20.07.2010 | 12:45
TURNê QUE SEGUE
Marcella Huche, de Paulínia *
Uma noite em 67, primeiro filme de Renato Terra e Ricardo Calil, segue no interior de São Paulo sua turnê de sucessos nos festivais de cinema. Depois de botar para cantar o público do É Tudo Verdade e do CineOP, o documentário musical deixou mais leve os que prestigiaram a sessão da noite desta segunda (19) no III Festival Paulínia de Cinema, que segue até 22 de julho. Mais tarde, subiu ao palco Dores & amores, de Ricardo Pinto e Silva, uma decepção para o público, constrangido ao assistir as interpretações pífias e roteiro recheado de clichês da comédia romântica. O texto, mesmo assim, ganha edição da Imprensa Oficial, como parte da Coleção Aplauso, e foi lançado junto com filme. Dois curtas preencheram a noite: a animação regional Um lugar comum, de Jonas Brandão, e o nacional 1:21, da pernambucana Adriana Câmara, inteiramente captado em fotos de still.
Em paz com seu tempo, Uma noite em 67 relembra a noite histórica da final do III Festival da Música Popular Brasileira da Record. A ideia é fazer a plateia reviver a noite. As músicas que levaram os primeiros cinco lugares são reproduzidas na íntegra — como também acontece com a longa e constrangedora vaia que fez Sergio Ricardo quebrar a viola e a atirar no público rebelde. É ao som de Roda viva, de Chico Buarque e o MPB4; Alegria, alegria, de Caetano Veloso; Domingo no parque, de Gilberto Gil e os Mutantes; Ponteio, de Edu Lobo; Maria, carnaval e cinzas, de Roberto Carlos que Calil e Terra embalam, sem saudosismo, o público, que ao fim da sessão aplaudiu como se fosse mesmo 21 de outubro de 1967.
"Queria agradecer, nesse filme mais do que nos outros, porque é nosso primeiro filme, pelo ótimo trabalho da equipe. É o sonho de qualquer cineasta apresentar um filme nessa tela, com esse som", diz Terra, referindo-se à estrutura do Theatro Municipal de Paulínia, todo em madeira e vidro, onde acontecem as sessões do festival. O doc contou com a ajuda de João Moreira Salles e Eduardo Coutinho e sua formatação. "A gente não tinha nem nascido em 1967, mas essa é uma pequena homenagem a esses músicos que fizeram a trilha sonora das nossas vidas", sublinha Calil.
Foi depois do doc considerado o melhor do gênero apresentado em Paulínia até então que a comédia romântica pastelona Dores & amores, em desenvolvimento desde 2004, ganhou sua primeira exibição. Uma coprodução com Portugal, duas vezes vencedor de incentivos do estado de São Paulo (2007 e 2009), o filme é baseado no livro da gaúcha Cláudia Tajes. Na trama, uma mocinha conta suas desventuras no campo amoroso. Complete aqui todos os clichês que couber ao gênero — o galinha, o irmão atrapalhado, a gostosona carente, o mocinho que tem medo de relacionamentos. Em meio a tudo isso, há ainda o desenvolvimento de uma paródia de novela melodramática. O filme arrancou risadas, muitas totalmente despropositais.
"Em 2004, por causa da profissão, estava longe da família, me sentindo solitário. Quis então fazer um filme sobre amor", explica Silva, lembrando que na época leu o livro de Cláudia e já se encantou. No elenco, a atriz Kiara Sasso, consagrada no Brasil por musicais, Marcio Kieling, Carlos Casagrande, Kayky Brito e alguns atores portugueses. "Estou animada com a minha estreia no cinema, que foi feita com muita leveza e alegria", conta Kiara, em cartaz com o musical O médico e o monstro, que pôde até mostrar seu bailado numa cena de Dores & amores.
Nesta terça, as expectativas são maiores para o longa de ficção Malu de bicicleta, de Flávio R. Tambellini, adaptado do livro de Marcelo Rubens Paiva, com Marcelo Serrado e Fernanda de Freitas no elenco; e o doc Programa Casé, de Estevão Ciavatta. Na mostra paralela, Paulínia recebe mais uma vez Salve geral, de Sérgio Rezende, que disputou a indicação de melhor filme estrangeiro no Oscar pelo Brasil.
Foto: Leandro Moraes / Divulgação
* Marcella Huche viajou a convite da organização do festival
FORMULE
06.04.2010 | 18:25
III Festival de Paulínia inscreve curtas e longas até 21 de maio.jpg)
21.06.2010 | 17:05
Sai seleção oficial do Festival de Paulínia: R$ 650 mil em prêmios
07.07.2010 | 18:41
"As dozes estrelas", de Luiz Alberto Pereira, completa Paulínia
16.07.2010 | 16:23
Paulínia abre edital em 16 agosto para 10 longas e 10 curtas
17.07.2010 | 12:56
Famosos prestigiam III Festival Paulínia de Cinema; veja galeria17.05.2012
Facção Caipira, grupo de "blues brasileiro foragido americano", ganha terceira seletiva do Mada de maio – a escolha do público foi a banda Santuarium
Benedict Cumberbatch, o Sherlock Holmes da BBC, diz que o detetive é um sociopata
Jogadores de “Diablo III” abaixam a nota do game no Metacritic para 3,6
All Time Low traz seu pop punk de volta ao Brasil em Vitória nesta quinta (17)
Gerhard Brêda
Artista sueco se esconde em um pseudônimo para disparar melodias densas sufocadas por reverbs e delays
Rodney Brocanelli