08.04.2010 | 20:02
"ESPANTE O SAUDOSISMO"
Marcella Huche
Se Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Edu Lobo, Roberto Carlos e Sérgio Ricardo não cabem mais no mesmo palco, Renato Terra e Ricardo Calil os fazem lotar, pelo menos, a mesma sessão de cinema. São eles os diretores de Uma noite em 67, documentário sobre a história final do III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record. A noite do dia 21 de outubro de 67 é revivida nesta quinta (8), na abertura do festival É Tudo Verdade, em São Paulo, em sessão para convidados. “Espante o saudosismo e curta a experiência”, aconselha Terra. “Estamos muito orgulhosos de exibir num dos maiores festivais de documentários da América do Sul”.
Para resgatar a noite mais importante da era dos festivais, que começou em 65, Calil e Terra debruçaram-se sobre o vasto acervo da TV Record, coprodutora do projeto ao lado da VideoFilmes. “Reviramos as entrevistas de bastidores, todo mundo novinho", conta Terra. "Por isso mesmo sai cada pérola saborosíssima, cada besteira... Isso deixou o filme bastante divertido, mas alguns também fazem comentários bastante reflexivos sobre a época”.
Além das imagens inéditas, as músicas — e cada música, como Roda viva, de Chico Buarque e o MPB4; Alegria, alegria, de Caetano Veloso; Domingo no parque, de Gilberto Gil e os Mutantes; Ponteio, de Edu Lobo; Maria, Carnaval e cinzas, de Roberto Carlos — são exibidas na íntegra. E sim, a cena de Sérgio Ricardo sob a (longa) vaia uníssona do público também é reproduzida — na íntegra. “Quisemos fugir ao máximo das explicações sobre o período e de todo o saudosismo”, ressalta Terra. “A ideia foi reviver a experiência daquela noite. Colocar uma plateia ali para assistir àquilo tudo mais uma vez, viver aquilo de novo”.
Embora Uma noite em 67 seja o primeiro filme de Calil e Terra, nomes importantes sustentam o projeto. João Moreira Salles e Maurício Andrade Ramos, da VideoFilmes, comandaram a produção. “Tivemos uma reunião com o Moreira Salles num dia, nunca tinha visto ele, mas queria que nosso filme tivesse uma produção de ponta”, relembra Terra. “O Moreira Salles nos ligou no dia seguinte para acertarmos como seria o filme. Foi ótimo”. A ideia de celebrar a noite de 67 começou ainda em 2003. “Chico, Gil, Caetano, o pessoal que se apresenta ali é a trilha sonora da minha vida”, ajoelha-se Terra, que fez a monografia do curso de Publicidade, na PUC-RJ, sobre a era dos festivais. Desde então já pensava no documentário. Buscou parceria com Silvio Tendler, mas o acorde só deu música com Calil, com quem Terra trabalhou no site iBest. Para os jovens — e os mais velhos também — que queriam ter aproveitado a rebeldia sem lenço e documento nos anos 60, o filme tem estreia prevista em maio.
FORMULE

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