Quase pai e filho | LABORATÓRIO POP


CINEMA

27.08.2010 | 12:55

QUASE PAI E FILHO



O diretor Harald Zwart aprendeu cedo uma lição no set do remake de Karate kid. Se um dos protagonistas lhe acenasse adeus, grandes eram as chances que seu outro astro já tivesse também saído pela mesma porta. "Eles passavam muito tempo juntos fora do set, o que não é muito usual entre atores", explica Zwart, em entrevista ao USA Today, referindo-se a Jackie Chan e Jaden Smith, principais de Karate kid, que estreia com força nesta sexta (27), depois de boa abertura nos Estados Unidos. Até agora, já foram arrecadados US$ 300 mil em todo o mundo.

 

Para quem não era criança nos anos 80 ou não teve sessões de tarde ociosas — o filme retrata a história de um menino americano que troca de cidade, sofre bullying e aprende artes marciais com um mestre para se defender. No original, com Ralph Macchio e Pat Morita, o menino saía de Nova Jersey para a Califórnia. No remake, o garoto se muda para a China, mas enfrenta o mesmo tipo de problema - e na verdade aprende kung-fu.

 

"Eles ficavam praticando movimentos ou conversando à beira do lago", descreve Zwart. "Existia mesmo uma relação paternal se criando ali. Não é nada que você possa fabricar na tela, essa química. Ela existe ou não, e eles têm muita". O público americano já deu a palavra final sobre o assunto, a qualidade inegável da história permanece imune ao tempo. A expectativa a ser alcançada era grande — não só o original de 1984 tem lugar cativo, mas também as diversas continuações memoráveis. O mérito vai mesmo para a trama da relação entre o menino e seu mentor, muito comum em Hollywood, mas aqui realizada de forma impecável.

 

"Não é óbvio, mas professores e mentores desempenham grande papel em Hollywood", analisa Mary Dalton, autor do livro Teachers in movies. "Eles refletem as opiniões de nossa sociedade ao longo dos anos. Para o bem ou para o mal. É evoluído, um gênero sério". Como identificá-lo? O especialista explica que Hollywood tem um estereótipo para isso: os mentores são homens, não se dão bem com administradores certinhos e normalmente aprende alguma coisa com seu pior aluno. Chan e Jaden dizem que não estavam necessariamente interessados em fazer um filme de ator, mas queriam aprender. Sobretudo Jaden, filho de Will Smith com Jada Pinkett Smith, que fez sua estreia cinematográfica em 2006, com À procura da felicidade, ao lado do pai.

 

Como não poderia deixar de ser, Jaden explica que é se tornou fã de Chan, principalmente depois de assistir aos filmes antigos do ícone comédia / artes marciais na TV, como Drunken master, de 1978. "Ele e meu pai são minhas maiores influências", explica o garoto. Chan e o menino fizeram mais de três meses de treinamento juntos. "Eu queria aprender com os melhores", diz Jaden, que ainda tem aulas Chan. O adulto aqui também teve sua chance de aprender. O filme, produzido pelos pais de Jaden, marca um recorde para o ator — é onde ele aparece em menos cenas de luta, algo que Chan desejava fazer há um tempo. "Quis mostrar que posso fazer mais do que só lutar", diz Chan. "Eu também posso atuar. Essa família toda fez muito por mim, só tenho a agradecer. Nunca somos velhos demais para aprender".

 

Estreias: 5x favela, agora por nós mesmos também é destaque

 

O nacional 5x favela, agora por nós mesmos é a principal estreia nacional deste fim de semana, que também é a data de abertura para Bellini e o demônio (só no Rio). Uma das principais estreias do ano, 5x favela retoma a iniciativa dos anos 60, quando um grupo de cineastas de classe média dirigiram curtas sobre as favelas cariocas. Cacá Diegues, um desses diretores, é o responsável por juntar uma turma de cineastas criados em comunidades cariocas para fazerem o olhar deles. Exibido em Cannes, 5x favela, agora por nós mesmos ganhou ainda sete prêmios no Festival de Paulínia. O cotidiano carioca é retratado com muita sutileza e bom humor, com roteiros firmes e ótimas incríveis.

 

Entra no mercado brasileiro também a comédia romântica com pinceladas de thriller policial Par perfeito. Com Ashton Kutcher e Katherine Heigl no elenco, deixou a desejar nos Estados Unidos, onde nem chegou a ser exibido para a crítica para evitar comentários negativos. Trata-se da história de recém-casados que descobrem que seus novos vizinhos talvez sejam assassinos por aluguel, o que coloca suas vidas em risco. Estreia no Rio Quando me apaixono, dirigido por Helen Hunt, que já passa em São Paulo desde o início do mês.

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