SEM SAL | LABORATÓRIO POP


CINEMA

28.07.2010 | 12:57

SEM SAL

Gerhard Brêda



 

Nos anos 80, ocasionalmente surgiam clássicos de ação como Rambo (1982) e Predador (1987). O cinema dos astros fortões estava em alta, por isso qualquer fisiculturista de meia tigela conseguia, usando alguns golpes de caratê, surgir com um filme de ação. Daí, saíram "pérolas" como Ninja americano, entre muitos outros. O gênero, com o passar do tempo, entrou em decadência.  Em 2002, foi lançado um filme que mudou tudo. Identidade Bourne criou o herói de ação humano, o cara comum — no caso, o aparentemente inofensivo Matt Damon. Salt é o Ninja americano de Identidade Bourne, um filme que tenta pegar tudo o que deu certo, mas acaba sendo uma sopa de mediocridade.

 

Isso não quer dizer que a trama não é interessante. Até é. No filme, Angelina Jolie é Evelyn Salt, uma agente secreta da CIA casada com um alemão especialista em aranhas. Logo no começo do filme, um espião russo aparece no quartel general da agência e diz que Evelyn, na verdade, é uma espiã russa infiltrada, que vai dar continuidade ao plano de um espião soviético de derrubar os EUA. O filme, inclusive, mostra que Lee Harvey Oswald, o assassino — pelo menos oficialmente — de John F. Kennedy era um espião a serviço do Kremlin. A partir daí, Salt é presa, foge e o espectador fica legitimamente curioso, perguntando-se quem diabos é Salt.

 

A ação, nunca impressionante, está ali para distrair o espectador do roteiro que tem mais furos do que um queijo suíço. A programação de agentes soviéticos não faz sentido, pois o agente russo não parece usar nenhum gatilho para ativar Salt e a missão que ela deve cumprir é muito específica para ter sido planejada com 20 anos de antecedência. A relação de Salt com o marido também é confusa demais, com os russos falando que ela devia convertê-lo para o regime (mesmo ela não tendo noção alguma de sua programação soviética até o encontro com o espião russo) e os americanos afirmando que ele era apenas parte do disfarce dela.

 

É difícil convencer alguém que Angelina Jolie possa dar uma surra em alguém, mas, mesmo assim, ela dá. Não é machismo: a atriz, magérrima, parece frágil demais, mesmo tendo treinamento em qualquer método de defesa pessoal. A performance de Angelina é a mais mediana possível. Nunca se destaca, nunca compromete. Liev Schreiber, outro agente da CIA, Ted Winters, também entrega uma performance morna. O ator, que foi um bom Victor Creed no desastroso filme solo de Wolverine, passa batido em Salt.

 

Ao tentar copiar o que deu certo em Bourne, Salt acaba herdando suas falhas — os personagens não são cativantes, os vilões não são interessantes, o mundo é cinzento e burocrático. O único chamariz é que traz uma mulher nos holofotes de um filme de ação, mas se isso não salvou Tomb raider (também com Jolie) não vai resgatar Salt. Mesmo que o gosto não seja ruim, falta tempero.

 


 

Foto: Sony/Divulgação

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