Laboratório Crítico | LABORATÓRIO POP
  • Regular

    Camelot

    | Starz

    Guardadas as devidas proporções, pode-se dizer que, quando se trata de recontar a lenda do rei Arthur, acontece algo parecido como no futebol: todo mundo vira técnico, especialista e comentarista. Ou seja, acha que pode dar pitacos e reescrever a história à sua própria maneira. Determinar quais das versões para o clássico chegam mais perto da realidade não é das tarefas mais fáceis, até porque todas as adaptações defendem a tese de que seus roteiros são os mais fiéis ao "mito". É claro que Camelot, nova série do canal Starz, não faria diferente. Focada na origem do personagem – sua juventude, o primeiro encontro com Merlin e sua jornada até a coroação -, a produção traz a qualidade artística impecável característica da emisssora (se você ainda não viu Spartacus, faça esse favor a si mesmo). Mas, embora apresente um "elenco dos sonhos", com nomes de peso como Joseph Fiennes e Eva Green, Camelot frustra o séquito de Arthur, partindo de um roteiro pobre e deturpado, além de atuações que em nada lembram "a cara da nobreza".

     

    A lenda do rei Arthur é uma das mais conhecidas da literatura britânica, e suas aventuras e batalhas junto aos Cavaleiros da Távola Redonda e ao Mago Merlin encantam gerações, reunindo admiradores ao redor do mundo.  Em Camelot, do Starz, a feiticeira Morgana não aceita o casamento do pai, o rei Uther, com sua madrasta, Igraine, e decide envenenar o progenitor para assumir o trono. A cruel filha do monarca resolve, então, unir-se ao maior inimigo de seu pai, Lot, para tomar o reino. Enquanto isso, Merlin, o poderoso mago e amigo pessoal de Uther, tenta evitar que o pior aconteça e parte em busca do filho bastardo de Uther, Arthur, para que o jovem herde a coroa e salve o país do futuro sombrio e caótico previsto por ele em uma de suas visões. Até aí, tudo bem, aceitável. Qualquer um que tenha lido ou visto algo sobre a história consegue reconhecer a sinopse. O problema TODO é a sua execução, ainda que o piloto divulgado seja apenas uma prévia do que está por vir, já que a estreia oficial da série está marcada para 1º de abril nos Estados Unidos (e aí resta a torcida de que esse episódio tenha sido apenas mais uma estratégia brincalhona e imatura em relação ao Dia da Mentira).


    Para não desmerecer, Camelot até tem seus pontos altos que merecem ser destacados. A começar por uma belíssima abertura, editada com muito bom gosto, que mistura todos os elementos da série em imagens deslumbrantes e efeitos especiais decentes. Apesar de ser um pré-requisito para uma atração histórica ser considerada, pelo menos, aceitável, a fotografia de Camelot, a trilha sonora e o figurino são dignos da pompa e do prestígio de seus personagens. Mas, como já dito anteriormente, a nobreza passa batida no que diz respeito à qualidade dos diálogos da trama, que em absolutamente nada remetem às referências históricas e à classe da literatura. Ainda que seja uma produção voltada para a TV – e, portanto, adaptações linguísticas são, de fato, necessárias -, Camelot peca na falta de ousadia (não no sentido literal da palavra, já que o sexo definitivamente não é um problema para as séries da emissora e, em Camelot, Morgana, Lot e Arthur que o digam) por não explorar a riqueza de seu próprio material.

     

    Durante a quase uma hora de episódio, impossível não se decepcionar com a escassez de referências e com a incapacidade de se desenvolver um diálogo forte, tenso e profundo, como a história demanda e como Os pilares da Terra e Spartacus sabem mostrar muito bem – lembrando que ambas são do mesmo canal de Camelot. Difícil aceitar que não há uma mente criativa o bastante para construir uma fala para Merlin que não faça um dos personagens místicos mais notáveis de todos os tempos parecer um discípulo do Mestre Yoda de Guerra nas Estrelas (nada contra o Mestre Yoda, que fique claro).

     

    Tudo bem que Camelot opte por mostrar um rei Arthur jovem e inexperiente, até mesmo um pouco mimado, mas nada justifica a escolha de Jamie Campbell Bower para o papel. Nem se ele adquirisse um terço das habilidades "extraordinárias" de seu personagem vampiresco da saga Crepúsculo (para quem não lembra, não viu ou não deseja ver, Bower interpreta Caius, um dos três líderes da trupe dos Volturi, aquele quase imperceptível nas cenas com uma constante expressão de "nojinho") conseguiria fazer com que o público aceitasse a ideia de que ele pode chegar perto do carisma, da força e da altivez que descrevem Arthur. É quase como escolher a Sandy para ser a garota propaganda da Devassa. Simplesmente não funciona. Joseph Fiennes, por sua vez, ainda precisa encontrar o tom certo, porque passa longe da personalidade forte e marcante de Merlin. Uma grata surpresa é Eva Green, que parece ter absorvido Morgana em suas características mais sombrias, de maneira consistente. James Purefoy (o Marco Antônico de Roma, da HBO) também não compromete como Lot e a química entre Morgana e seu personagem chegou a salvar o episódio em alguns momentos.

     

    Sendo Starz, Camelot e Arthur, é quase certo dar o benefício da dúvida à produção, principalmente pelo o que a lenda representa e por inúmeros (bons) personagens que ainda não deram o ar da graça. Portanto, para que a jornada de Arthur possa seguir sem maiores obstáculos – já basta uma meia-irmã maquiavélica, ressentida e poderosa -, Guinevere, Lancelot e Excalibur (é claro que a espada também entra nessa), contamos com vocês para salvar o futuro do rei, do reino e da série.


    POR: [Juliana d Arêde]

  • Regular

    Traffic Light

    | Fox

    Bom roteiro, bons personagens e boas atuações. Não parece exatamente algum sofisticado algoritmo da Nasa, mas, em geral, são esses macroaspectos que ditam a qualidade de uma sitcom. E, para a felicidade de todos, Traffic light atende a todos os requisitos. Simples e moderna, a série capitaliza em cima de uma construção sólida de personagens e um roteiro direto e sem excessos.  E,muito embora não pareça ter vivido todo seu potencial cômico no piloto, chega mostrando que, no que diz respeito ao humor, menos tende a ser mais.

     

    Traffic light apresenta uma premissa altamente relacionável: três amigos de longa data tentam fortalecer seus laços em meio às dificuldades da vida adulta (leia-se “mulheres”). Mike (David Denman) é casado há oito anos e acaba de ter um filho. O meganerd Adam (Nelson Franklin) está iniciando o processo de coexistência domiciliary com a sua namorada (o tão temido "morar junto"). Ethan, o solteirão inveterado que usa seu sotaque britânico para derreter os corações yankees, está mais interessado em cuidar de seu buldogue do que levar eventuais parceiras a seus horários de pedicure. No piloto, descobrimos um quarto amigo, Ben, que morreu. Mas eis outra boa notícia: mostrando discernimento, a série não caiu na infinitamente brega tentação de colocar uma narração póstuma em off.

     

    O maravilhoso universo do bromance (relação de estranha proximidade entre amigos heterossexuais) é um dos terrenos mais férteis da comédia. Quando é bem retratado, diverte tanto as mulheres, que provavelmente nunca entenderão plenamente a beleza de um amor tão primitivamente sincero, e aos homens, que inevitavelmente já passaram por uma situação em que tiveram que contar aquela mentirinha branca para a patroa na hora de ajudar um "bróder". No caso de Traffic light, esta dinâmica levemente homoafetiva ganha novos contornos com um adorável "trio bromântico".

     

    Mas não é só a dinâmica masculina que merece uma menção, e eis o outro grande acerto da série: em vez de optar pela saída fácil – patricinhas detestáveis que só sabem ir ao salão de beleza e importunar seus parceiros com constantes lembretes sobre seus relógios biológicos -, ela retrata mulheres tão "gostáveis" quanto os caras. Callie, a namorada de Adam, é carismática, pé no chão e genuinamente cômica, tirando a situação do lugar-comum do "cara legal com a pentelha possessiva". É essa pequena complexidade que faz com que a série consiga ser essencialmente masculina sem aquele ranço machista.

     

    O grande problema do piloto, por incrível que pareça, é a graça. O humor está lá, sofisticado e discreto, mas eis o problema: discrição excessiva. Embora um pouco de humor implícito dê profundidade a uma série, é no mínimo desejável que ele decida se (bem) explicitar, de vez em quando. Ainda que seja possível apreciar a inteligência de certos gracejos, é muito difícil efetivamente rir deles. As piadas criam uma sensação de "quase lá" um pouco frustrante, como se a linha narrativa tangenciasse a cômica o tempo inteiro e nunca chegasse a cruzá-la. Ainda, pelo menos.

     

    Essa esperança, contudo, deve bastar para garantir a curiosidade por, ao menos, mais alguns downloads. Afinal, os órfãos de Seinfeld e Friends sabem muito bem o que personagens cativantes e bons diálogos podem fazer por uma série. Tudo indica que o potencial humorístico latente pode se desenvolver em uma sitcom realmente revigorante. Resta torcer para que o sinal, por enquanto amarelo, não tarde para ficar verde.

     

     

    Foto: Divulgação

    POR: [Fernanda Prates]

  • Bom

    Glee - S02E11

    | Fox

    O Super Bowl é o maior evento esportivo dos Estados Unidos. Durante aquelas horas de glorioso espancamento entre brutamontes de legging, é quase como se todas as televisões estivessem ligadas no evento - Janet Jackson e seu seio eternamente gravado no imaginário da cultura americana que o digam. Desde os shows megalomaníacos, aos comerciais cinematográficos, tudo no Super Bowl é gigantesco. E o que fez Glee para garantir que seu episódio não fosse perdido em meio a tudo isso? Exagerou mais ainda. Especialmente breguinha e com uma infinidade de linhas narrativas distintas, o episódio 11 é meio como ceia de vó na véspera de Natal: apesar do menu exagerado e esquizofrênico, acaba nos impelindo a devorar, com muito gosto e alguma culpa, até a derradeira rabanada.

     

    Glee já não era conhecido por bater na porta antes de entrar,  mas este episódio começou escancarando tudo com uma voadora. De cara, nos deparamos com uma versão extreme de California girls, com direito a cheerleaders de perucas azuis, manobras aéreas de BMX, bambolês em chamas e soutiens com efeitos pirotécnicos. Suave. Por trás dos stunts, está, obviamente, a bipolar Sue Sylvester (Jane Lynch), desta vez em todo um novo patamar de insanidade. Entediada com as rotinas de suas sofridas cheerios, Sue decide que está na hora de dar uma incrementada nas apresentações a qualquer custo. Mesmo que isso envolva arremessar alunas através do campo de futebol com um canhão. A cena de seu surto psicótico à la Cloverfield, ponto alto do episódio, mostra de uma vez por todas que a Sue boazinha é até legal, mas a Sue maníaca é definitivamente muito mais interessante.

     

    Apesar de a treinadora ter nos lembrado o porquê de amarmos tanto odiá-la (e vice-versa), o conflito mais interessante do episódio foi a inclusão dos bullies no coral de Glee. Há algo de deliciosamente vingativo em ver os brigões tendo que andar nos sapatos de seus torturados de cada dia, e o fato de os garotos serem tão estúpidos e sem traquejo social só acrescenta. A parceria rendeu o que talvez seja um dos momentos mais comercialmente apelativos de Glee - o mash-up de Thriller e Off with your head com tema de, claro, zumbis. Considerando o atual frenesi cultural em torno dos mortos-vivos, era apenas inevitável que Glee incorporasse isso em algum momento. Embora não necessariamente original, a apresentação ficou vergonhosamente divertida. Como, bem, todas as outras performances da série. Os garotos jogando com uniformes rasgados e úlceras na cara e as líderes de torcida literalmente torcendo com seus pompons e farrapos manchados de sangue criaram um visual tosco e divertido, que parece fazer graça de si mesmo. Como tudo nessa vida deve ser.

     

    Para o desgosto dos mais românticos, a relação disfuncional de Finn (Cory Monteith) e Rachel (Lea Michelle) é tocada apenas superficialmente, com Quinn (Dianna Agron) voltando para a jogada. Não, Glee. Não. Embora saibamos que a possível reunião entre o jogador quase desprovido de inteligência e a líder de torcida manhosa trata-se apenas de uma firula para evitar o final feliz prematuro do casal "predestinado", vê-los juntos é profundamente chato. Os dois são infernalmente entediantes, e reuni-los novamente é meio como unir Enya a Kenny G em um álbum de Natal. Gostem dela ou não, Rachel é a calabresa da pizza de NADA que é Finn, enquanto Quinn é apenas uma porção extra de muzzarella.

