Lembra de quando o Run DMC ressucitou o Aerosmith com uma versão rap-rock de Walk this way? O exemplo é citado sempre que se fala de uniões dos dois estilos e, óbvio, é lembrado durante os depoimentos para o documentário que acompanha o DVD Projeto paralelo, que traz o NX Zero recordando seus hits ao lado de um punhado de rappers nacionais.
Não é preciso explicar o quanto os roqueiros paulistanos são diferentes da veterana banda americana. Igualmente desnecessário é observar as diferenças entre os dois projetos. Mas vamos ao básico. O brilhante single do Aero com o Run DMC foi, musicalmente e socialmente, redentor e vingador - e ainda trouxe de volta uma grande banda de rock que andava pela bola sete. Projeto paralelo nasceu de conversas entre o NX e o inócuo rapper Túlio Dek, que participa do disco.
Entre rappers "conscientes", gente das quebradas de SP, nomes com postura claramente pimp (alguns deles importados, como o americano Ya Boy), alguns artistas de rock que se metem a fazer rap (Chorão, do Charlie Brown Jr. e Marcelo Mancini, do Strike), uma revelação (Emicida), nomes que já não dão mais no couro (Negra Li) e só duas escolhas realmente grandes (Marcelo D2 e um deslocado, embora eficiente, Gabriel O Pensador), o NX entrega um produto falho. Bem diferente, só para ficar num exemplo recente, de quando Jay-Z e Linkin Park uniram forças em Collision course. Canções que já eram interessantes, como Só rezo e Cedo ou tarde, talvez não precisassem desse tipo de união rap-rock. Músicas que já eram fracas, por sua vez, acabam sendo salvas pelos rappers escolhidos. Quando a escolha do rapper é falha, piora tudo.
A tentativa de drum n bass em Bem ou mal soa bizarra a ponto de doer no ouvido - e, pelo documentário, dá para perceber o desconforto dos envolvidos na faixa. A nova Onde estiver pode passar como boa canção para quem não se importar muito com o bom mocismo da letra - que traz um discurso de superação de pé-na-bunda. E nada muito além disso.
POR: [Ricardo Schott]