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Traffic Light
| Fox
Bom roteiro, bons personagens e boas atuações. Não parece exatamente algum sofisticado algoritmo da Nasa, mas, em geral, são esses macroaspectos que ditam a qualidade de uma sitcom. E, para a felicidade de todos, Traffic light atende a todos os requisitos. Simples e moderna, a série capitaliza em cima de uma construção sólida de personagens e um roteiro direto e sem excessos. E,muito embora não pareça ter vivido todo seu potencial cômico no piloto, chega mostrando que, no que diz respeito ao humor, menos tende a ser mais.
Traffic light apresenta uma premissa altamente relacionável: três amigos de longa data tentam fortalecer seus laços em meio às dificuldades da vida adulta (leia-se “mulheres”). Mike (David Denman) é casado há oito anos e acaba de ter um filho. O meganerd Adam (Nelson Franklin) está iniciando o processo de coexistência domiciliary com a sua namorada (o tão temido "morar junto"). Ethan, o solteirão inveterado que usa seu sotaque britânico para derreter os corações yankees, está mais interessado em cuidar de seu buldogue do que levar eventuais parceiras a seus horários de pedicure. No piloto, descobrimos um quarto amigo, Ben, que morreu. Mas eis outra boa notícia: mostrando discernimento, a série não caiu na infinitamente brega tentação de colocar uma narração póstuma em off.
O maravilhoso universo do bromance (relação de estranha proximidade entre amigos heterossexuais) é um dos terrenos mais férteis da comédia. Quando é bem retratado, diverte tanto as mulheres, que provavelmente nunca entenderão plenamente a beleza de um amor tão primitivamente sincero, e aos homens, que inevitavelmente já passaram por uma situação em que tiveram que contar aquela mentirinha branca para a patroa na hora de ajudar um "bróder". No caso de Traffic light, esta dinâmica levemente homoafetiva ganha novos contornos com um adorável "trio bromântico".
Mas não é só a dinâmica masculina que merece uma menção, e eis o outro grande acerto da série: em vez de optar pela saída fácil – patricinhas detestáveis que só sabem ir ao salão de beleza e importunar seus parceiros com constantes lembretes sobre seus relógios biológicos -, ela retrata mulheres tão "gostáveis" quanto os caras. Callie, a namorada de Adam, é carismática, pé no chão e genuinamente cômica, tirando a situação do lugar-comum do "cara legal com a pentelha possessiva". É essa pequena complexidade que faz com que a série consiga ser essencialmente masculina sem aquele ranço machista.
O grande problema do piloto, por incrível que pareça, é a graça. O humor está lá, sofisticado e discreto, mas eis o problema: discrição excessiva. Embora um pouco de humor implícito dê profundidade a uma série, é no mínimo desejável que ele decida se (bem) explicitar, de vez em quando. Ainda que seja possível apreciar a inteligência de certos gracejos, é muito difícil efetivamente rir deles. As piadas criam uma sensação de "quase lá" um pouco frustrante, como se a linha narrativa tangenciasse a cômica o tempo inteiro e nunca chegasse a cruzá-la. Ainda, pelo menos.
Essa esperança, contudo, deve bastar para garantir a curiosidade por, ao menos, mais alguns downloads. Afinal, os órfãos de Seinfeld e Friends sabem muito bem o que personagens cativantes e bons diálogos podem fazer por uma série. Tudo indica que o potencial humorístico latente pode se desenvolver em uma sitcom realmente revigorante. Resta torcer para que o sinal, por enquanto amarelo, não tarde para ficar verde.
Foto: Divulgação
POR: [Fernanda Prates]
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