     

    O maior problema do episódio foi a cornucópia de temas distintos e não necessariamente complementares. Após dois meses de ausência, parece que Glee quis tirar o atraso enfiando todo tipo de assunto dentro de uma hora. A mistura é um pouco confusa, e momentos que poderiam ser geniais, como a versão brilhante de Bills, bills, bills, dos Warblers, acabam se perdendo em meio aos zumbis, canhões e a boa e velha confusão sexual adolescente (Brian Karfosky, o clássico valentão em negação). Mas a leveza natural de Glee faz com que, assim como na ceia de natal, caiba um pouquinho de tudo no estômago. Mesmo que ele talvez não concorde tanto no dia seguinte.

     

    Contudo, isso não conseguiu ofuscar o brilho de mais um episódio adoravelmente brega do seriado. Alguns podem argumentar que foi bobo. Mas veja bem, Glee é essencialmente de uma bobeira que não tem fim. No bom sentido, claro. O que este episódio fez foi elevar essa tolice a níveis megalomaníacos e exagerados o que, pensando bem, é coerente com a ostentação opressiva do Super Bowl. O ridículo, de fato, é bem ridículo. Mas é um ridículo divertido, delicioso e obviamente deliberado. E, se você não é dado a excessos, recomendo que desista de uma vez. Glee definitivamente não é seu tipo de show.

     

     

    Foto: Divulgação

    POR: [Fernanda Prates]

  • Fraco

    Mr. Sunshine

    | ABC

    É seu aniversário de 18 anos. Você tem sido um bom filho, passou no vestibular para uma faculdade pública e acha que pode ganhar aquele Palio que seus pais vinham te prometendo há anos. Você abre a porta da garagem. E, lá está, enrolada em um grande laço vermelho.... Uma Caloi azul celeste. Bem, é mais ou menos essa a sensação causada pelo piloto de Mr Sunshine. Apesar da boa premissa e do elenco respeitável, a nova comédia de Matthew Perry não inova, não encanta e, pra falar a verdade, simplesmente não é muito engraçada.

     

    Mr Sunshine conta a história de Ben Donovan, um homem egoísta e frio que gerencia uma arena esportiva. Ele foge de relacionamentos, não se importa com o próximo e pensa muito positivamente a respeito de si mesmo. Porém, quando sua "amiga com benefícios" o larga para morar com outro homem, deixando-o sozinho em seu aniversário de 40 anos, Ben sente que é hora de virar um ser humano mais afetuoso. E é a busca pelo Ben 2.0, revisado e melhorado, que pauta toda a série.

     

    Eis o problema principal: Ben não é um personagem divertido, legal ou remotamente carismático. Talvez por já termos visto Matthew Perry na pele do adoravelmente desajustado Chandler Bing, é difícil aceitá-lo como um protagonista tão insosso. Perry parece ter perdido até seu impecável timing cômico, matando na tela piadas que parecem até interessantes no papel. Enquanto Matt Le Blanc conseguiu sorrateiramente escapar da maldição de Friends com um personagem curioso (ele mesmo, no caso), Matthew Perry parece fadado a sucumbir na pele de um protagonista tão substancioso quanto o papel de Rodrigo Santoro em Lost.

     

    Já o outro grande nome da produção, Allison Janney, causa sentimentos confusos na pele de Crystal, a hipocondríaca levemente racista dona da arena. Embora Janney seja realmente engraçada em alguns momentos – como são todos os personagens paranoicos, inapropriados e com valores morais questionáveis --, em outros, parece uma caricatura forçada de algo que já vimos milhares de vezes na televisão. Ver uma atriz tão talentosa sendo jogada em um papel tão bobo é meio como ver as obras perdidas de Michelangelo sendo expostas na casa do BBB. Não faz muito sentido, não é mesmo?

    Alguns outros personagens chegam a fazer uma gracinha ou outra em cena. É o caso de Roman, o filho roliço e socialmente inapto de Crystal, interpretado pelo bobalhão perene Nate Lawrence. Da mesma maneira, Portia Doubleday consegue ser mais encantadora como Heather (a secretária com inclinações psicopatas) do que Perry consegue como Ben. Detalhe: ela só aparece em cena por aproximadamente 10 segundos. Até Jorge Garcia, que rapidamente se tornou queridinho da audiência por seu humor obeso em Lost, some completamente como... Ahn... O que quer que ele seja na série. Um zelador, quem sabe? Algo do tipo.

    O piloto faz uma tentativa de humor nonsense que poderia até ser interessante, se não tivesse sido feita umas 400 vezes antes. Eles soltam um elefante na arena. Sim, literalmente um elefante. E sim, eles fazem todo tipo de piadinha batida envolvendo "o elefante na sala". Que original. Apelar para o velho truque do mamífero da savana africana num contexto urbano é um sinal claro de que falta confiança nos diálogos, personagens e, basicamente, no tom cômico do show. E isso é um grande tiro no pé em uma época em que séries como Community e Modern family triunfam em cima do humor cru, no qual até o absurdo – e há muito absurdo – ainda surge a partir do mundano.

    Mr Sunshine não faz jus ao seu título. Tanto a série quanto seu protagonista parecem incapazes de fornecer qualquer tipo de brilho ou calor. Até a câmera "moderninha" e a tentativa de adequar os diálogos ao formato off-beat e desconjuntado das sitcoms atuais se perdem em meio aos personagens fracos e a uma premissa essencialmente boba. Sem graça e sem charme, a série é um desperdício de elenco e (mais) uma brutal punhalada nos rins dos órfãos de Friends. Nas palavras do saudoso Chandler Bing: Matthew Perry, could you BE any more disappointing?

     

     

    Foto: Divulgação

    POR: [Fernanda Prates]

  • Excelente

    Lights Out - S01E01

    | FX

    Em geral, basta um pugilista para que um filme ou série ganhem o sufixo "de boxe". Lights out, contudo, não deveria receber essa alcunha. Embora seja, sim, sobre um ex-lutador, a série é tanto "de boxe" quanto de "pós-aposentadoria", "procura de identidade" ou "medo da demência iminente após décadas de socos na cabeça".  Complexa, visualmente chocante e conduzida por uma atuação daquelas que te fazem acreditar na boa televisão novamente, Lights out não nocauteia logo de cara, mas promete alguns belíssimos rounds.

     

    A série gira em torno de Patrick "Lights" Learey, um ex-campeão de boxe que se aposenta por livre e espontânea pressão da patroa (a insossa Catherine McCormack). Cinco anos depois, ocioso, cansado da vida de pai em tempo integral e falido, Learey tenta encontrar maneiras de prover para sua família, ao mesmo tempo em que busca sua identidade. Às voltas com problemas financeiros e com a descoberta de uma lesão cerebral que pode se tornar a chamada "demência de pugilista" (que, a indicar pelos lapsos de memória, parece uma possibilidade bem real), Leary tenta balancear a figura de pai ideal com a de lutador.        


    Toda esta baboseira psicológica poderia se tornar infernalmente chata, não fosse pelo verdadeiro show de Holt McCallany. Com uma performance sutil e sorrateira, ele consegue transmitir uma imagem de serenidade surpreendentemente ameaçadora. Como um plácido mar azul prestes a virar uma onda titânica que destrói a cidade inteira. Estranhamente paternal, de um jeito meio "te amo muito, mas ai de você se não comer todo esse maldito quiabo", Leary parece o tipo de paizão que todos queriam ter, mas com quem não ousariam violar o toque de recolher. Calmo como uma bomba-relógio.


    Sua mulher, Theresa, é preocupada e amorosa (tão dedicada, coitada, que obviamente não tem tempo nem pra comer), mas isso não impede que seja odiável. Embora seja possível compreender porque ela quis que o marido se afastasse dos ringues – a primeira cena, com ele deitado numa maca com o rosto mais destruído que banheiro feminino após uma festa de formatura, é uma bela explicação –, parece que ela, ao mesmo tempo, não compreende os problemas do marido e seu amor pela luta.  Ou nosso amor por um pouco de sangue.

     

    Assombrado por memórias de sua última luta (e derrota), Leary é desafiado para uma revanche com seu algoz. A primeira reação de sua mulher é, claro, dar um belo chilique. Tal qual Adrian tentando impedir seu amado Rocky de lutar contra Ivan Drago, Theresa só quer o melhor para o marido. Mas o melhor para o marido pode não ser necessariamente o que ele ou a audiência querem e, se a série tiver um mínimo de lógica, esta revanche está fadada a acontecer em algum momento.

     

    Acima de tudo, Lights out é uma série altamente relacionável. Os problemas de Leary são comuns a tantos outros que abandonam suas carreiras e lutam para encontrar algum tipo de identidade própria fora do ambiente de trabalho. Com o agravante de que a profissão do protagonista o levou a se aposentar uns 20 anos antes do normal, ou seja, assistir ao programa da Ana Maria Braga comendo cereal de fibras ou se mudar para um condomínio em Boca Raton não parecem alternativas viáveis. Mesmo longe da linha da pobreza, o boxeador está disposto a fazer trabalhos "suspeitos" para garantir que sua família não tenha que abrir mão do padrão de vida ao qual está acostumada. Nem que isso signifique ter que mentir para a mulher – e quebrar uma ou duas patelas por aí.

     

    Da mesma maneira, ele enfrenta o problema clássico do homem contemporâneo, que, embora esteja presente em casa e cuide dos filhos, ainda tem aquele "macho interior", aquela voz grossa que o leva a encarar ameaçadoramente o namorado nerd da filha e dar um olhar de reprovação silenciosa quando a mulher afirma que finalmente poderá botar dinheiro na casa. Se até o bom e velho analista de sistemas ainda parece ter esse lado neandertal sufocado, imagine um cara que passou a vida golpeando as têmporas e as costelas dos coleguinhas. Leary simboliza a panela-de-pressão que é a mente de um homem moderno, mutiplicada por 10. E parte da graça do show é esperar até ela estourar.

     

    Paralelos com filmes como Rocky sempre serão feitos – e, de fato, é difícil não relacionar o drama dos dois pugilistas, divididos entre a família, a fome de lutar e a necessidade de pagar a conta de luz no fim do mês. Mas, fora isso, o silenciosamente tempestuoso e intenso "Lights" pouco tem a ver com o bondoso e brincalhão Garanhão Italiano. Leary não está se preparando para uma batalha épica contra um russo que mais parece uma máquina de refrigerante com pernas, e sim para diversos inimigos invisíveis que chegam de todos os lados. O "Olho de Tigre" dá lugar ao medo do Leão, doidinho para tomar o que lhe resta.

     

    Com um drama pessoal simples, apoiado por uma fotografia crua e realista e uma atuação sutilmente brilhante, Lights out mostra que não é necessário derrubar aviões em ilhas místicas ou jogar psicopatas com fuzis em hospitais para construir um drama cativante. Resta torcer para que o público consiga apreciar o sabor agridoce de um show no qual a catarse não está a alguns rounds e músicas inspiradoras de distância. Nem sempre as lutas mais interessantes terminam com nocautes espetaculares. Rocky Balboa que o diga.


    POR: [Fernanda Prates]

  • Excelente

    Shameless - S01E01

    | Showtime

    Em geral, o termo "adaptação americana" é mau agouro para qualquer série. Com pouquíssimas exceções (vide The office), produções britânicas tendem a perder boa parte do charme ao serem transportadas para o outro lado do oceano, seja por uma questão de (falta de) senso de humor ou pelas insistentes tentativas de se "aguar" a sinceridade brutal dos ingleses (vide Skins). Shameless, contudo, sobreviveu à viagem. Abusando do humor negro e de um realismo dolorosamente cru, a nova série do Showtime não parece disposta a facilitar a digestão de ninguém.

     

    Shameless conta a história da família Gallagher – sendo o termo "família" usado livremente aqui. O patriarca (William H. Macy, a caminho de um Emmy), um bêbado crônico que faz Al Bundy parecer um pai responsável e amoroso, divide seu tempo entre o balcão do bar e o chão da cozinha. Com a improbidade paternal do progenitor, Fiona (Emmy Rossum, que não deixa a dever para Macy), a filha mais velha, assume o papel materno, cuidando de seus quatro irmãos transviados. A família não passa fome, mas vive numa casa digna da cena de "antes" no Extreme makeover, sobrevivendo com o mínimo necessário.

     

    Além da irmã mais velha, conhecemos Lip (Jeremy Allan White, um bom novato), o aluno exemplar que dá aulas particulares para juntar dinheiro (e um ocasional favor sexual). Entre uma aula e outra, ele se dedica a tentar converter o irmão Ian (Cameron Monaghan), um adolescente na difícil fase do "Será que ele é?", enquanto Debbie (Emma Kenney) e Carl (Ethan Cutkosky), jovens aprendizes de meliantes, encontram seus métodos questionáveis de ajudar. Liam, o irmãozinho bastardo, é uma criancinha muito da fofa. O que, convenhamos, é muito mais agradável do que bebês prodígios que ganham papéis desproporcionalmente relevantes.

