12.10.2011 | 20:58
MÁGICO E REAL
Flavia Nunes
Se depender de Winter, O Golfinho, todos que levantarem da poltrona do cinema vão lembrar que, no mundo, existem muitas pessoas em situações parecidas. Afinal, os problemas não são exclusividade de uma pequena parte da sociedade. Inspirado em uma história real, o longa obriga qualquer espectador a refletir sobre o que é realmente importante. O filme emociona por fugir da tradicional receita dos roteiros preparados para contar lindas histórias entre humanos e animais.
No início, a sensação é de que o longa é a história de um extraordinário encontro entre um menino e um golfinho. É só uma sensação. Na verdade, o filme supera expectativas e vai além do óbvio. Claro que não é possível ser totalmente diferente das demais narrativas do gênero, mas Charles Martin Smith, diretor de Winter, O Golfinho, não tem a pretensão de descrever em cenas super produzidas o espantoso entrosamento entre seres de espécies completamente diferentes. Artifícios para arrancar lágrimas do público são usados, assim como acontece em outros filmes com a mesma levada. Mas todas as semelhanças se tornam pequenas depois que o golfinho fêmea Winter, que protagoniza sua própria história na versão ficcional, perde a cauda e encontra Sawyer (Nathan Gamble), seu futuro melhor amigo.
Sawyer é isolado do mundo, não tem notícias do pai há cinco anos, não tem amigos na escola e vê o primo Kyle (Austin Sowell), nadador profissional, como a figura masculina que irá protegê-lo. Mas Kyle vai para o exército e precisa viajar a serviço. Com a viagem do primo, Sawyer se sente ainda mais sozinho. O cenário da vida do menino é esse até o encontro com Winter, um golfinho fêmea que foi encontrado encalhado em uma praia com a cauda presa em uma armadilha para caranguejos. Depois de libertar Winter das redes, Sawyer faz companhia ao animal até o resgate chegar. Desde então, a rotina do menino não é mais ir à escola. Todos os dias, ele vai ao Hospital Marinho de Clearwater, na Flórida, para acompanhar a recuperação do golfinho e ajudar de todas as formas possíveis. Mel (Cozi Zuehlsdorff), uma garotinha espoleta, entra na vida de Sawyer e, juntos, os dois se divertem e ajudam Winter. Mel é filha de Clay Haskett (Harry Connick Jr.), responsável pelo centro marítimo. É com a ajuda da menina que Sawyer consegue se aproximar do golfinho. Enquanto Sawyer responde o necessário, Mel é uma máquina que solta uma palavra atrás da outra. Graças a boa atuação de Cozi Zuehlsdorff e Nathan Gamble, o longa tem cenas engraçadas repletas de espontaneidade de criança.
Tudo começa a se ajeitar. O golfinho reage quando vê e sente a presença de Sawyer e, mesmo sem a cauda, consegue nadar. O problema é que sem a principal parte do corpo é impossível viver por muito tempo. Roubando a cena cada vez que aparece, Morgan Freeman é o doutor McCarthy, especialista em próteses que topa trabalhar de graça para ajudar o golfinho. Criar uma cauda artificial que Winter aceite com facilidade vira uma saga. Incansáveis, Sawyer e Mel dão um show de perseverança e ensinam aos adultos que os cercam que nunca há motivos para desistir.
Diálogos surpreendentes colocam Winter, O Golfinho em outro patamar. Não é apenas uma história real de superação bem contada. É uma mistura equilibrada de emoção, descontração e lições de vida. Muito próximo do real, o filme comprova que a receita de que “se cada um fizesse sua parte, o mundo seria melhor”, considerada mensagem clichê e artificial por muitos, pode dar certo.
Foto: Divulgação
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