Sonic the hedgehog 4: Episode 1 | LABORATÓRIO POP
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    Sonic the hedgehog 4: Episode 1

    | Sega

    Ser fã do Sonic não foi a tarefa mais fácil do mundo nos últimos anos. Desde meados dos anos 90 a Sonic Team não conseguia encontrar um modo de produzir bons jogos para oprincipal mascote da Sega. Depois dos excelentes Sonic CD e Sonic The Hedgehog 3, o ouriço azul se viu mergulhado em um mar de jogos, no mínimo, pouco inspirados. Enquanto a rival Nintendo conseguia atualizar suas principais franquias para o universo 3D com enorme sucesso, criando alguns dos maiores clássicos da história dos videogames no processo, Sonic recebia apenas jogos com câmera quebrada, sem senso de velocidade, e com jogabilidade atrofiada. Foram tempos negros para a Sega, que viu seu mascote perder cada vez mais credibilidade e relevância.

    Não faltaram tentativas de trazer Sonic de volta à sua antiga glória. Alguns jogos chegaram perto, como Sonic adventure para Dreamcast, enquanto outros foram simplesmente constrangedores, como o recente Sonic and the black knight, que colocou o personagem nos tempos medievais para travar absurdos duelos de espada com os caveleiros da távola redonda. Parecia o fim da linha, até que alguém teve a brilhante ideia de levar a franquia de volta ao 2D em alta velocidade de onde ela nunca deveria ter saído.

    A primeira vista, Sonic the hedgehog 4 – Episode 1, apesar de seus belos gráficos, (especialmente nas versões para os consoles de alta definição) parece um clássico jogo de SEGA Genesis, pois tão logo o botão start é pressionado manda o jogador para a primeira fase, direto na ação, sem história ou qualquer tutorial para enrolar. É apenas o jogador, um veloz mundo de plataformas e um monte de robôs construídos pelo Dr, Eggman para atrapalhar.

    A grande diferença aqui é que, concluída a primeira fase, Sonic é levado para um mapa de seleção de fases. Esse recurso, tão comum em jogos de plataforma desde os anos 80, é uma bem vinda adição, que consegue modernizar Sonic sem que sua essência seja perdida no processo. É ótimo poder revisitar as fases de acordo com a própria vontade, especialmente porque elas podem ser acessadas em modo time attack ou high score, e há leaderboards online para comparar a pontuação dos jogadores pelo mundo em ambas as modalidades.

    A lamentar, somente a pequena quantidade de áreas. São apenas quatro. A nostálgica área verde inicial, um mundo essencialmente natural; o mundo labirinto, ou aquático; o mundo do cassino, cercado de máquinas de pinball; e o mundo tecnológico, com a clássica fase industrial no fim. Cada nível tem suas peculiaridades e desafios próprios e estimulantes. No mundo cassino, por exemplo, é preciso se equilibrar em cartas para transpor precipícios. Já no mundo labirito é necessário usar tochas para iluminar o caminho, e até mesmo andar em carrinhos de mineiros ocasionalmente.

    A jogabilidade pode deixar aqueles que cresceram jogando os games da série um pouco atordoados a princípio. O primeiro obstáculo é que a velocidade inicial de caminhada do Sonic é um tanto lenta demais, o que causa uma sensação de estar sendo constantemente travado. Mas isso apenas exige um pouco de treino e prática, e com o tempo deixa de ser um aborrecimento, já que o fato pode ser contornado com técnicas avançadas como o pulo com boost no ar, que garante aceleração imediata, ou a rolagem em alta velocidade no chão, introduzida em Sonic the hedgehog 2. Há um novo movimento que também pode causar perplexidade a princípio, mas que se revela uma ótima ideia depois de pouco tempo: Agora é possível travar a mira em um inimigo enquanto Sonic está no ar, de modo que com mais um toque no botão de pulo, é desferido um ataque certeiro. Pode parecer uma apelação feita para reduzir a dificuldade, mas na verdade é um novo e empolgante sistema que permite encadear combos e aumentar a pontuação.


    No departamento sonoro, infelizmente, as composições não são particularmente inspiradas, e ficam longe de fazer justiça à grandes composições como Green hill zone ou Starlight zone. Não são propriamente músicas ruins. Elas até cumprem seu papel, mas a série Sonic, em seus tempos áureos, era famosa por contar com faixas geniais e memoráveis, o que infelizmente não ocorre aqui.Uma pena, já que as fases são sensacionais e devem ser jogadas de novo e de novo. Afinal, os completistas vão querer colecionar as Chaos Emeralds, necessárias para assistir o verdadeiro final do game. Há uma em cada fase, e para acessar seus desafios é necessário terminar cada fase com mais de cinquenta anéis, o que libera um anel gigante no final da fase, tal qual ocorre no primeiro Sonic the hedgehog. A fase bônus também é inspirada no primeiro game da série, e consiste em um mini-game em que não se controla Sonic, mas sim o cenário a sua volta, deslocando o eixo de gravidade e controlando para onde o ouriço em forma de bola deve rolar. Conseguir todas as esmeralas é verdadeiramente desafiador e deve consumir um bom tempo dos jogadores mais determinados.

    Falando em desafio, o jogo é um pouco fácil demais, de modo que é possível terminá-lo em uma tarde. Exceto por um chefe final ridiculamente super poderoso, que pode consumir até uma hora para ter seu padrão de ataque memorizado, a maioria dos desafios é transposta sem maiores dores de cabeça. Mas o forte dos jogos do Sonic nunca foi o desafio exagerado, mas sim o fator replay que é gerado ao desafiar seus próprios tempos nas fases, caçando novas rotas que diminuam o tempo que se leva para percorrer o cenário. E isso o novo jogo cumpre muito bem.

    Sonic, de certa forma, é como Mega Man. Retirado de sua zona de conforto, perde todo seu brilho. Mas, num ambiente adequado, proporciona diversão inigualável. Assim como o blue bomber precisa de oito chefes robôs em um mundo de plataformas e desafios para funcionar, Sonic precisa de um mundo de alta velocidade bidimensional, repleto de rotas alternativas e esmeraldas ocultas para alcançar seu potencial máximo. É muito bom ver um dos personagens mais tradicionais do mundo dos videogames voltar a protagonizar um jogo de qualidade. Que venha o Episode II!

    POR: [Thomas Schulze]

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