Para esquentar | LABORATÓRIO POP


CINEMA

06.08.2010 | 11:53

PARA ESQUENTAR



O Deus-Sol Kikito brilha mais forte na gélida Gramado a partir desta sexta (6), quando começa a 38ª edição do Festival de Gramado, que se estende até o dia 14. O evento, que passou por alguns anos tristes em sua longa história, retoma prestígio com a curadoria do crítico José Carlos Avellar e do cineasta Sérgio Sanz. Há quatro anos sob novo comando, o festival atinge raro equilíbrio, apostando na diversidade do cinema autoral para esquentar o evento - a mínima, aliás, para esta noite é 3ºC. Bróder, estreia em longas de Jéfferson De, dá início à mostra nesta noite, onde competem outro 12 longas (em mostras nacional e latina) e 28 curtas (em mostras nacional e gaúcha).

Os tradicionais seis dias foram estendidos para nove. A intenção é fazer do festival algo mais que um braço exibidor, promover a absorção e o debate. Entre os longas, alguns novos cineastas, como a carioca estreante Flávia Castro (Diário de uma busca), que reconstrói a militância política de seu pai, Carlos Afonso Gay de Castro, e o também carioca Eduardo Vaisman (180º).

Há também veteranos brasileiros em Gramado, que viajam com filmes que já passaram por outros festivais. É uma escolha ousada, pois um dos chamarizes dos festivais é exatamente adiantar lançamentos. Os diretores buscam mais uma janela de exibição, rara para filmes autorais no Brasil. Nesta lista, entram Não se pode viver sem amor, de Jorge Durán, com Cauã Reymond no elenco, que polemizou na competição do CinePE, em Olinda; Contestado - Restos mortais, de Sylvio Beck, que ganhou sessão no É Tudo Verdade; e Enquanto a noite não chega, de Beto Souza, sobre um casal de velhinhos ilhados por opção numa cidade desolada, exibido online no File 2009.

São apresentados em competição ainda Ponto org, de Patricia Moran, que conta com a participação do lendário Paulo César Pereio, um dos homenageados desta edição; O último romance de Balzac, de Geraldo Sarno, doc que envereda pelo espiritismo ao investigar o livro Cristo espera por ti, psicografado por Chico Xavier, ditado por Honoré Balzac; e 180º, do jovem Eduardo Veisman, retrato de três amigos empenhados em escrever um best-seller, num roteiro intrincado.

Desde os 90, quando a Embrafilme foi extinta e a produção nacional paralisada, o Festival de Gramado apresenta uma seleção de longas latinos em sua programação. Neste ano, o evento vai além dos vizinhos do Cone Sul e busca cinematografias praticamente desconhecidas no Brasil. Além das coproduções argentina (La vieja de atras), chilena (Mi vida con Carlos) e uruguaia (Ojos bien abertos: Un viaje por la sudámerica hoy), há longas da Nicarágua (La yuma), Venezuela (Historia de un dia) e Colômbia (El vuelco del cangrejo).

Entre os 28 curtas selecionados, muitos já rodaram outros festivais, como os diretores Daniel Ribeiro (Eu não quero voltar sozinho), que recentemente levou quatro prêmios em Paulínia; Consuelo Lins (Babás), constante colaboradora de Eduardo Coutinho; Cláudio Marques e Marília Hughes (Carreto), nomes baianos que já têm alguns festivais na bagagem, como Tiradentes; Cavi Borges (Em trânsito), fundador da produtora Cavídeo, com 18 curtas e dois longas nas costas; Augusto Canani (Os amigos bizarros de Ricardinho), que fez sucesso no CinePE, Brasília e até em Nova York; e Dennison Ramalho (Ninjas), que conta com participação de Flávio Bauraqui no elenco.

Ex-isto, novo de Cao Guimarães, fecha o festival, que nessa edição homenageia o ator Paulo César Pereio (Troféu Oscarito), a cineasta Ana Carolina (Prêmio Eduardo Abelim) e o crítico e diretor da cinemateca uruguaia, Manuel Martínez Carril.

Na competição:


Longas Nacionais

180° - Eduardo Vaisman (Rio)

Diário de uma busca - Flavia Castro (Rio)

Enquanto a noite não chega - Beto Souza (Porto Alegre)

Não se pode viver sem amor - Jorge Durán (Rio)

O último romance de Balzac - Geraldo Sarno (Rio)

Ponto org - Patricia Moran (São Paulo)

O contestado - Restos mortais - Sylvio Back (Rio)

 

Longas Estrangeiros

El vuelco del cangrejo - Oscar Ruiz Navia (Colômbia/França)

Historia de un dia - Rosana Matecki (Venezuela)

La vieja de atras - Pablo Jose Meza (Argentina/Brasil)

La yuma - Florence Jaugey (Nicarágua)

Mi vida con Carlos - German Berger (Chile/Espanha/ Alemanha)

Ojos bien abiertos - Un viaje por la sudámerica de hoy - Gonzalo Arijon

 

Curtas Nacionais:

A minha alma é irmã de Deus – Luci Alcântara (Recife)

Babás – Consuelo Lins (Rio)

Carreto – Cláudio Marques e Marília Hughes (Salvador)

Em trânsito – Cavi Borges (Rio)

Haruo Ohara – Rodrigo Grota (São Paulo)

Mar exílio –Eduardo Morotó (Rio)

Naiá e a lua – Leandro Tadashi (São Paulo)

Ninjas – Dennison Ramalho (São Paulo)

Os anjos do meio da praça – Ale Camargo e Camila Carrossine (São Paulo)

Pimenta – Eduardo Matos (São Paulo)

Pinball – Ruy Veridiano (São Paulo)

Ratão – Santiago Dellape (Brasília)

Um lance do acaso – Beatriz Taunay (Rio)

Vento – Marcio Salem (São Paulo)

 

Mostra Gaúcha

Amigos bizarros do Ricardinho – Augusto Canani

Depois da pele - Márcio Reolon e Samuel Telles

Eu e o cara da piscina - William Mayer

Limbo - Fernando Mantelli

Maldita - Claudia Dreyer

Os nomes do carimbo – Roberto Brud

Peixe vermelho - Andreia Vigo

Quando o tempo da reflexão acabar - Vinícis Guerra

Um animal menor - Pedro Harres e Marcos Contreras (Porto Alegre) 

Uma visita à Holliweger - Pedro Foss

Uttara - Ivo Schergl Jr.

Volto logo - Eduardo Wannmacher

 

Foto: Divulgação

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