     

    Os dramas da família enorme e disfuncional resultam num episódio piloto um pouco atribulado, mas conciso e fluido. O ritmo acelerado é um alívio àqueles que aproveitam as infinitas pausas dramáticas de dramas da HBO para usarem o banheiro ou entrarem em coma, sem chegar a confundir. Os diálogos são sutis, sem esforço e, ao contrário do que acontece em 90% dos dramas televisivos, plenamente acreditáveis (veja e aprenda, Grey s anatomy). Sem desabafos existenciais de 20 minutos e frases de biscoito da sorte repetidas à exaustão, Shameless acontece naturalmente. Uma bela alternativa ao pseudo-realismo ostensivo de similares dramáticas.

     

    O maior problema, curiosamente, talvez, seja também um dos aspectos mais interessantes da trama: o romance entre Fiona e Steve, o suposto mauricinho que também tem lá seus esquemas para pagar as contas no fim do mês. Embora tanto a cena em que se conhecem quanto a que eles se conhecem MESMO na cozinha (se é que vocês me entendem) sejam realistas e bem conduzidas, os altos e baixos do romance logo no piloto tiram um pouco a credibilidade da relação. Apesar de o papo de amor à primeira vista aquecer os corações mais românticos, essa história de "mal te conheço, mas te amo para sempre e vou te dar uma máquina de lavar mesmo depois de você me tratar como lixo" pode parecer um pouco mal contada. Por outro lado, a pressa em se estabelecer um relacionamento sólido se justifica por se tratar de um episódio de introdução. E, bem, nada como um casalzinho turbulento e assanhado para apimentar os níveis de audiência.

     

    Se qualidade fosse o único critério relevante, Shameless teria potencial para uma vida tão longa quanto à do primo inglês (no ar desde 2004). Contudo, num mundo onde Jersey Shore é renovado e Kim Kardashian é considerada uma celebridade, as coisas não são tão simples assim. A verdade é que, embora maravilhosamente escrita, atuada e dirigida, Shameless não tem vampiros libidinosos e humor enlatado para os intelectualmente desafiados, e tampouco se preocupa em maquiar as olheiras da realidade de muitas famílias americanas. A honestidade de Shameless, talvez, seja sua própria ruína algum dia. Isso, sim, seria uma pena. 

     

    Foto: Divulgação

    POR: [Fernanda Prates]

  • Bom

    Fringe - S03E10

    | Fox

    Enfim, chegou o dia. Depois de alguns meses de espera, Fringe finalmente retornou com os novos episódios da sua brilhante terceira temporada. Mas o que deveria ser um momento de alívio e prazer para os espectadores, tornou-se motivo de receio e aflição. Tudo porque a Fox resolveu mudar o dia de exibição da série, passando-a para sexta. Motivo do desespero coletivo? Nos Estados Unidos, a sexta é considerada o “dia da morte” para qualquer atração, devido aos baixos índices de audiência que resultam no cancelamento das produções. Consciente da comoção gerada pela alteração, a Fox partiu em defesa de Fringe – e de seu público, é claro - e desenvolveu uma estratégia de marketing digna da genialidade de Walter Bishop. Resultado? Fringe é líder de audiência das sextas americanas e, aparentemente, tanto o nosso universo quanto o outro ainda estão seguros. Muito, em grande parte, à qualidade de um roteiro impecável de um episódio que provou o quanto Fringe é consistente e simplesmente viciante. 


    As expectativas eram altas para The firefly – nome do episódio -, não só pelo fator vamos-ver-como-Fringe-se-sustenta-na-sexta, mas também pela aguardada participação de Christopher Lloyd. O encontro entre o inesquecível Dr. Emmet Brown e John Noble (Walter) é de fazer qualquer amante do gênero e de mentes brilhantes avançar no tempo para a hora passar mais rápido e assistir ao capítulo. Tudo bem que a presença de Lloyd no seriado não foi assim uma “Brastemp”, no sentido de que o público esperava algo mais impactante – e quem pode culpar? É o Dr. Brown! Impossível esperar nada menos do que viagens temporais -, mas novamente o conteúdo apresentado por Fringe, somado às atuações cada vez mais firmes e arrebatadoras de seus protagonistas, não decepcionou.  


    Os Observadores sempre foram um dos principais mistérios de Fringe, e também um de seus maiores atrativos. Que atire o primeiro controle quem nunca parou diversas vezes um episódio só para brincar de “onde está o Wally?” com os seres carecas e inexpressivos. Todos sabem que a simples presença dos Observadores significa uma grande mudança – no caso de Fringe, uma guerra entre dois universos que pode resultar na destruição de um dos mundos. Em The firefly, mais uma vez, Fringe mergulha fundo em sua teoria existencial e aborda o fato de que toda ação gera uma reação. E, como também não é nenhuma surpresa para quem assiste ao seriado, Walter foi o responsável por desencadear eventos extraordinários ao “roubar” o Peter do universo paralelo para substituir o Peter “desse mundo” que havia morrido. Além disso, o próprio Observador também já havia interferido no presente e no futuro ao salvar o clã Bishop. E é exatamente esse remorso que assola o cientista no capítulo. 


    Como não amar Walter? Definitivamente, um dos personagens mais inteligentes e carismáticos já criados em séries, ele personifica a constante luta do ser humano entre a razão e a emoção, com atitudes um tanto quanto controversas para os mais céticos e conservadores. Em The firefly, Walter se vê no meio de uma encruzilhada ao descobrir que a ânsia de salvar Peter e suas ações tão meticulosamente pensadas, porém, pouco refletidas, causaram o transtorno que ele tentou evitar para si mesmo a outro pai: Roscoe Joyce, um ex-rockstar ídolo de Walter, personagem de Lloyd. Em meio às lições de moral proferidas pelos Observadores, Walter descobre que mais importante do que salvar a vida do filho é ser capaz de deixar que as coisas tomem o seu rumo natural. John Noble dispensa qualquer comentário referente à sua atuação, pois é difícil pensar em alguém que seja tão verdadeiro e entregue ao personagem como o ator. Lloyd, por sua vez, também surpreendeu mostrando uma excelente química com o colega de elenco e timing perfeito para o drama.  


    Ao mesmo tempo, a relação de Olivia (Anna Torv, que mostra um amadurecimento e melhora consideráveis em relação à primeira temporada – quando sua atuação consistia apenas em uma expressão apática) e Peter (Joshua Jackson) segue rachada e, ao que tudo indica, deve passar por sua prova mais “difícil” (como bem definiu o Observador, quase no fim do episódio). No mais, apesar de tudo e do alerta constante que paira sobre os olhos dos espectadores – até que a renovação da série seja oficializada -, Fringe retornou da maneira que todos esperavam e com as características que lhe tornam peculiar: surpreendente e estimulante para todos os gostos e universos.  

     

    Foto: Divulgação

    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Bom

    American Idol - S10E01

    | Fox

    Gente esquisita, muito chororô, uma boa dose de apelação emocional e algumas belíssimas notas de arrepiar a espinha. Isto... É AMERICAN IDOL! Com Jennifez Lopez e Steven Tyler determinados a (tentar) cobrir o gigantesco buraco deixado pelo adoravelmente rabugento Simon Cowell, a 10ª temporada do reality show estreou com surpreendente força, lembrando por que, mesmo sem seu maior trunfo, Idol continua sendo o prazer culpado de "televisólatras" ao redor do mundo.


    Primeiro, a triste realidade: American idol sem Simon é um pouco como uma caesar salad sem croutons. Não é que fique intragável, mas é óbvio que falta alguma coisa. Para seus verdadeiros fãs, mais que um programa de música, Idol era também uma chance de ver gente bizarra e sem noção tomando alfinetadas épicas do britânico mais azedo da televisão. O choque causado pela saída de nosso pomposo hater se refletiu na audiência – a estreia foi a menos vista da história do programa (e mesmo assim esmagou a competição).


    É até curioso constatar que, aos olhos do grande público, nem mesmo a adição das megaestrelas do naipe de Steven Tyler e Jennifer Lopez conseguiu tapar o buraco de um outrora ilustre desconhecido com um senso de humor perturbador e uma frieza de níveis quase sociopáticos. Simon, um incorrigível babaca, é a prova viva de que você pode conquistar os corações das pessoas mesmo sendo um ser humano sórdido e desagradável. Uma perspectiva quase bonita.


    Contudo, a saída do britânico pode ter sacudido o navio, mas não foi suficiente para afundá-lo. Graças, em grande parte, aos novos jurados. Embora falte bastante senso crítico, os dois têm um inegável magnetismo pessoal que nos faz querer continuar assistindo. J.Lo, irritantemente linda, surpreendeu com altos níveis de adorabilidade, mostrando ser bem mais interessante do que Paula Abdul. Só a sobriedade, aliás, já é um grande avanço. Demonstrando claríssimos problemas com a palavra "não", J Lo pelo menos diverte tentando encontrar maneiras delicadas de esmagar os sonhos dos aspirantes a estrelas.


    Já Steven Tyler, que muitos esperavam trazer a dose de realidade que Simon proporcionava, decepcionou. Apesar do senso de humor interessante e o tipo de presença artística que por si só já acrescenta, Tyler não tem exatamente muito critério quando se trata de julgar futuros artistas – e parece ter algum tipo de transtorno psicossomático que o impele a soltar agudinhos insuportáveis a cada dez minutos. Por outro lado, as constantes investidas românticas do rockstar em todo tipo de rabo-de-saia que aparece rendem um show à parte.


    O maior problema é que, como artistas, J Lo e Steven Tyler parecem tomar as dores dos candidatos. Simon tinha (além de um coração negro e gélido, claro) uma visão de fora e não hesitava em deixar claro que querer NÃO é poder - sempre com a sutileza de uma tarântula numa fatia de pudim. Já os dois são particularmente benevolentes e vulneráveis a dramas alheios. Como prova disso, temos uma "instrutora de dança" (vulgo STRIPPER) que, apesar do figurino à lá Janet Jackson (sutis estrelas cobrindo suas glândulas mamárias) e atitude inspirada na subcelebridade/poetisa Snooki, conseguiu implorar seu caminho para Hollywood. Uma sorridente garota de 15 anos que parece ter sido vomitada de um unicórnio cor de rosa e uma loirinha insossa mais lacrimosa que Camila ao perder os cabelos em Laços de família completam o time de casos de caridade que vão ser prontamente degolados em Hollywood.


    A boa notícia é que Tyler e Jennifer poderiam aparecer nus e simplesmente rodar em círculos por horas que ainda assim seriam mais relevantes do que Kara Dioguardi. Dizem que a natureza encontra um jeito de compensar pelos seus maus autos. No caso, a saída de Simon foi muitíssimo bem recompensada pela de Kara, que, com seu talento para disfarçar comentários óbvios com carão de epifania, consumia preciosas horas do programa. Agora, toda a irrelevância fica por conta de Randy Jackson, que pelo menos fala pouco. A ausência de Ellen Degeneres, que até agradou na última temporada, não chegou a constituir um desfalque notável no time de jurados.


    A ausência de Simon ainda será muito sentida – especialmente em ocasiões como a semana country, quando as perversidades do britânico eram o único motivo pelo qual televisões ao redor do mundo continuavam ligadas. Mas Jennifer e Tyler divertem. E, como já são estrelas consolidadas, provavelmente não irão perder tanto tempo tirando o foco dos candidatos na tentativa de conseguir migalhas de fama (e, aqui, estamos olhando para você, David Hasselhoff,  em America s got talent). 


    A realidade é que Idol, apesar dos pesares, promete continuar nos encantando secretamente por um bom tempo.  Graças a um trabalho espetacular de edição, ao carisma do super competente apresentador Ryan Seacrest, ao entusiasmo dos novos jurados e ao equilíbrio perfeito entre o verdadeiro talento e a mais pura falta de escrúpulos, American Idol já provou que é como pizza: mesmo quando é ruim, é bom.

    POR: [Fernanda Prates]

  • Fraco

    Off The Map - S01E01

    | ABC

    Pense nos enjoadíssimos médicos de Grey s anatomy.  Agora imagine cópias mais jovens e (ainda) menos carismáticas. Jogue-as na selva. Eis Off the map. No novo drama médico produzido por Shonda Rimes, os eternos adolescentes que colocam seus dramas mesquinhos na frente de vidas alheias aparecem em versões mais bregas, suadas e - ainda bem - um pouco mais bonitinhas.

     

    A série, que se passa "em algum lugar na América do Sul" (descrição pouco vaga, né), gira em torno de três jovens médicos que decidem "recomeçar" suas vidas em um hospital decadente de terceiro mundo. Lá, eles se dedicam a salvar vidas em condições precárias enquanto lidam com seus próprios dilemas e crises existenciais. Ou seja, tudo aquilo que já foi feito à exaustão em todas as séries médicas do mundo, com um toque tropical de calor, areia e a ocasional malária.

