MÁGICA SEM VARINHA | LABORATÓRIO POP


CINEMA

17.07.2010 | 19:56

MÁGICA SEM VARINHA

Marcella Huche, de Paulínia*



Disco, livro, peça ou filme, na modalidade que o espectador escolher. A adaptação cinematográfica Eu e meu guarda-chuva, de Toni Vanzolini, foi a que chegou à cidade despertando reações inusitadas e divertidas nas crianças que assistiram neste sábado (17) à abertura da mostra infantil da terceira edição do Festival Paulínia de Cinema. Trata-se de uma livre adaptação da obra de Branco Mello, Hugo Possolo e Ciro Pessoa, cujo roteiro é assinado por Adriana Falcão (Cidade dos homens), Marcelo Gonçalves e Bernardo Guilherme. A trama é marcada por tiradas bem-humoradas e inteligentes. Vanzolini, veterano de direção de arte, encara aqui um duplo desafio: é sua estreia na direção de longas, justamente revirando o imaginário infantil-fantástico, opção rara no Brasil.

Eugênio (Lucas Cotrim) é um menino de uns 11 anos que se vê atormentado pelo fim das férias — e consequente começo de aulas, num colégio novo — e a saudade do avô amigo que morreu, deixando como herança uma penca de cacarecos, da qual o menino pega um velho guarda-chuva. Ao lado da esperta Frida (Rafaela Victor) e do hilário Cebola (Victor Froman), o rapaz resolve, na madrugada, explorar o novo colégio, onde, dizem, assombra o temível fantasma sabichão do Barão de Von Staffen (Daniel Dantas) — que some com as crianças que não sabem responder às suas perguntas. Pois é justamente de Frida, menina dos olhos do nosso herói mirim, que o Barão — Dantas em atuação espetacular, fora do padrão de perdedor que normalmente lhe desce os ombros — se apodera. Para resgatá-la, Eugênio e Cebola (com uma boa ajudinha do tal guarda-chuva) perpassam um caminho fantástico, topando com participações oportunas de atores como Leandro Hassum e Arnaldo Antunes, em ótimas performances, de humor equilibrado, que marcam todo o filme.

“Eu conheci esse projeto há muito tempo e vi que tinha potencial para ser um filme”, explica Vanzolini ao LABORATÓRIO POP, do alto de sua voz rouca de fumante inveterado (durante as entrevistas, enfrentou o vendaval que assola Paulínia algumas vezes para acender seu vício). “Resolvi me aventurar a fazer um tratamento e estamos aqui, apresentando o filme ao público pela primeira vez. Dá um frio da na barriga, mas a sessão foi quente e agora temos um longo caminho pela frente”. Eu e meu guarda-chuva estreia em 8 de outubro, preparando o Dia das Crianças. 

Outro satisfeito ao fim da sessão foi o jovem ator Lucas Cotrim. Assediado por umas boas 20 e poucas crianças, distribuía sorrisos e obrigados, solicitamente. Ao LABORATÓRIO POP, confessou que o filme “parece um pouco sim com Harry Potter” e achou tudo “supermaneiro”. Descontraído, o rapaz lidava com a imprensa e os fãs numa desenvoltura notável, aprendida em novelas como Alta estação e Poder paralelo, da Record, e do polêmico longa Do começo ao fim, de Aluizio Abranches, no qual participou. Os três protagonistas foram pinçados em meio a testes exaustivos entre 350 crianças. Só Cotrim fez oito, “tensos”. “Hoje tenho certeza de que escolhemos muito bem, estou super feliz com o elenco. Os três deram conta do recado”, elogia o Vanzolini. 

Dirigido a uma audiência ligeiramente mais jovem do que a atingida pelo bem-sucedido As melhores coisas do mundo, de Laís Bodanzki, Eu e meu guarda-chuva chega para encorpar uma nova aposta do mercado nacional — a de filmes juvenis. “Temos que fazer cada vez mais filmes e melhores filmes para crianças e adolescentes, porque o padrão de exigência dessa rapaziada é muito alto”, incentiva Vanzolini. Neste domingo, o Festival Paulínia de Cinema exibe outro infanto-juvenil, Gui, estopa e a natureza, de Mariana Caltabiano, que completa a mostra do gênero criada nesta terceira edição do evento.

A homenagem a Hector Babenco, cujo O beijo da mulher aranha, em cópia restaurada, abriu o festival, continuou na tarde deste sábado, com a exibição de Coração iluminado. Ainda nesta noite, são exibidos os curtas Nicolau e as árvores, de Lucas Hungria, e Estação de Márcia Faria, além do doc São Paulo Companhia de Dança, de Evaldo Mocarzel, e do longa de ficção 5x favela - Agora por nós mesmos, dirigido por jovens diretores de favelas do Rio, capitaneados por Cacá Diegues e Renata de Almeida Magalhães.
 

Foto: Conspiração Filmes / Divulgação
* Marcella Huche viajou a convite da organização do festival

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