Euphoria | LABORATÓRIO POP
  • Muito Ruim

    Euphoria

    | Enrique Iglesias

    Enrique Iglesias é uma espécie de Fiuk latino dos anos 90. Filho de um medalhão da música, mas já considerado meio brega, o rapaz lançou uma carreira musical de sucesso, ainda que insossa. Enquanto isso, tentava emplacar uma carreira de ator, chegando a aparecer em alguns filmes como Era uma vez no México. Não era particularmente talentoso em nenhuma das áreas, mas sempre esteve lá, disparando músicas razoáveis, como a baladinha inofensiva Hero, de 2001. Euphoria, o novo trabalho de estúdio de Iglesias, é claramente uma tentativa do cantor de voltar aos holofotes aos quais teve direito há alguns anos. E é uma obra desnecessária, patética e forçada.

    Em um mundo no qual uma diva loira maluca é o parâmetro principal do pop e o maior astro masculino do gênero tem 16 anos e é canadense, o estilo "amante latino" de Iglesias já saiu de moda faz tempo. Ele parece saber disso, ao investir em parcerias equivocadas com nomões do hip-hop e r&b farofados, como Akon (One day at a time) e Usher (Dirty dancer). Até mesmo na ala em espanhol de Euphoria, Iglesias abandona suas guitarras pseudo-espanholas e mantém as mesmas bases fuleiras que usa no disco todo. O idioma muda, mas parece tudo a mesma coisa.

    O primeiro single do disco, I like it é um bom estandarte de tudo o que está errado no resto. A batida é a mais pasteurizada possível e a voz única, ainda que incrivelmente irritante, de Iglesias passa por um paredão de autotune. Se fosse uma paródia do pop atual seria até engraçadinho, mas infelizmente parece sério. Quando Pitbull, o parceiro do single, surge com um rap em inglês cucaracho, a vontade de apertar o botão stop é maior que a força para continuar. E é a música que abre o disco. Quem se aventurar no resto, vai encontrar algumas baladinhas medíocres, como Heartbeat e Heartbreaker e, de resto, músicas de pista com batidas cansativas, que encontram seu ponto mais baixo em Everything is gonna be alright.

    Nas temáticas, ou romances genéricos ou baladas intensas, com mulheres baratas. Nas letras, pelo visto, Iglesias ainda vive a ilusão do amante latino, o sonho das mulheres em relacionamentos apáticos de primeiro mundo, que aparece com um carro conversível, algumas centenas de dólares e a promessa de aventuras.

    Euphoria é um disco alienígena dentro do pop. Parece alguém observando, de fora, o que faz sucesso - e tentando imitar. Ao mesmo tempo, tem um ranço forte de algumas modas que morreram nos anos 90 e jamais foram exumadas. O disco traz, além de músicas medíocres, a figura trágica do amante latino castrado pelo autotune. Algumas coisas são piores do que a morte.


    POR: [Gerhard Brêda]

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