     

     Desde os personagens egocêntricos e constantemente em crise aos insistentes desabafos existenciais de 40 minutos, a semelhança com Grey s anatomy é gritante. Assim como em seu "irmão mais velho" de Seattle, os protagonistas de Off the map parecem incapazes de dialogar, preferindo simplesmente vomitar infinitos monólogos que, vez ou outra, se intercalam. Também como no Seattle Grace, "microtragédias" irrelevantes ganham dimensões épicas, enquanto os problemas reais dos pacientes (tipo crianças tossindo sangue e famílias morrendo de tuberculose) parecem incômodos menores.

     

    Nem a gritante falta de verossimilhança de Grey s anatomy é tão ostensiva quanto a breguice de Off the map. Desde o homem que viaja quilômetros para jogar as cinzas da esposa num lago com vagalumes à senhora asmática que agradece à médica por sua "primeira respiração de verdade", as situações conseguem ser de uma melosidade de causar cáries. Frases como "nós conseguimos salvar a vida dele, agora devemos ajudá-lo a seguir com ela" são a cerejinha no topo do enjoativo sundae de pieguice que é o programa.

     

    Apesar de não ter a mesma cara de travesseiro de Meredith Grey, a protagonista Lilly Brenner (a bobinha Caroline Dhavernas) também não tem metade de seu talento.  O "drama pessoal" – no piloto, descobrimos que ela perdeu o noivo – promete nos entediar até a morte em episódios futuros.  A outra "novata", Mina (Mamie Gummer), tem tanto carisma quanto uma orquídea de plástico. Ben (Martin Henderson) poderia facilmente ficar caladinho e brincar de estátua, para que pudéssemos simplesmente admirá-lo. Para os garotos, a boa notícia é a existência da médica Ryan Clark (interpretada por Rachelle Lefevre, no auge de sua irrelevância artística, seios fartos e cachos ruivos).

     

    Contudo, o grande prêmio pé-no-saco vai para o playboyzinho Tommy (Zach Gilford), que chega no hospital para se "retratar" pelo passado irresponsável. Se o jeitinho "lesk" carioca e as tiradinhas pseudosarcásticas não tinham bastado para irritar o espectador, a cena em que ele manda o embaraçoso discurso de "filhinho-de-papai-arrependido-que-bebeu-a-herança-inteira-e-agora-quer-encontrar-seu-rumo" definitivamente faz o trabalho. Pelo lado bom, Dr. Karev agora parece até um cara legal.

     

    Off the map conseguiu a proeza de absorver todas as características negativas de Grey s anatomy e deixar de lado as (poucas) coisas boas, como as atuações sólidas e a bem construída narração em off. O visual interessante e rostinhos bonitos não compensam pelos dramas superficiais e monólogos enjoados, que prometem bons momentos de vergonha alheia. No mais, é torcer para que a série saia mesmo do mapa. Com o perdão do trocadilho.

     

    Foto: Divulgação

    POR: [Fernanda Prates]

  • Fraco

    The Cape - S01E01

    | NBC

    Amantes das HQs e de super-heróis, protestem. Não há geek ou superpoder que justifique ou permita ser condescendente com a heresia televisiva cometida pela NBC com a constrangedora The cape.  Se Bruce Wayne uma pessoa "real" fosse, não hesitaria em se vestir de Homem-Morcego para salvar os espectadores de uma trama que consegue transformar a premissa do homem-comum-herói-solitário em uma experiência extremamente traumática e nem um pouco inspiradora, como são (ou tentam ser) as histórias heróicas.

     

    Vince Faraday (David Lyons) é um policial honesto que tenta manter a ordem em uma cidade comandada pelo crime organizado, representado por um vilão que se autonomeou Chess (sim, o cara se deu o nome de "xadrez", já começa por aí). Quando o novo chefe de polícia é assassinado no dia de sua posse, a carreira – até então imaculada – de Faraday sofre uma reviravolta. Ao ser traído por policiais corruptos, que o acusam de um crime que não cometeu, ele é obrigado a deixar tudo para trás – incluindo sua mulher e filho - para se esconder. Até que, durante a fuga, Faraday é dado como morto, após uma explosão, e é a partir daí que ele conhece uma trupe circense (com direito a um anão bom de briga e personagens completamente insossos) que o abriga e o ajuda a se transformar em O capa – o super-herói preferido do filho -, para que Faraday possa finalmente limpar o nome, fazer justiça e reencontrar seus entes queridos. Ponto final e agora cospe o caroço dessa mangaThe.

     

    Sejamos justos. A ideia de passar o conceito dos quadrinhos para a TV não é das piores, como, por exemplo, na apresentação dos personagens com a tela preta aparecendo somente os nomes – imitando uma página. Talvez, a estratégia até anime os mais aficionados pelo gênero. O problema  todo de The cape é a sua (péssima) realização.  A tragédia começa a ser anunciada nas primeiras falas. Algo acontece no mundo dos super-heróis que as emissoras simplesmente não conseguem desenvolver de maneira objetiva as tramas de pessoas com habilidades extraordinárias. A queda deplorável de Heroes não deixa mentir.  Chega a ser uma afronta para aqueles que realmente desejaram ser o Super-Homem, ou que viam em seus amigos todos os representantes da Liga da Justiça, ou que sonhavam em se balançar pelos ares e prédios entre teias de aranha, o modo como a história de The cape nos é apresentada.

     

    Subestimando a inteligência do espectador, a produção traz um script sem graça, monótono e furado, com cenas irritantemente didáticas e outros recursos televisivos igualmente obsoletos. Quanto aos efeitos especiais, a dúvida que paira na cabeça do espectador durante a tortuosa uma hora e meia de episódio é a seguinte: onde foram parar os milhares de dólares investidos pela NBC nesse desastre? Talvez na "digníssima" capa do herói, capaz de se transformar em uma "arma" de borracha para pegar objetos e derrubar vilões que apresentam maquiagens mal feitas, cujos rostos deveriam parecer ser cheio de "escamas", mas, na verdade, tudo em que se consegue pensar é "limpeza de pele".

     

    No quesito atuação, a única certeza é a de que o elenco de The cape passa longe dos tapetes vermelhos de qualquer premiação. E, por favor, alguém avise ao Lyons – para evitar maiores constrangimentos, se é que é possível depois de cenas que transcendem o limite da vergonha alheia, como as de lutas e as de treinamento do aspirante a herói – que apenas Christian Bale consegue impostar a voz em tom "super-heróico" – estilo Batman -, sem que o personagem pareça tolo e infantil.

     

    Se o que foi apresentado no primeiro episódio de The cape – considerada uma das principais estreias dessa temporada – é tudo o que a série tem a oferecer, a NBC já pode começar a "ler" outros quadrinhos. O prestígio de O capa já não é dos melhores.

     

    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Regular

    Episodes - S01E01

    | Showtime

    Antes de assinarem seus contratos com o diabo, os atores de Friends deveriam ter lido as letras miúdas. Após a breve trégua concedida  a Cougar town, a lendária maldição que costuma minar as empreitadas televisivas dos queridinhos do Central Perk  parece prestes a se abater sobre Episodes. O amaldiçoado, no caso, é Matt Le Blanc, que interpreta a si mesmo na série criada por David Crane e Jeffrey Klarik. Apesar de espirituosa e surpreendentemente atual, a série peca pela falta de identidade e parece não ter a "pegada" para durar muito mais que uma temporada.


    Sejamos justos: da falecida Joey para Episodes há um Grand Canyon de diferença. Enquanto o spin-off  parecia diretamente saído da datada forminha de sitcoms dos anos 90, Episodes sabiamente adotou o humor esquisitinho e cheio de silêncios constrangedores  de hits como The office, Parks and recreation e Modern family. O resultado é uma série que, na pior das hipóteses, pode ser classificada como não constrangedora.


    Na produção, Sean (Stephen Mangan) e Beverly Lincoln (Tamsin Greig) são um casal feliz, apaixonado e adoravelmente britânico. Juntos, eles escrevem uma série de TV premiada, que acaba atraindo a atenção de um produtor americano, Merc. O tal produtor (John Pankow, vulgo Ira, de Mad about you) chama o casal para se mudar para Los Angeles, onde eles irão escrever uma versão americana da série ("Será uma combinação de The office com... O show de vocês!"). Os dois acabam se mudando e,  após um deslumbre inicial, descobrem que nem tudo são flores em Hollywood. Seu programa é completamente modificado, eles perdem totalmente o controle criativo e o protagonista, antes um maravilhoso ator inglês, terá que ser... Matt Le Blanc.


    A escolha do elenco foi um dos grandes acertos do programa. Os dois atores principais, apesar de levemente esquisitos, são absolutamente convincentes. John Pankow promete brilhar no papel do caprichoso e desagradável Merc, que já inspira aquela raivinha básica no espectador. E Matt Le Blanc... Bem, a julgar pelos aproximadamente dois minutos que o vemos em cena, parece inofensivo. Mas esperemos mais uns 15 minutos de atuação para tecer comentários mais profundos.


    Contudo, as verdadeiras estrelas do primeiro episódio são, sem sombra de dúvida, os babuínos corporativos Carol (Kathleen Rose Perkins), Andy (Joseph May)  e Myra (Daisy Haggard). Carol é simplesmente hilária como a típica baba-ovo-do-chefe-passivo-agressiva-capaz-de-assassinar-a-família-inteira-com-uma-chave-de-fenda-durante-a-noite.e-não-sentir-nenhum-remorso. Já May e Daisy desempenham a clássica "dupla dinâmica" formada pelo  cara de orientação sexual dúbia e a mulher com óbvios transtornos psicossomáticos. Myra, aliás, parece ter sido diretamente extraída de um episódio de Jersey Shore, e promete arrancar muitas risadas com sua expressão facial blasé ao pronunciar obviedades.


    O maior problema da série, talvez, seja a falta de uma identidade definida. Embora almeje se colocar entre as séries "modernosas", com piadas meio nebulosas e aquele quê meio awkward que parece ter se tornado receita para o sucesso na atual fase geek do mundo, a produção ainda deixa escapar algumas frases prontas meio previsíveis e transparece algumas escolhas de direção um pouco duvidosas. Desde os movimentos de câmera à (SOFRÍVEL) trilha sonora, parece que o show ainda está numa espécie de limbo cômico.


    A própria fórmula narrativa, com flashbacks e distorções temporais, também é um pouco datada e, dada a essência do programa, parece uma firula dispensável. A série ganharia mais caso investisse exclusivamente nos personagens engraçados e em diálogos espirituosos e bem escritos. Afinal, são justamente  estes os maiores trunfos de outros programas, como 30 rock e, novamente, Modern family, além da própria The office.


    No sneak peak dos próximos episódios, descobrimos que Sean e Beverly não curtem a imposição de Matt Le Blanc como ator principal. Le Blanc, por sua vez, reconhece sua inadequação para o papel, mas, a mando da produtora, é escalado mesmo assim.  Eventualmente, o personagem principal deixa de ser um pomposo diretor de internato para se tornar um instrutor de hóquei. Uma historinha que, nas mãos dos atores, pode até render umas risadas no futuro.


    Talvez seja um pouco ingênuo pensar em renovações para uma série que ainda não parece o tipo de produto cômico que o público americano gosta de consumir. Mas, aos viúvos de Friends, resta aquela torcida pelo sucesso de mais um deles. Se bem que, após o surpreendente sucesso de Cougar town e o inesperado fracasso de Studio 60 on the Sunset Strip, parece cada vez mais difícil prever o que se passa pelas mentes dos americanos. Ou duvidar da tal maldição.

     

     

    Foto: Divulgação

    POR: [Fernanda Prates]

  • Bom

    V - S02E01

    | ABC

    Sabemos que não estamos sozinhos no universo. Convivemos de maneira pacífica com nossos ilustres visitantes, trocando informações e tecnologia e pregando o respeito aos povos. Certo? Errado. Na estreia de sua segunda temporada, depois de uma longa e angustiante pausa para os mais aficionados admiradores de uma boa ficção científica, V mostrou que as relações entre humanos e extraterrestres – popularmente conhecidos como "V" – estão cada vez mais conflituosas e tensas, principalmente após o período em que o céu adotou misteriosamente uma coloração avermelhada – momento em que terminou o primeiro ano da série.  Anna não se conforma de ter perdido a prole de soldados bem diante de seus olhos (ou melhor, dentro de sua própria nave) e a fúria toma conta da líder impiedosa dos V. E todos sabem que uma mulher rancorosa é capaz de qualquer coisa. A guerra é iminente e o grupo de desertores da Quinta Coluna, agora liderado pela agente Erica Evans, do FBI, segue firme na tentativa de impedir que os nossos não tão pacíficos "convidados" exterminem a raça humana.  E, assim, V retorna com o objetivo de mostrar que pretende estender a visita de seus seres interplanetários e convocar os espectadores a se unirem contra a audiência para garantir um próspero futuro à série. A princípio, parecem estar no caminho certo.

