Glee - S02E11 | LABORATÓRIO POP
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    Glee - S02E11

    | Fox

    O Super Bowl é o maior evento esportivo dos Estados Unidos. Durante aquelas horas de glorioso espancamento entre brutamontes de legging, é quase como se todas as televisões estivessem ligadas no evento - Janet Jackson e seu seio eternamente gravado no imaginário da cultura americana que o digam. Desde os shows megalomaníacos, aos comerciais cinematográficos, tudo no Super Bowl é gigantesco. E o que fez Glee para garantir que seu episódio não fosse perdido em meio a tudo isso? Exagerou mais ainda. Especialmente breguinha e com uma infinidade de linhas narrativas distintas, o episódio 11 é meio como ceia de vó na véspera de Natal: apesar do menu exagerado e esquizofrênico, acaba nos impelindo a devorar, com muito gosto e alguma culpa, até a derradeira rabanada.

     

    Glee já não era conhecido por bater na porta antes de entrar,  mas este episódio começou escancarando tudo com uma voadora. De cara, nos deparamos com uma versão extreme de California girls, com direito a cheerleaders de perucas azuis, manobras aéreas de BMX, bambolês em chamas e soutiens com efeitos pirotécnicos. Suave. Por trás dos stunts, está, obviamente, a bipolar Sue Sylvester (Jane Lynch), desta vez em todo um novo patamar de insanidade. Entediada com as rotinas de suas sofridas cheerios, Sue decide que está na hora de dar uma incrementada nas apresentações a qualquer custo. Mesmo que isso envolva arremessar alunas através do campo de futebol com um canhão. A cena de seu surto psicótico à la Cloverfield, ponto alto do episódio, mostra de uma vez por todas que a Sue boazinha é até legal, mas a Sue maníaca é definitivamente muito mais interessante.

     

    Apesar de a treinadora ter nos lembrado o porquê de amarmos tanto odiá-la (e vice-versa), o conflito mais interessante do episódio foi a inclusão dos bullies no coral de Glee. Há algo de deliciosamente vingativo em ver os brigões tendo que andar nos sapatos de seus torturados de cada dia, e o fato de os garotos serem tão estúpidos e sem traquejo social só acrescenta. A parceria rendeu o que talvez seja um dos momentos mais comercialmente apelativos de Glee - o mash-up de Thriller e Off with your head com tema de, claro, zumbis. Considerando o atual frenesi cultural em torno dos mortos-vivos, era apenas inevitável que Glee incorporasse isso em algum momento. Embora não necessariamente original, a apresentação ficou vergonhosamente divertida. Como, bem, todas as outras performances da série. Os garotos jogando com uniformes rasgados e úlceras na cara e as líderes de torcida literalmente torcendo com seus pompons e farrapos manchados de sangue criaram um visual tosco e divertido, que parece fazer graça de si mesmo. Como tudo nessa vida deve ser.

     

    Para o desgosto dos mais românticos, a relação disfuncional de Finn (Cory Monteith) e Rachel (Lea Michelle) é tocada apenas superficialmente, com Quinn (Dianna Agron) voltando para a jogada. Não, Glee. Não. Embora saibamos que a possível reunião entre o jogador quase desprovido de inteligência e a líder de torcida manhosa trata-se apenas de uma firula para evitar o final feliz prematuro do casal "predestinado", vê-los juntos é profundamente chato. Os dois são infernalmente entediantes, e reuni-los novamente é meio como unir Enya a Kenny G em um álbum de Natal. Gostem dela ou não, Rachel é a calabresa da pizza de NADA que é Finn, enquanto Quinn é apenas uma porção extra de muzzarella.

     

    O maior problema do episódio foi a cornucópia de temas distintos e não necessariamente complementares. Após dois meses de ausência, parece que Glee quis tirar o atraso enfiando todo tipo de assunto dentro de uma hora. A mistura é um pouco confusa, e momentos que poderiam ser geniais, como a versão brilhante de Bills, bills, bills, dos Warblers, acabam se perdendo em meio aos zumbis, canhões e a boa e velha confusão sexual adolescente (Brian Karfosky, o clássico valentão em negação). Mas a leveza natural de Glee faz com que, assim como na ceia de natal, caiba um pouquinho de tudo no estômago. Mesmo que ele talvez não concorde tanto no dia seguinte.

     

    Contudo, isso não conseguiu ofuscar o brilho de mais um episódio adoravelmente brega do seriado. Alguns podem argumentar que foi bobo. Mas veja bem, Glee é essencialmente de uma bobeira que não tem fim. No bom sentido, claro. O que este episódio fez foi elevar essa tolice a níveis megalomaníacos e exagerados o que, pensando bem, é coerente com a ostentação opressiva do Super Bowl. O ridículo, de fato, é bem ridículo. Mas é um ridículo divertido, delicioso e obviamente deliberado. E, se você não é dado a excessos, recomendo que desista de uma vez. Glee definitivamente não é seu tipo de show.

     

     

    Foto: Divulgação

    POR: [Fernanda Prates]

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