31.07.2010 | 17:34
SHAKESPEARE VISITA NOVA YORK
Carlos Augusto Brandão
O Festival de Nova York (NYFF), que acontece de 26 de setembro a 10 de outubro, anunciou sua tradicional Peça de Resistência, um filme que recebe destaque na programação por sua inovação e criatividade. Nesta 48ª edição, a peça é The tempest, de Julie Taymor, uma diretora mais conhecida como criadora visionária de produções teatrais que quebraram barreiras e expandiram horizontes. The tempest é também o filme de encerramento do próximo Festival de Veneza, que acontece de 1º a 11 de setembro.
Richard Peña, diretor do evento, elogia a diretora, cujo filme tem sua première norte-americana durante o NYFF. "Julie é uma das mais ousadas e inovadoras artistas no teatro e cinema americanos contemporâneos", destacou Peña, à frente do festival desde 1987. "Sua primorosa adaptação de A tempestade é uma perfeita ilustração do seu talento único".
The tempest é a adaptação de A tempestade, última obra do dramaturgo inglês William Shakespeare, com grandes nomes no elenco, como Helen Mirren, Alfred Molina, Russell Brand, Chris Cooper, Alan Cumming, David Strathairn e Ben Whishaw.
Taymor traz uma dinâmica original para uma história escrita há 400 anos ao mudar o gênero do feiticeiro Prospero, agora uma feiticeira interpretada pela ótima Helen Mirren. Numa brilhante mistura de romance e tragicomédia, a jornada de Prospera vai da vingança para o perdão na medida em que ela reina numa ilha mágica cuidando de sua jovem filha Miranda e lançando seus poderes contra os inimigos.
Uma artista versátil
A diretora Julie Taymor, de 58 anos, tem uma diversificada carreira no mundo do cinema, da ópera e do teatro. Em 1999, estreou em longas com Titus, também uma adaptação de Shakespeare, o polêmico Titus Andronicus. Para trazê-lo aos cinemas, Julie se baseou em sua própria produção off-Broadway, contando com Anthony Hopkins, Jessica Lange e Alan Cumming no elenco.
Seguiram-se Frida (2002), biografia da pintora mexicana Frida Kahlo — ganhador do Oscar de Melhor Trilha Original e Maquiagem — e Across the universe (2007), musical em que as mudanças comportamentais e políticas dos turbulentos anos 60 são exibidas ao som de músicas do Beatles. O filme foi indicado ao Globo de Ouro de Melhor Musical.
Fora do cinema, Julie traz no currículo a direção de cinco óperas, incluindo Édipo Rei, que transformou num média, teve sua première no Sundance e depois ganhou o prêmio do júri no Festival de Cinema de Arte de Montreal.
Em 1998, foi a primeira mulher a ganhar o Tony Award pela Melhor Direção Musical, por sua produção revolucionária de Rei Leão. Agora Julie está de volta à Broadway com Spider-Man: Turn off the dark, um musical com canções de Bono e The Edge, do U2.
Foto: Divulgação
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