     

    Remake do seriado homônimo lançado nos EUA em 1983, a produção da ABC soube utilizar muito bem o tempo com o fim da primeira temporada para preparar o terreno – entenda-se, investir pesado em publicidade – para seu segundo ano. Apesar da (boa) qualidade do programa e do elenco consistente encabeçado por Elizabeth Mitchell (a Juliet, de Lost), Scott Wolf (Party of five) e Morena Baccarin, brasileira naturalizada americana, V esbarrou na principal questão que afeta a maioria das séries ultimamente: o custo. Com produção elevada, a ABC apostava todas as suas fichas numa boa audiência para suprir os gastos com anúncios, mas não foi o que aconteceu. Ainda que a média de espectadores não tenha sido das piores, os padrões televisivos estão altos e são poucas as séries que conseguem resistir à pressão. E como público é sinônimo de renda para as emissoras, que, por sua vez, dependem de um bom caixa para levar adiante seus projetos, o destino de V ficou incerto. Mas a febre pelo incomum falou mais alto, e a voz do povo deu uma nova chance aos terráqueos e aos ETs, além de uma prova à ABC de que o programa tem o seu potencial.

     

    Com uma melhora substancial em seus efeitos especiais (não que fossem de todo ruim, mas, alguns, simplesmente não convenciam), V impôs novo fôlego ao seu roteiro bem desenvolvido e perfeitamente costurado com atuações impecáveis de seus atores. A destemida Erica, como sempre, se divide entre os planos da Quinta Coluna e sua preocupação com o irritante filho adolescente, Tyler, cujos hormônios à flor da pele e a falta da perspicácia da mãe conseguem afundá-lo cada vez mais entre as "asas" (ou seriam escamas?) de Anna, numa viagem que pode não ter volta. O padre Jack, cada vez mais cético, lida com seus próprios conflitos pessoais e religiosos, tornando-se ao lado de Erica um dos líderes da oposição, enquanto Ryan só consegue pensar em tirar a filha – o primeiro bebê "híbrido", fruto de uma relação entre um V e um humano – da nave mãe, e Kyle permanece focado apenas na parte prática e violenta das ações do grupo (será?).

     

    O primeiro episódio da segunda temporada de V trouxe novamente ansiedade à trama, envolta nas dualidades de seus próprios protagonistas. A isso, acrescenta-se também um novo personagem, aparentemente fundamental para os resultados de ambas as partes – terráquea e alienígena. Interessante também destacar a maneira de como V apela para a ingenuidade do ser humano, tão afoito e assustadoramente vulnerável ao desconhecido, que se permite iludir com promessas e cegar com benefícios. Em contrapartida, o seriado mostra que o livre arbítrio é a nossa principal "arma" contra nós mesmos. O vaidoso jornalista Chad, por exemplo, começa a abrir os olhos e a reconhecer em suas matérias referentes aos "V" o verdadeiro significado da presença dos extraterrestres em nosso planeta. Resta saber até que ponto – ou até a próxima manipulação de Anna – ele consegue manter a razão.

     

    Com um excelente ritmo e a exploração de todos os ingredientes de uma boa ficção científica (que incluem fenômenos inexplicáveis, alguns gênios e muita tecnologia), V, de fato, apresenta potencial para tentar aproveitar o momento em que poucas séries do gênero podem se vangloriar.  A ABC faz a parte dela; agora – e como sempre – está nas mãos (olhos, diga-se de passagem) do público.  Os visitantes não querem ir embora e os planos da "mulher-lagarto" vão muito além de uma mera dizimação humana. A julgar pelo desfecho do episódio e da participação de alguém que aparentemente pode colocar Anna "no chinelo" (a expressão "filho de peixe, peixinho é nunca foi tão bem representada), a Terra está longe de ser um lugar seguro, pelo menos por esse ano – até quando durar a segunda temporada.

     

     

    Foto: Divulgação

    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Regular

    Pretty Little Liars -S02E11

    | ABC Family

    Pretty little liars está de volta, após uma longa pausa – para o público – que deixou inúmeras perguntas no ar, sendo a principal: "quem é A?". Obviamente a questão não foi respondida logo no retorno do programa, ainda que os roteiristas nos levem a crer que sim.  Ora, a temporada não acabou e Pretty little liars não parece ser daquelas séries que confiam tanto em seu roteiro a ponto de responder o principal mistério no meio do primeiro ano de exibição. Clichês à parte, deve-se reconhecer o "valor" da produção. Uma das principais estreias da já comumente fraca meia temporada americana (de início de ano), em 2010, o seriado surpreendeu a todos (inclusive a própria emissora, a ABC Family) com um bom ritmo, elenco bonitinho e que não chega a comprometer e, principalmente, uma excelente exploração de referências explícitas. Para aqueles que ansiavam pela volta de episódios inéditos com muita expectativa, Pretty little liars marcou ponto outra vez. Conseguiu manter a (boa) dinâmica de onde parou, introduzindo novos ingredientes para apimentar a trama. Resultado: um recorde de audiência, totalizando 4.2 milhões de espectadores – para um canal fechado nos EUA, o número é impressionantemente bom.

     

    Pretty little liars não traz uma trama inovadora e chocante ou possui diálogos complexos e bem elaborados. Ao contrário. É mais uma série teen com meninas que andam na escola como se estivessem em plena primeira fila de alguma Fashion Week e onde os maiores problemas que um indivíduo pode enfrentar relacionam-se à sua vida amorosa.  É claro que entre saltos e decepções sobra espaço para algo misterioso, quase "sobrenatural". Baseada no livro homônimo de Sara Shepard, a produção conta a história de quatro amigas aterrorizadas por mensagens de texto de celular, que começam a ser enviadas ao grupo após a suposta morte de sua amiga Alison. Mas o que faz mesmo aqueles cabelos devidamente bem tratados e escovados ficarem de pé é o fato de que esses torpedos são assinados apenas pela letra "A" e contêm sempre os mais obscuros segredos de cada uma das garotas – coisas que somente Alison sabia.

     

    No último episódio antes da pausa, Pretty little liars deixou os espectadores preocupados com o estado de saúde de Hanna, atropelada logo após anunciar às amigas ter descoberto a identidade de "A" – que coincidência a falta de sorte da garota. Ao mesmo tempo, Aria e o professor Ezra Fitz decidiram deixar a vida levá-los ao romance proibido, Spencer teve que lidar com a própria consciência com o retorno do ex-namorado da irmã e Emily comemorou o retorno do pai. Se você, em algum momento, pensou ter tido um déjà vú ao assistir Pretty little liars, não estranhe. De fato, a série tem ares de Gossip girl e, por vezes, de Eu sei o que vocês fizeram no verão passado – guardadas as devidas proporções e o fato de que a produção televisiva consegue segurar a trama de maneira infinitamente melhor do que o filme.

     

    Na volta dos novos episódios, as meninas dividem seu tempo visitando Hanna no hospital – e tentando desvendar o mistério – e solucionando os seus próprios problemas pessoais. Spencer precisa se adaptar à presença, agora constante, de Ian, ex - e, agora, atual - namorado da irmã; Aria e Ezra resolvem assumir as consequencias da decisão de permanecerem juntos; e Emily consegue ser verdadeira com a família, mas enfrenta a decepção e as dúvidas dos pais.  E "A", sempre ela (ou ele), permanece rondando e deixando a pulga atrás das orelhas do quarteto.

     

    Ainda que o conceito trazido por Pretty little liars seja exaustivamente batido, a série sabe muito bem trabalhar com as suas referências de maneira direta e, acredite, nada superficial. Com uma temporada completa - ou seja, 22 episódios - garantida, a produção começa também a explorar personagens secundários da história que mostraram algum potencial para tramas futuras, como o excluído Lucas (esqueça a ideia de um nerd tímido e ingênuo), Noel – o jogador de futebol apaixonado por Aria (não seria uma série teen sem um jogador de futebol, certo?)-, a patricinha mimada Mona (por trás de toda aquela futilidade, alguma coisa consegue parecer ainda mais esquisita em sua personalidade) e Maya, amiga californiana de Emily que virou persona non grata pelos pais da menina.

     

    Por todos os clichês e estereótipos declarados que Pretty little liars apresenta, vale destacar quando a produção mantém a premissa original – sem precisar fazer alterações mirabolantes no roteiro para corrigir algo que já começou errado – e, mesmo assim, ainda consegue se diferenciar.  Que atire o primeiro controle quem nunca parou para assistir a uma série que não estivesse impregnada de expressões comuns ou que o script parecesse estar no limbo da criatividade (quando a trama não avança, nem regride, e permanece estagnada). Mas se você for daqueles espectadores despidos de preconceitos, que preferem apenas curtir o entretenimento, Pretty little liars novamente cumpre bem o papel. Resta saber se "A" tem pique e perspicácia para sustentar seu mistério por mais algumas temporadas, batendo de frente com produções mais maduras, além das inúmeras estreias previstas para este ano.

     


    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Excelente

    Sherlock Holmes

    | BBC

    Qualquer adaptação da obra brilhante de Sir Arthur Conan Doyle é uma tarefa árdua de ser realizada. Muitos tentaram. Alguns foram bem-sucedidos, outros nem tanto. Então a BBC resolve inovar e desenvolver uma versão moderna de Sherlock Holmes. O sinal de alerta é ligado no nível máximo. Por maior emissora que seja e por mais qualidade que suas produções possam apresentar, trazer um personagem rico e complexo como Holmes para o mundo contemporâneo é um tiro no escuro. E quer saber? A BBC acertou em cheio o alvo. A série é um deleite para os seguidores da mente mais dinâmica e inteligente dos contos policiais e conquista uma nova geração de admiradores da perspicácia de Holmes.

     

    Dividida em três partes – de noventa minutos cada -, a minissérie consegue conciliar elementos fundamentais da saga original (como o famoso endereço de Holmes, Rua Baker Street, 221B, além dos vícios, características e nomes dos personagens) com a dinâmica do século 21. Stefen Moffat (Doctor Who) é o responsável por essa brilhante representação do detetive e seu fiel escudeiro – Dr. Watson. Antes de tudo,  é preciso destacar o principal trunfo de Sherlock Holmes da BBC, sem o qual, certamente, o programa estaria fadado ao fracasso: as atuações excepcionais de seus dois protagonistas,  Benedict Cumberbatch e Martin Freeman.

     

    Se o nome de Sherlock Holmes não for o bastante para atrair a sua atenção às telas, faça um favor a si mesmo e comece a assistir por esses nomes citados acima. Cumberbatch pode não ser fisicamente o ideário coletivo de Holmes, mas psicologicamente, figuradamente- e mais uma gama de outros advérbios  -,  é arrebatador.  Dominando com maestria os diálogos intensos e coerentes de Moffat, o ator transmite toda a genialidade e funcionalidade do caráter simplista, porém austero, do personagem. Ele criou uma combinação perfeita entre um Holmes pouco mais conservador com o extremamente sarcástico de Robert Downey Jr., na adaptação cinematográfica de Guy Ritchie. Além disso, é carismático por natureza, mesmo com toda a formalidade britânica.

     

    Já Martin Freeman é o primeiro a ser apresentado para o público no episódio piloto, como um Dr. Watson veterano da guerra do Afeganistão. Ele sofre de trauma após retornar do conflito, o que lhe deixa sequelas psicológicas como a mão trêmula e uma perna manca que precisa da ajuda de uma bengala (olá, House). Mas a fragilidade demonstrada inicialmente logo dá lugar a um médico destemido que, na verdade, tem um vício e precisa deste para se recuperar e seguir adiante: adrenalina. É o bastante para o Dr. Watson ganhar de vez a simpatia do público. Freeman é a cereja do bolo de Sherlock Holmes,  traduzindo dramaticamente a inocência e humanidade do médico.  A química entre os atores transcende as barreiras da ficção. É quase como se estivéssemos convivendo com os personagens naquele momento, tamanha naturalidade e compatibilidade.  Na série, vemos uma dupla que se completa integralmente, e o resultado é uma sequência de cenas de primeira categoria em todos os sentidos. Destaque para os momentos em que Watson fica encantado diante da inteligência inquestionável de Holmes. Simplesmente impagável.

