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Família vende tudo
| Alain Fresnot
Embalado por nada menos que cinco prêmios na 15ª edição do CinePE Festival do Audiovisual – mas espinafrado pela crítica especializada na ocasião –, o longa Família vende tudo chega oficialmente ao circuito nesta sexta (30). A nova comédia do diretor Alain Fresnot (Desmundo, Ed Mort), trata a história de uma Cinderela golpista da periferia paulista – com tipos mais clichês que em contos de fadas – envolta em uma estética de realismos que não aproximam e de absurdos que não encantam o público. Do cortejo ao politicamente incorreto, sai uma narrativa fraca apoiada fragilmente por bons atores.
Na trama da fita, uma família com dificuldades financeiras tem uma brilhante ideia: fazer com que a filha Lindinha (Marisol Ribeiro) engravide do famoso cantor popular Ivan Cláudio (Caco Ciocler) para tirá-la do sufoco. Assim, os pais e os irmãos da moça planejam o dia em que ela deve dormir com o “Rei do Xique-xique” e passam a acompanhar sua agenda de shows. Lima Duarte, Vera Holtz, Robson Nunes e o jovem Rafael Rodrigues compõem o núcleo de parentes/gangue de Lindinha. Luana Piovani, Aílton Graça e as participantes especiais Marisa Orth e Beatriz Segall arrematam o elenco.
Entendido pelo diretor como uma “tragédia romântica para rir”, Família vende tudo leva para o varejo bugigangas paraguaias e moralismos caretas. Mas, ao tentar fazer um deboche de situações risíveis da atualidade – como pseudo-cantores, marias-microfones e golpes-da-barriga –, o filme fica no limite arriscado da dúvida entre a crítica e o escracho. É quase como a lógica de “humor” do Zorra total, em que você se pergunta a cada novo quadro: “é isso mesmo?”.
Toda a diversão fica por conta dos trejeitos e caracterizações dos personagens caricatos – descontando preconceitos gastos, como a loura burra (Luana), e perigosos, como o negro com potencial de bandido (Rodrigues). Marisol interpreta com frescor a mocinha destrambelhada, Ciocler está surpreendentemente mais cafona que Latino (a fonte de inspiração) e o casal vivido por Duarte e Vera é ao mesmo tempo repugnante e carismático.
Dessa forma, Família vende tudo, desapoiado pela pouca divulgação, vai passar praticamente em branco pelos cinemas. Rodado há cerca de dois anos, o longa terminou suas filmagens com dívidas e por isso sofreu atrasos para ser lançado. Para quem se arriscar, vale pelo encontro do elenco e pelo prestígio de Fresnot, que realizou um trabalho envolvente em Desmundo (2002), seu filme anterior.
Foto: Divulgação
POR: [Camila Lamha]
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