Back and forth | LABORATÓRIO POP
  • Excelente

    Back and forth

    | Foo Fighters

    David Grohl errou por inabilidade algumas vezes - o erro mais comum em pessoas de boa intenção, mas que metem os pés pelas mãos para fazer valer suas vontades. De baterista e coadjuvante, viu-se transformado em líder, guitarrista, vocalista e gestor de uma superbanda. Convidou um velho amigo (Franz Stahl, ex-guitarrista do Scream) para fazer parte do Foo Fighters sem pensar se tinha a ver ou não - e precisou tirá-lo. Comandou uma sessão caríssima de gravações (a que geraria o disco One by one, de 2002) para depois jogar tudo no lixo. Regravou todas as baterias do disco The colour and the shape (1997) e não avisou isso ao titular do instrumento, William Goldsmith - que, ofendido, saiu do grupo.  Em compensação, criou - entre doses desiguais de Queen, Sex Pistols, Led Zeppelin e Dead Kennedys - uma cara própria e bastante vendável para o rock pós-grunge.

     

    Essa história de muitos acertos e poucos erros está em Back and forth, documentário dos Foo Fighters. Periga qualquer roqueiro entre os 20 e 40 anos apertar o botão play do dvd-player achando que David Grohl, com sua mania por trabalho e diversão, é a verdadeira salvação do rock atual. E talvez seja. Nome raro a conseguir fazer com que o estilo ainda continue bombado, impressiona pelo estilo verdadeiro que impõe a Back and forth, dirigido por James Moll. Grohl é mostrado como um roqueiro com atitude de fã de rock, que correu atrás do sonho de ter uma banda e praticamente impôs sua presença em meio aos artistas mais clássicos do estilo.

     

    Histórias que, hoje, poucos imaginariam terem feito parte do cotidiano de uma superbanda também são comuns no DVD - como as dificuldades para levar turnês adiante e a incerteza no começo da trajetória do grupo, quando Grohl chegou a recusar um convite para ser baterista de Tom Petty. Em ritmo de filme da Sessão da tarde (não por acaso, a abertura do longa tem ares de comédia adolescente), Back and forth traz depoimentos até de quem saiu brigado do grupo. E joga mais luz sobre a carreira de um músico que se recusou a ficar na sombra.

    POR: [Ricardo Schott]

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