     

    O título do primeiro episódio, A study in Pink (Um estudo em rosa, em tradução livre), refere-se à obra responsável por apresentar Sherlock Holmes aos leitores, Um estudo em vermelho. Essa é apenas uma das muitas ótimas sacadas da produção. O programa ainda incita o espectador a participar da investigação com Holmes no decorrer da série, acompanhando seu raciocínio praticamente em “tempo real”. Isso porque, à medida que o detetive formula suas pistas e constrói uma lógica, os pensamentos são inseridos na parte lateral da tela, o que claro, é uma vantagem exclusiva de quem está assistindo. Passado o susto com a hipótese – agora bem remota – de desperdiçar uma obra consagrada com a mania da TV (e também do cinema) de modernizar os clássicos, fica a certeza de que, assim como seu personagem, Sir Arthur Conan Doyle é um gênio, e que a BBC, tal como Dr. Watson, é uma parceira eficiente.

     


    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Regular

    A cura

    | Globo

    Aproveitando a onda bem-sucedida de produções com a temática do Espiritismo, a Globo resolveu investir num tema delicado, polêmico, que aborda o conflito entre a fé e a ciência, em sua nova minissérie, A cura, que estreou nesta terça (10), na Globo. Escolha acertada. Com ares sobrenaturais, o programa marca a estreia de João Emanuel Carneiro (A favorita) como autor de séries, em parceria com Marcos Bernstein (roteirista de Chico Xavier – o filme), sob a direção de Ricardo Waddington.

    Concorrendo com obras do mesmo gênero como Escrito nas estrelas, o próprio Chico... e Nosso lar – longa baseado em um livro do médium-, A cura é um bom thriller psicológico com rompantes de paranormalidade. É notória e de se elogiar a preocupação com a qualidade da produção, bem como a tentativa de levar para a TV uma realidade de medicina próxima às imbatíveis E.R, House e Grey’s anatomy, no que diz respeito aos procedimentos cirúrgicos. Ainda falta muito para chegarmos lá, mas já começamos a trilhar um caminho.

    A sensibilidade de Carneiro, Waddington e Bernstein proporcionou aos telespectadores uma viagem mística e histórica até Diamantina, Minas Gerais, liderada pelo talento e pelas expressões de Selton Mello. Afastado da TV desde 2007 (depois de atuar em O sistema), o ator interpreta Dimas Bevilláqua, um jovem médico que descobre ter poderes espirituais de cura, mas é assombrado pela culpa da morte de um colega. Selton Mello é, hoje, um dos melhores e mais completos artistas de sua geração. Equilibrando uma veia cômica com o tom dramático, ele incorpora seus personagens de maneira única e contundente. Empresta a Dimas a seriedade de um profissional da saúde voltado para a sua missão. Ainda lhe dá a angústia de um indivíduo que é vítima do passado, e enfrenta a si mesmo ao relutar a aceitar o seu dom.

    A história tem início ainda no século 18, mostrando o vilão Silvério (um fraco Carmo Dalla Vecchia), antepassado de Dimas, durante a época de exploração do ouro e de diamantes. Desprovido de caráter, Silvério alcançava seus objetivos com resquícios de crueldade e violência incontrolada. Até o momento em que se vê amaldiçoado após matar o pajé de uma tribo. O tempo todo, A cura tramita entre o passado e o presente, o que poderia até cansar a paciência de quem assiste, não fosse a direção segura de Waddington e personagens ricos interpretados por um bom elenco encabeçado por Ary Fontoura, Andréia Horta, Ana Rosa, Caco Ciocler e Nívea Maria.

    Percebe-se claramente a ideia imposta pelos autores da jornada cármica a qual Dimas está predestinado, para acertar as contas de Silvério. Ao voltar para a sua cidade natal, ele precisa confrontar uma população que o acusa de assassino e lidar com o fato de que sua impressionante habilidade com diagnósticos (mais alguém se lembrou do querido e irônico House?) está ligada a um dom extraordinário. O clima sombrio e pesado de A cura transporta ao momento vivido por Dimas, perdido entre suas crenças e a realidade.

    Na época do "nada se cria, tudo se copia", onde falta o frescor de histórias bem elaboradas e originais, A cura pode até não ser dinâmica e inteligente como House, ou misteriosa e envolvente como as histórias de Stephen King, o mestre do suspense, ou ter o apelo de Chico Xavier, mas tem lá seus atributos.

    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Bom

    Os pilares da Terra

    | Starz

    Intrigas, romance, drama, traição, Igreja. Estão aí todos os ingredientes para um bom drama épico. Nada diferente do que somos apresentados em Os pilares da Terra, minissérie em oito capítulos adaptada da obra literária homônima escrita por Ken Follett, publicada em 1989. 

    Exibida pelo canal Starz, Os pilares da Terra é arrebatadora a seu modo. As ambições políticas, eclesiásticas e sociais dos personagens de Follett foram sistematicamente incorporadas pelo elenco seguro e talentoso. A violência excessiva, como em toda boa história passada na Idade Média, é complementada pelo caráter emocional das atitudes dos indivíduos da obra, estimulando sentimentos controversos e questionadores nos espectadores, totalmente envolvidos pelo roteiro bem costurado por John Pielmeier (que também atua na produção). É preciso lembrar que a série é uma adaptação, o que, portanto, não significa seguir à risca a obra original.

    Inglaterra, século 12. O navio que levava a bordo William, o único herdeiro de Henrique I, naufraga sem sobreviventes. Como o rei já estava em idade avançada, inicia-se a luta pelo trono inglês conhecida como Anarquia. A partir daí, somos apresentados a personagens históricos, cruéis e carismáticos. Quando Stephan (Tony Curran), o sobrinho do monarca, é coroado, Matilda (Alison Pill), a princesa, e alguns amigos leais de seu pai se voltam contra ele. No meio da briga familiar, Follett nos oferece uma segunda história paralela, que consiste na construção da primeira catedral gótica da Inglaterra, a fictícia Kingsbridge Cathedral.

    Com direção de Sergio Mimica-Gezzan (que comandou alguns episódios de Battlestar galáctica), a série tem os irmãos Ridley e Tony Scott na produção. A belíssima fotografia nos remete simultaneamente aos tempos áureos da nobreza e à miséria e falta de perspectiva da plebe. O time escalado para dar vida às criações do autor, com um sincero Donald Sutherland (como o Conde Bartholomew, melhor amigo do rei) e o honesto Tom, O Construtor (interpretado por um Rufus Sewell completamente despido da já corriqueira imagem mesquinha da maioria de seus personagens – por sinal, históricos) conduz seus papéis magistralmente, nos emocionando, chocando e, até mesmo, praguejando (ninguém é de ferro).

    Destaque para o núcleo do Clero, muitas vezes generalizado e outras, caricato, em determinadas produções. Gezzan não se intimida em lidar com as ambiguidades e o cinismo de algumas figuras religiosas, proporcionando alguns dos diálogos mais simbólicos e repulsivos da trama. Tudo trabalhado com muita seriedade pelos brilhantes Ian McShane, o padre Waleran que ambiciona virar bispo acima de tudo (e de todos, é importante ressaltar), e Matthew Macfadyen (para quem não lembra, o romântico Mr. Darcy de Orgulho e preconceito), que vive o ingênuo, porém seguro (até o momento) de seus ideais, padre Philip. Ambos retratam o paradoxo religioso de uma época em que a vontade de Deus se sobrepunha , às vezes, aos direitos do homem.

    Aguardada com muita expectativa pelo canal (que não é lá uma HBO), Os pilares da Terra não decepciona (pelo menos por enquanto) quem espera um entretenimento com uma boa dose de história, sangue e lágrimas. Com a segunda temporada já garantida, também adaptada do que é considerado o segundo volume da saga criada por Follett, intitulado World without end, fica a esperança de que os produtores saibam unir continuamente o roteiro com os livros, apesar das modificações inevitáveis. À primeira vista, a qualidade e o potencial do programa são indiscutíveis e para nobre nenhum colocar defeito.

     

     


    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Regular

    Haven - piloto

    | Syfy

    Adaptar qualquer obra de Stephen King, o mestre do terror, não é mole, não.  É claro que podemos ser surpreendidos com clássicos como Carrie, a estranha, O iluminado e À espera de um milagre, mas é sempre melhor deixar a história com o seu próprio autor, sem se aventurar por derivados ou versões genéricas. Quando Haven foi anunciada pelo canal Syfy como uma das estreias da summer season (a chamada temporada de verão para a TV americana), havia certo receio. Afinal, uma série de suspense e acontecimentos paranormais baseada numa obra de um dos gênios do gênero seria produzida por um canal especialista no assunto.



    Haven já começa com uma falha notória e incômoda: os fracos efeitos especiais. Tudo bem que não estamos falando de Hollywood, mas há muito as séries deixaram de correr atrás das produções cinematográficas e passaram a se aprimorar em suas produções. Algumas, inclusive, são consideradas obras-primas (HBO segue na liderança nesse quesito). Orçamento também não pode ser usado como desculpa, porque estamos falando de Stephen King. O cara é, simplesmente, um dos "pais" dessas coisas de fumaças, neblinas, habilidades especiais e situações inexplicáveis. Portanto, se é para fazer uma série baseada em uma de suas obras, é preciso ter a consciência da qualidade do conteúdo que será adaptado. No decorrer do primeiro capítulo, algumas mudanças climáticas abruptas até são aceitáveis, mas é só os efeitos começarem a melhorar de um lado para as atuações de alguns atores estragarem de outro.

     


    Quando a agente Audrey Parker (Emily Rose) é designada para capturar um criminoso que havia fugido da prisão e, ao que tudo indicava, seguia em direção à sua cidade natal, Haven, ela mal poderia imaginar que aquela pequena comunidade pudesse esconder tantos segredos. Ao chegar ao lugar, seu carro quase cai em um precipício (depois de a estrada começar a se rachar de maneira totalmente vergonhosa em termos visuais, vale destacar). Até que um dos policiais da cidade, Nathan Wuorcos (Lucas Bryant), chega, claro, exatamente na hora para resgatá-la. A química entre Rose e Bryant certamente não é das piores da TV, mas há uma diferença exorbitante em termos de interpretação na dupla. Enquanto Rose leva com bastante naturalidade a sua agente Parker, Bryant permanece apagado, apático, quase uma sombra.



    No fim do episódio, descobrimos que há uma razão misteriosa para o chefe de Parker tê-la mandado para Haven. Acabou sendo um bom gancho para um piloto meio frustrante. O caso foi resolvido com uma rapidez recorde e os personagens coadjuvantes poderiam muito bem ter passado despercebidos para evitar atuações constrangedoras. O fato é que a obra de King é envolvente, instigante e surpreendente, coisa que Haven, a princípio, não foi. Claro que ainda há, pelo menos, mais 10 episódios para contornar a situação, mas o problema é se a série resolver seguir pela linha de casos específicos com um arco em volta. Poucos programas conseguem levar sua audiência dessa forma. O roteiro precisa estar bem definido e a trama necessita de personagens carismáticos. A primeira impressão de Haven não condiz com o legado de King, mas alguns momentos do piloto ainda permitem certa expectativa para o que vem a seguir. Assim esperamos e o mestre, também.

     


    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Fraco

    The Gates - piloto

    | ABC

    Vampiros são seres extremamente interessantes e instigantes,  garantia de sucesso em qualquer tipo de obra, desde que, claro, de maneira bem-feita. Não é o caso de The Gates. A nova série vampiresca exibida pela ABC traz uma crítica enfadonha de banalidades sociais em torno de personagens míticos como os sanguessugas, lobisomens e bruxas. O conceito nem é dos piores, mas a realização é equivocada, sem graça e deturpada.

     

    The Gates é um condomínio de luxo, "mais do que um lugar para se morar", de acordo com o próprio slogan, onde seus moradores nem precisam sair de casa para conseguir o que desejam. Ou seja, quase uma fortaleza nobre. Mas o que está por trás de toda a "segurança" idealizada pelo lugar é a existência de indíviduos um tanto quanto fora do normal - que vivem em bandos (como os lobisomens), clãs de vampiros ou covens, no caso das bruxas. Tudo isso, claro, maquiado por uma imagem de famílias normais e conservadoras. As coisas mudam quando um novo chefe de polícia é designado e começa a desconfiar que há algo mais na cidade além de donas de casa inofensivas com seus clubes de leitura e spas e maridos empresários.

     

    Perto de tudo o que já passa (e passou) na TV, The Gates até poderia ter alguma expectativa bem-sucedida, mas, a julgar pelo piloto, não passou de frustração. Começando pelos atores, visivalmente superficiais, e suas falas mecânicas que não conseguem produzir outra reação no público a não ser sono e impaciência. Frank Grillo e Rhona Mitra formam um casal de vampiros dos mais clichês e, pior, sem sal. Sério, pense num filme bem trash. Pois a atuação de Mitra no primeiro episódio consegue superar essa irreverente barreira. Mas sejamos justos. A direção e as cenas da família de caninos afiados também não ajudam a reverter a péssima primeira impressão.

