso de Ouro com O ano em que meus pais saíram de férias.
Olhe pra mim de novo, de Kiko Goifman e Claudia Priscilla, já lançado no último Festival de Gramado, conta a história de Sylvio Luccio, um transexual formado em letras e funcionário público no Ceará.
Outra seleção brasileira acontece na Geração Kplus de curtas-metragens com L, de Thais Fujinaga. O filme conta a história de uma garota preocupada com seu físico e que decide mudar o visual quando conhece um menino de origem chinesa.
O Brasil também concorre na mostra oficial de curtas-metragens, com Licurf Surf, de Guile Martins. O documentário de 15 minutos foi um dos filmes destacados no anúncio do festival.
Veteranos e novatos
A mostra oficial, a mais importante do evento, terá 23 títulos, 18 deles são candidatos ao Urso de Ouro. A competição está concentrada na Europa e mesmo quando se trata de diretores não europeus, caso do filipino Brillante Mendoza (com Captive) e do americano Billy Bob Thornton (com Jayne Mansfield’s Car), os filmes são coproduções europeias.
Serão mostrados trabalhos de diretores renomados como o alemão Werner Herzog com Death Row, sua série de documentários sobre prisioneiros no corredor da morte; o chinês Zhang Yimou, com The flowers of war e o americano Stephen Daldry com Tão forte e tão perto, ao lado de novatos como a suíça Ursula Meier (L’enfant d’em haut) e o grego Spiros Stathoulopoulos (Meteora).
Herzog, Yimou e Daldry (cujo filme acaba de ser indicado ao Oscar), estão na oficial fora de competição.
O chinês Wang Quan’an, ganhador do Urso de Ouro em 2007 com O casamento de Tuya retorna à competição oficial com o épico White Deer Plain. Já na Berlinale Especial, um dos títulos mais esperados é In the land of blood and honey, de Angelina Jolie (EUA), estreia da atriz como diretora em longa de ficção. Haywire, thriller de Steven Soderbergh (EUA), também integra a mostra oficial e será apresentado numa sessão especial.
Mike Leigh, conhecido por seus filmes de cunho social (Segredos e Mentiras, Vera Drake), será o presidente do júri, que inclui, entre outros nomes, os diretores François Ozon e Asghar Farhadi (Urso de Ouro 2011 com A Separação, um dos favoritos ao Oscar 2012 como Melhor Filme em Língua Estrangeira).
Mostra Panorama completa 26 anos
Criada em 1970 para complementar a mostra oficial, a Panorama tornou-se uma seção com vida própria em 1985, sob a coordenação de Manfred Salzgeber. A mostra tem a característica de exibir filmes de cunho social e qualidade artística e conta com títulos vindos da Europa, Estados Unidos, América Latina e Ásia.
Serão apresentados 53 filmes, sendo 18 no Programa Principal, 15 na Panorama Especial e 20 na Panorama Documenta.
Além de Xingu e Olhe pra mim de novo, também são destaques da mostra: 10+10, projeto coletivo de 10 diretores, entre eles Hou Hsiao-hsien; Keep the lights on, de Ira Sachs (com roteiro do brasileiro Mauricio Zacharias e já mostrado no último Sundance); La mer à l’aube, de Volker Schlöndorff (Alemanha); e Indignados, de Tony Gatlif (França).
Meryl Streep é a grande homenageada

O Urso Honorário será entregue à atriz americana Meryl Streep. Numa longa carreira que inclui mais de 40 filmes, Meryl já recebeu inúmeros prêmios, além de 16 indicações ao Oscar e acabou de ganhar o Globo de Ouro por seu desempenho como Margaret Thatcher em A dama de ferro, de Phyllida Lloyd. A homenagem na Berlinale será acompanhada de uma mostra com seis filmes protagonizados por ela.
A tradicional retrospectiva será dedicada aos lendários estúdios de cinema germano-russos conhecidos como a Fábrica de Sonhos Vermelha e incluirá mais de 40 filmes, desde produções sonorizadas às mudas, que terão acompanhamento musical ao vivo.
Entre os filmes selecionados, um dos destaques é Outubro, de Serguei Eisenstein. Obras primas como Tempestade sobre a Ásia (1928), de Pudovkin, A menina com o chapéu (1927), de Boris Barnet e Aelita, a rainha de Marte (1924), de Yakov Protazanov, também estarão na mostra. O Estúdio Babelsberg, que está celebrando o seu centenário em fevereiro de 2012, também será homenageado nesta edição.
A lista de diretores consagrados que filmaram no estúdio é longa e inclui nomes como: Friedrich W. Murnau (A última gargalhada, 1924), Fritz Lang (Metropolis, 1927), Wolfgang Staudte (Os Assassinos estão entre nós, 1946), Alfred Hitchcock (The Blackguard, 1925), Joseph von Stemberg (O Anjo azul, 1929), Roman Polanski (O Pianista, 2002), Stephen Daldry (O Leitor, 2008), Quentin Tarantino (Bastardos inglórios, 2009).
A retrospectiva – que se chamará “Feliz Aniversário, Estúdio Babelsberg” – apresentará um filme de cada década produzido por ele.
TÍTULOS DA MOSTRA OFICIAL
Les adieux à la reine, de Benoît Jacquot (França)
Aujourd’hui, de Alain Gomis (França / Senegal)
Barbara, de Christian Petzold (Alemanha)
Cesare deve morire (Ceasar Must Die), de Paolo e Vittorio Taviani (Itália)
Gnade, de Matthias Glasner (Alemanha / Noruega)
Jayne Mansfield’s Car, de Billy Bob Thornton (Russia / EUA)
L’enfant d’en haut (Sister), de Ursula Meier (Suiça / França)
Metéora, de Spiros Stathoulopoulos (Alemanha / Grécia)
Tabu, de Miguel Gomes (Portugal / Alemanha / Brasil / França)
Just the Wind, de Benedek Fliegauf (Hungria / Alemanha / França)
Home for the Weekend, de Hans-Christian Schmid (Alemanha)
Captive, de Brillante Mendoza (França / Filipinas / Alemanha / Inglaterra)
Dictado (Childish Games), de Antonio Chavarrias (Espanha)
À moi seule (Coming Home, de Frédéric Videau (França)
A Royal Affair, de Nikolaj Arcel (Dinamarca / República Tcheca / Alemanha / Suécia)
Rebelle, de Kim Nguyen (Canadá)
Postcards from the zoo, de Edwin (Indonésia / Alemanha / Hong Kong / China)
White Deer Plain, de Wang Quan’an (China)
Fora de competição
Extremely Loud and Incredibly Close, de Stephen Daldry (EUA)
The flowers of war, de Zhang Yimou (República da China)
Bel Ami, de Declan Donnellan e Nick Ormerod (Inglaterra)
Flying Swords of Dragon Gate, de Hark Tsui (Hong Kong / China)
Shadow Dancer, de James Marsh (Inglaterra / Irlanda)
Berlinale Especial
Death row (série de documentaries em quatro partes), de Werner Herzog (EUA)
Don – The king is back, de Farhan Akhtar (Índia / Alemanha)
Keyhole, de Guy Maddin (Canadá)
La chispa de la vida, de Álex de la Iglesia (Espanha)
Marley, de Kevin Macdonald (documentário) (Inglaterra / EUA)
In the land of blood and honey, de Angelina Jolie (EUA)
Sessão Especial:
Haywire, de Steven Soderbergh (EUA)
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