21.09.2010 | 11:04
ENTRE AMORES
Myrna Silveira Brandão , de NY
O diretor sul coreano Hong Sang-soo apresentou ontem Oki’s movie, seu novo trabalho, numa sessão prévia para a imprensa no Festival de Nova York. Sang-soo já é um habitué do festival, onde esteve em 2006 com Mulher na praia, em 2005 com Tale of cinema e em 2004 com A mulher é o futuro do homem.
Oki’s movie segue o estilo característico do diretor, autor de filmes lentos, utilizando uma estética minimalista e que aparentemente parece nada querer dizer. Não é à toa que seus admiradores já o compararam a Antonioni, o cineasta da incomunicabilidade.
Alternando presente e passado, realidade e ficção e dividido em quatro capítulos (de diferentes pontos de vista), o filme segue um jovem diretor Jin-gu (Lee Sun-kyun), o seu professor de meia idade, Prof. Song (Moon Sung-keun) e Oki (Jung Yumi), a mulher que ama os dois.
O 11º filme de Sang-soo é uma comédia com grande força emocional, concluído com um final triste sobre os caminhos do coração e o terror do envelhecimento. O diretor diz que entre as razões de ter feito o filme está sua busca constante pela originalidade. “Eu prefiro olhar em outras direções, falar de temas inéditos, às vezes até comuns, em vez de repetir aqueles que já foram abordados quase à exaustão”, explica.
Os personagens são muito bem explorados e trazidos para a linha de frente de uma forma nova e reveladora. O diretor reconhece que tem um estilo diferente dos demais cineastas, pelo menos dos ocidentais. É conhecido por filmar sem um roteiro acabado e os atores não tomam conhecimento prévio do script quando são chamados a participar do filme.
“Acho que um filme começa com uma situação, com um argumento que eu escrevo para o produtor. Mas as cenas eu defino na manhã em que serão filmadas, inspiradas nas coisas que acontecem naquele dia”, conta.
Como suas ideias, ele é uma pessoa estranha. Estranhos são também os títulos de seus filmes, como O dia em que o porco caiu no poço, A noiva desnudada por seus pretendentes, Porta giratória e A mulher é o futuro do homem, este tirado de um cartão postal.
Outro destaque em sua obra é o tom natural dos atores, que, explica, decorre de um trabalho em conjunto. “Quando eu convido os atores para o papéis, após ter delineado o perfil do personagem, eu converso com eles e procuro me inteirar do seu passado e, se for necessário, reformulo alguma coisa. Não trabalho com ideias imutáveis. Filmar é um processo, etapa por etapa”, ensina.
Jung Yumi, que já tinha trabalhado com o diretor em Lost in the mountains e Visitors, está muito bem na mulher dividida entre dois amores. Sang-soo disse que gosta de trabalhar com atores que já estiveram em seus outros filmes. “Prefiro trabalhar com eles, há uma comunhão e o desejo de ir mais longe, descobrir coisas”, ressalta.
A fotografia de Park Hongyeol segue o viés do filme sempre com as mesmas composições, procurando não iluminar muito os personagens, nem criar climas para o tema. Da mesma maneira, a música de We Zongyun está em sincronia com a proposta do diretor.
De acordo com a assertiva que cada espectador vê um filme, este é um bom exemplo para testar a regra. Alguns poderão não gostar dessa história filmada em câmera lenta. Outros poderão concluir que existem de fato situações como essas que valem a pena serem trazidas para as telas. Opiniões à parte, aqui no NYFF, o filme foi considerado um dos melhores trabalhos da carreira de Sang-soo até agora.
Foto: Divulgação
FORMULE

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