     

    Tudo em The Gates é muito rápido, o que irrita profundamente pelo fato de não ter uma dinâmica lógica e sensata, prejudicando visivelmente a qualidade da trama. As histórias não são bem desenvolvidas e quem espera uma história sombria, cheia de suspense e reviravoltas se decepciona com as piores sacadas vampirescas e sociais. Até mesmo os lobisomens e as bruxas ficaram caricatos. Enquanto os inimigos mortais dos vampiros aparecem como um bando de adolescentes tentando se controlar, aquelas dotadas de magia possuem lojas de elementos místicos e vendem ervas e chás. E não pense que o objetivo dos criadores da série é construir uma trama repleta de caricatura, ironias e sarcamos porque não é. O que faltou mesmo foi criatividade e originalidade para abordar o tema.

     

    Com a onda Crepúsculo, a maioria acha que falar de vampiros é colocar alguém de charme irresistível e caninos sobressaltados para o público ficar fascinado. The Gates conseguiu a façanha de ridicularizar o gênero, que outras séries com a mesma temática, como True blood e The vampire diaries, seguem levando com desempenho e roteiro muito superiores.

     


    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Bom

    Ti ti ti

    | Maria Adelaide Amaral (texto)

    Remakes, atualmente, não têm como dar errado. A não ser que o original seja uma obra televisiva intocável - refazer Irmãos Coragem e Pecado capital, como aconteceu nos anos 90, era apostar alto demais no fracasso. No caso de Ti ti ti, trama de 1985 que se sustentava por uma história moderna, bem contada e fácil de ser atualizada para qualquer época, a chance de um tiro n água era muito pouca. E foi o que se viu no primeiro capítulo, que chegou aos 29 pontos no Ibope, mas tem tudo para ser superado e voltar a atrair atenções para o horário das 19h - combalido não apenas pelas atrações dos outros canais, mas também pela concorrência das redes sociais (por sinal, vale lembrar que Ti ti ti tem um Twitter, assim como as novas tramas da Globo).

    Ti ti ti ainda tem outra vantagem. Como boa parte dos textos assinados por Cassiano Gabus Mendes - no caso, aqui, retrabalhado pela eficiente Maria Adelaide Amaral  - era uma trama real, mas que estava aberta para situações excêntricas, exageradas e atemporais. Enfim, uma comédia, mas com tons dosados, e sem grandes pretensões. Basta retrabalhar o texto nos lugares certos, modernizar detalhes e escolher atores bem-humorados e preparados, muito embora substituir nomes da qualidade de Luiz Gustavo, Reginaldo Faria (a dupla de rivais Ariclenes/Victor Valentim e André Spina/Jaques Leclair) e Marieta Severo (Suzana, ex-mulher de Ariclenes, interpretada por Malu Mader) seja complicado. 

    Felizmente, tudo parece no lugar. Murilo Benício, fazendo o personagem que um dia foi de Luiz Gustavo, mandou bem. Imitou a maneira de falar e até o andar do ator em alguns pedaços da trama. O que já alivia qualquer telespectador que pôde assistir à novela em 1985, levando em conta que o veterano Luiz sabe direitinho onde está o limite entre a comédia e outros estilos - e Benício costuma oferecer a seu público atuações irregulares, com tons inadequados. Por sorte, seu personagem não é exatamente um galã. Já Alexandre Borges, fazendo o inimigo de infância de Ari, Jaques Leclair/André Spina, deu um tom mais cômico e diferente ao personagem. Em certos detalhes, o que já era perfeito sequer foi tocado: a abertura do original, por exemplo, era uma obra-prima (tecnicamente moderna para a época, aliás) e foi apenas retrabalhada.

    Outras atuações paralelas impressionaram em suas primeiras aparições, soando como homenagens aos atores que deram vida aos personagens em 1985. Malu Mader soou como Marieta Severo ao encarar o papel de Suzana. O malandro paulistano Chico, braço direito de Ari, foi relido pelo novato Rodrigo Lopes e lembrou a atuação de José de Abreu no mesmo papel em 1985. Já outro novato, Humberto Carrão, tornou Luti, filho de Ari e Suzana, um personagem mais leve que o interpretado por Cassio Gabus Mendes na versão original. Se continuar assim - e a julgar pelo engraçado reencontro da dupla Ariclenes/Leclair em clima de faroeste  - Ti ti ti garante bom humor e bom Ibope no horário das sete. Ainda mais quando o próprio Luiz Gustavo reaparecer na novela, interpretando o atrapalhado detetive Mario Fofoca, de outra trama história de Gabus Mendes, Elas por elas (1982).

    POR: [Ricardo Schott]

  • Excelente

    S.O.S Emergência

    | Daniel Adjafre - Globo

    Que atire agora o roteiro pela janela o humorista que já tentou, tentou e não conseguiu escrever um seriado que preste. S.O.S. Emergência, que pegou a tarefa ingrata de suceder o BBB de Marcelo Dourado no fim das noites de domingo, na Globo, vem atravessando os meses cada vez melhor – e com seus escritores orgulhosamente felizes. Os bastidores do ficcional e divertidíssimo hospital  Isaac Rosenberg, descritos pelo autor Daniel Adjafre, alimentado pela dinâmica de teatro, são ouro fino no pobre menu televisivo. Entre as novidades no terreno movediço, o irregular, pálido, exagerado e desidratado Separação, de Fernanda Young e Alexandre Machado, às sextas-feiras, sublinham ainda mais os méritos de Adjafre, amparado pelo emergente Marcius Melhem. A dupla tem estofo junta. Já atuou no bom Casos e  acasos, de 2008.


    Dirigido por Mauro Mendonça Filho, o seriado tem um elenco que faria Dunga ter pensado melhor ao escalar sua seleção para a Copa. Estão lá os craques Ney Latorraca (Dr. Solano), Marisa Orth (Dra. Michele), Maria Clara Gueiros (Dra. Veruska), Bruno Garcia (Dr. Wando), Cláudio Mendes (Dr. Stênio), Hugo Possolo (Dr. Brenon), Fábio Lago (enfermeiro Anderson) e Fernanda de Freitas (assistente social Evelin). Junta ou separada, essa turma, coadjuvada por Pedro Henrique Monteiro (residente Diego), Renata Tobelem (residente Cissa) e Mariana Bassoul (recepcionista Rosário), parece fazer comédia ao vivo. O tempo do humor é perfeito, as tiradas soam originais e os desfechos, inusitados.


    Há claramente um grande esforço em se desengessar do formatinho da Globo, o de sempre para sempre. Tanto que, a cada semana, a abertura gráfica do seriado muda, surpreendendo a quem espera o padrão da emissora da repetição. Quando se começa assim, com o cajado da inovação na mão, a tendência é subir uma escada na grade. Se acertar, vai longe. E acertou.


    Que Marisa Orth e Ney Latorraca fossem bater escanteio e cabecear, tal qual o uruguaio Forlan, craque da Copa, já se esperava. As surpresas vieram de nomes como Bruno Garcia, o Dr Wando. Bonachão, com charme do médico esperto e vaidoso, ele anda pelos corredores do hospital brilhando sozinho, carregando todo mundo nas costas.  Seus textos são certeiros, com diálogos apontados para um humor moderno à la David Letterman, caras, bocas e cordão brega apontando para manejos tortuosos, ácidos e imediatos. Fernanda de Freitas, a Evelin, assistente social nerd, caipira e insegura, é o charme do seriado. Mesmo nos últimos episódios com menos exposição, é peça fundamental na trama, ponte entre as sequências desastrosas no hospital.


    As desventuras vão desde uma eleição da musa do hospital a um exame de próstata, cruzando com o aniversário do diretor (Dr Solano), Latorraca, este no ponto como o comandante sem rumo dos desmandos do hospital. As câmeras perpassam todos os setores, da emergência à maternidade, estabelecendo uma relação íntima entre o espectador - que como poucos conhece a escuridão dos hospitais públicos - e as estrelas do seriado, que trazem a bordo da maca o mundo lá fora para a mesa cirúrgica do humor.


    Desnudam-se assim, de forma pouco ortodoxa, os vexames e humilhações aos quais os pacientes são submetidos no dia a dia da rede pública. O que era para ser um tema incômodo, que aqui não é escondido, ainda que se tratando de um hospital particular, vira um manancial de boas piadas, de ligações fortes com a boa safra setentista de Jô Soares e guindado ao futuro. É nessa conjunção de épocas que se situa o S.O.S. Emergência da Globo.


    Ao fazer do clichê lixo cirúrgico, o seriado dominical da Globo desponta 2010 como o grande programa de humor da TV. Exemplo que, mesmo guardando as diferenças estéticas, conceituais e de intenções, faz de outras recentes tentativas de humor como o chatíssimo CQC, da Band, envergonhar-se de seu festival de piadas prontas, descabidas e autoreferentes. Ao ignorar tudo o que se faz na TV em todos os seus módulos, o S.O.S. Emergência trata de um mal que acomete a produção de risadas nacional: o medo de arriscar.


    Veja trecho do episódio Dos males, a menor:

     


    POR: [Mario Marques]

  • Bom

    Pretty Little Liars

    | ABC Family

    Um grupo de amigas, suspense, drama e mensagens de celulares. Não, não estamos falando de Gossip girl. O assunto da vez é a mais nova série da ABC Family, Pretty Little Liars, uma das estreias televisivas desta temporada de verão. Com boas atuações, ótima química entre o elenco e muitos clichês, Pretty Little Liars já caiu na boca e no gosto do povo. Tanto que a emissora, que havia encomendado apenas 10 episódios inicialmente,  fez o pedido oficial para mais 12, totalizando uma temporada completa de 22 capítulos.

    A trama em si não traz muitas novidades e  percebe-se em Pretty Little Liars inúmeras referências. Aria, Alison, Hanna, Spencer e Emily formam um grupo inseparável de amigas, as garotas mais populares da escola (começa aí a contagem progressiva de clichês). Até o dia em que Alison (a líder do grupo) desaparece e o fato muda completamente a rotina das adolescentes. Passado um ano desde o sumiço de Alison, as vidas de Aria, Hanna, Spencer e Emily nunca mais foram as mesmas.

    Quando Aria retorna da Europa, após passar um ano fora com os pais, as quatro se veem envolvidas novamente, a partir do momento em que a polícia descobre o suposto corpo de Alison. A descoberta aproxima as meninas, que começam a receber mensagens de celulares ameaçadoras de alguém que parece saber todos os segredos sórdidos do grupo e se autodenomina "A". Seria Alison? Mas como é possível se ela está morta?

    A partir daí, num clima meio Eu sei o que vocês fizeram no verão passado e Segundas intenções, somos atraídos para as vidas dessas quatro adolescentes que parecem saber (e, claro, esconder - alô, Gossip girl) muito mais do que demonstram. Mesmo com aquela sensação de já ter visto algo bem parecido na TV (o que não é muita surpresa), Pretty Little Liars até tem seus (bons) momentos e dois trunfos: um ótimo ritmo e o jovem, porém experiente, elenco.

    As histórias são bem desenvolvidas e interligadas, de modo que o roteiro consegue prender e surpreender, ao mesmo tempo, o espectador. Para os mais saudosos, o elenco marca o retorno da atriz Holy Marie Combs (a Piper do extinto seriado Charmed), no papel da mãe de Aria, vivida por Lucy Hale (Privileged). Ainda na família da adolescente, Chad Lowe (irmão de Rob Lowe) é o patriarca. Laura Leighton, de Melrose Place,  também está na equipe, como a mãe de Hanna.

    Baseada em um livro homônimo de Sara Shepard, Pretty Little Liars é aquela série do tipo "mais do mesmo", mas que soube usar todos os clichês e referências a seu favor, aliada a uma trilha sonora atual e dinâmica. Como toda trama adolescente americana, a polêmica é o carro chefe de um roteiro que sabe misturar drama e romance com suspense e prazer. Em meio a reviravoltas, somos bombardeados com alguns tabus da adolescência, como relação com o professor, homossexualismo, bullying e a preocupação com o corpo, que se tornam uma combinação eficiente para atrair a atenção dos hormônios da audiência.

    O desafio da série é mostrar competência para levar uma trama dependente de um mistério com histórias paralelas que se cruzam. Foram muitos os programas que se perderam rapidamente em meio a avalanche de informações divulgadas precocemente ou o oposto. O que acontece quando o desaparecimento de Alison for solucionado e o responsável pelas mensagens for pego? Aos espectadores, resta acompanhar os próximos capítulos. Com o objetivo único de entreter - e aproveitar a pausa das demais séries em exibição para conquistar os espectadores e manter-se fiel ao gênero teen televisivo - até que Pretty Little Liars desempenha bem a função.

    POR: [Juliana d'Arêde]

  • MuitoRuim

    Na Forma da Lei

    | Antonio Calmon (texto)/Wolf Maya (direção)

    Séries policiais brasileiras costumam trazer para dentro de seu texto uma boa dose de tons políticos. E com Na forma da lei, que estreou na Globo nesta terça (15), está sendo exceção. O roteiro trata, em parte, de um playboy (Marcio Garcia), filho de político (Luiz Melo) que cometeu vários crimes - um deles, no passado, contra o noivo de uma então estudante de direito (Ana Paula Arosio) que, sete anos depois, já formada, é promotora e amiga de vários nomes "intocáveis" do direito. Uma trama de corrupção que envolve um delegado com rabo preso (Ailton Graça) e um jornalista-herói (Samuel de Assis). O que poderia ser uma história social, quase sempre acaba por ganhar características de luta entre opressores e oprimidos, um subtexto que tem a cara do Brasil. Se a série de Antonio Calmon vai cair no lugar-comum, difícil dizer - mas,seja como for, há muito o que aprender com a própria Força-tarefa, exibida pela Globo há pouco tempo, e que foi evoluindo com o tempo.

    Temas como corrupção e crimes políticos, para quem já tem idade para ter visto bastante coisa, dão certa depressão quando levados à televisão - sempre fica uma certeza, justificada, de que nada tem jeito. Com a declaração do diretor Wolf Maya de que a série pretende ter semelhança com crimes reais, então, a sensação aumenta. Até que se desenvolva algo mais concreto na série, Na forma da lei é garantia de algumas atuações seguras (em especial a dupla de pai e filho, Luis Melo e o não-galã Marcio Garcia), performances convincentes (Ana Paula Arosio) e alguns atropelos - como Luana Piovani, interpretando uma delegada mãe de família que ganha um estranho tom cômico, caricatural. Vamos ver a partir da próxima terça (foto: TV Globo/Marcio de Souza).

    POR: [Ricardo Schott]

  • Fraco

    Central da Copa

    | Tiago Leifert (apresentador)

    Gênio, um inovador, uma carinha para se prestar atenção na grade da Globo. Tiago Leifert pisou o campo com a bola nos pés e a crítica aos seus pés. Mas seu Central da Copa, no fim da noite da emissora, virou a Espanha da TV. Chegou cheio de referências, elogios, unanimidades e decepcionou na hora H. Confuso, perdido, caído numa areia movediça de informações, Leifert está sendo tragado pelo formato tosco que ajudou a criar.

    Ele dirige uma plateia desanimadíssima e cansada, sabe-se lá como a escolhe e, pior, termina todo dia o programa cheio de perguntas a responder. Na segunda-feira (15), com Luciano Huck postado à frente, foi engolido pelo som de um grupo de músicos que não chegou a apresentar – ainda bem. Numa onda Pânico na TV depois da pneumonia, o adereço não adicionou nada ao programa. Ao contrário. Tornou-o mais esquisito.

    A tentativa da Globo é clara: desengessar seu jornalismo esportivo, parecido com o padrão SportTV nos últimos anos, descontração e improvisação. Mas não soa natural. Tudo é meio forçado. E Leifert, esforçado, não tem cancha para segurar o amontoado de acontecimentos tudo-ao-mesmo-tempo-agora. Acontece tanta coisa no programa, tantas pautas sem pé nem cabeça, que não se compreende exatamente o que é o Central da Copa. Um balanço, um show de comédia de futebol, uma atração jornalística.

    Agora vamos ser justos:  o que está no entorno de Leifert também não ajuda. Alguém disse para o ex-jogador Caio que ele é comentarista. Toda vez que você vê um jogador ou ex-jogador de futebol dando uma opinião você sempre espera algo ao qual não está acostumado. Afinal, ele viveu dentro do campo e pode olhar e traduzir um lance de uma forma completamente distinta da que nós, mortais, vemos. Pois Caio consegue ser a Central do Clichê. Tudo o que ele fala a gente já ouviu. Nesta segunda, talvez o pior momento do novo programa desde que foi ao ar, tascou que a seleção brasileira era “100% transpiração e 0% inspiração”. Decerto ele ouviu essa frase de algum comentarista não-jogador. Doeu. Caio é, portanto, peso morto. Ainda que fosse um festival de clichês, esperava-se dele o ritmo meio palhaço meio comédia de Leifert. Que, aliás, o cunha de Caião.

    Leifert também não é a figura carismática que veículos de TV e blogs venderam – em São Paulo. Ele se perde nas câmeras, uma no alto e outra à frente, não avança demais nas entrevistas com a plateia e, por vezes, vai do nada a lugar nenhum. A última envolveu uma bela moça: “E aí, tudo bem?”. Ela: “Mais ou menos. Te segui e você não me seguiu no Twitter”!. Sem graça, Leifert saiu de mansinho e falou outra bobagem qualquer.


    Pano, cortina, tudo rápido.


    O rapaz, de 30 anos, ainda comprou o barulho da emissora ao querer barrar o avanço do movimento “Cala Boca Galvão” mundo afora. Contou com detalhes  a história da multiplicação do bordão no exterior que levou o narrador ao trend topics do Twitter numa clara tentativa de tornar a situação engraçada aos olhos da Globo. Não é. Tanto que não durou mais do que dois minutos uma faixa levantada pela torcida no início da transmissão do jogo Brasil x Coreia do Norte. Galvão não gostou, a Globo não gostou. E agora seguem todos a estratégia colegial do “Ha ha ha” para um apelido extremamente incômodo. Não vai colar. Veja o vídeo abaixo. É patético. Pior: o "Cala Boca Galvão" continua lá no cume do Twitter.

    Central da Copa lembra o primeiro ano do Big Brother Brasil. Todo mundo meio aéreo, Marisa Orth catatônica. Mas tudo mudou e melhorou.  A Globo deveria mexer já no programa, apesar de, diz-se por aí, a audiência ser satisfatória.  Está claro para Leifert, que comanda uma maquininha digital para mostrar nada, e para a plateia que o programa é uma bela de uma bomba.

    Acaba que a paciência do espectador de Central da Copa é comparável à que a torcida do Vasco tem com Phillipe Coutinho. O moleque erra nove entre 10 passes, mas venderam que ele é craque. Então vamos esperar que um dia a genialidade aparece. De ambos.

    Veja um trecho do Central da Copa de segunda-feira.

    POR: [Mario Marques]

  • Excelente

    The end

    | Lost

    Há seis anos, uma série da ABC chamou a atenção do público com o episódio piloto mais caro da história da televisão (entre US$ 10 e US$ 14 milhões). A trama, que trata de um grupo de pessoas que sobreviveu a um acidente aéreo em uma ilha deserta, com o passar do tempo, adicionou camadas de complexidade, pegando emprestado elementos de terror, suspense, ficção científica, metafísica, comédia e romance. Lost mudou a cara da televisão, trazendo para os seriados altíssimos valores de produção, trilha sonora orquestrada, performances brilhantes e profundidade literária. O fim do seriado, The end, ainda que não satisfaça a todos os espectadores, foi uma conclusão digna para os personagens, as verdadeiras estrelas do programa. Nos EUA, o polêmico episódio levantou a audiência do seriado para 13,5 milhões de espectadores, superando Sopranos. É a maior audiência que a série registrou desde a terceira temporada. Na segunda temporada, Lost atraía mais de 20 milhões de pessoas para a ilha. No Brasil, o AXN registrou mais de 5 pontos de audiência, uma média muito superior à do canal, que orbita 1 ponto. Quem não viu ainda, atenção, é impossível evitar spoilers.

    The end se divide em dois núcleos, como grande parte da sexta temporada: De um lado, Jack, Kate, Sawyer e Hurley tentam impedir o Monstro de Fumaça (ou MiB, ou “fLocke”). Nesse arco, se concentra toda a ação do episódio. Jack, confiante como o novo Jacob, traça um plano para matar Locke e tudo se encerra em uma climática troca de socos à beira de um precipício, com a ilha se desfazendo. Do outro lado, o universo paralelo, no qual Desmond Hume orquestra uma trama para fazer todos os sobreviventes se lembrarem de quem eram, de fato, no universo original. No fim do episódio, Christian Shepard revela que esta realidade era uma espécie de purgatório, que os sobreviventes do voo 815 da Oceanic Air criaram para se ajudar a superar os problemas que tiveram em vida e seguir em frente.

    Não, todos não estavam mortos desde sempre, como diziam os fãs no auge da segunda temporada, quatro anos atrás. Christian deixa claro que alguns morreram antes de Jack (Boone, Shannon, Sayid, Locke) e outros morreram muito tempo depois (Hurley, Ben, Sawyer, Kate, Claire), e este intervalo entre a vida e a morte é um lugar sem tempo, no qual o mais importante é aceitar. O recado de Damon Lindelof e Carlton Cuse, criadores da série, é tanto para os personagens quanto para os fãs.

    Na trama deste universo, Jin e Sun se recordam quando vêem, na tela do ultra-som, a filha, Ji-Yeon e voltam a falar inglês, como aprenderam em suas vidas originais. Charlie, em um momento comovente, se lembra de sua história com Claire quando a vê com seu bebê, Aaron. A trilha sonora de Michael Giacchino capricha nas orquestrações e atinge as notas certas e amplifica a emoção de ver, pela última vez, estes personagens.

    Um dos pontos altos do episódio e da série é quando John Locke constata que pode mover as pernas após a cirurgia para consertar a coluna. O ator Terry O’Quinn entrega a performance de sua vida enquanto o homem, plácido e inofensivo, num leito no hospital se lembra de sua outra vida, repleta de tristeza, raiva e sofrimento. Ao mesmo tempo, o personagem é invadido pela paz de saber quem é e poder seguir em frente. A sexta temporada inteira colocou Terry O’Quinn como o Monstro de Fumaça e é um alívio ver o John Locke doce e cheio de fé das primeiras temporadas de volta.

    O núcleo da ilha se desenvolve com ação e uma intensa luta entre Jack e o Monstro. Quando Jack finalmente derrota o adversário, é impossível não pensar em Across the sea, o antepenúltimo episódio, que aprofundou o personagem, humanizando o chamado “vilão” da série. Não foi um Monstro que desabou do penhasco, mas sim um homem que passou sua longa vida tentando escapar da ilha, desesperado, frustrado e furioso.

    A decisão de Jack de se sacrificar para salvar a ilha e deixar Hurley no comando é um fim digno para os dois personagens. O médico, obcecado em consertar tudo e todos, consegue, em seu ato final, cumprir sua missão de salvar a ilha e seus amigos, enquanto Hurley, geralmente o alívio cômico, ganha poderes em função de sua habilidade de cuidar das pessoas. Seria interessantíssimo saber como se desenrolou o mandato de Hugo Reyes no posto de novo Jacob.

    Lost não respondeu todos os mistérios, mas essa não é a ideia. Desde sempre, foi uma série de personagens com muitos mistérios. No fim do episódio, o telespectador sabe exatamente quem são Jack, Hurley, Kate, Sawyer, Desmond, Charlie, Claire e todos os outros: personagens verdadeiramente tridimensionais, humanos, repletos de falhas e redimidos por suas poucas qualidades.

    A última cena da série é praticamente o inverso da primeira. Jack, cambaleante, quase morto, tropeça pela floresta até cair no mesmo lugar no qual acordou, seis anos atrás. Até o labrador Vincent, que despertou Jack no episódio piloto, ressurge da selva e fica ao lado do cirurgião. O sorriso final de Jack vendo o avião com Sawyer, Kate, Miles, Richard, Claire e Lapidus decolando da ilha é tocante. A série acaba com os olhos do personagem se fechando, os mesmos que, ao despertarem, deram início à série que mudou tudo.

    http://images.orkut.com/orkut/photos/OgAAAKGLYQcHn4sRZH-sONJxK6dXb33RVeosSiqP3ovD7YVDe4XXq4SIwV5fgkAkMjPWfel9TVIYvdzUS6jIQrlhhdYAm1T1UCPaSGSSJMPVq2uj1AbLHS7gb2tM.jpg

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Regular

    Passione

    | Silvio de Abreu (Globo)

    Se o trauma foi muito grande com Terra nostra, é melhor ter atenção ao pisar no fresco e italiano terreno de Passione. A nova novela de Silvio de Abreu estreou nesta segunda (17), apresentando elenco estelar ainda com pouco entrosamento, bonitas paisagens maquiadas de São Paulo e um infeliz sotaque macarrônico. A trama principal gira em torno de Bete, interpretada por Fernanda Montenegro com a força de sempre. O marido da personagem confessa, antes de morrer, que o filho que ela acreditava morto, na verdade, havia sido mandado para a Itália ao nascer. Trata-se de Antonio (Tony Ramos), que vive extraordinariamente feliz como um camponês na Toscana.

    Cenas de montes verdejantes da Itália para lá, paisagens urbanas de São Paulo para cá e o primeiro capítulo se perde muito, compreensivelmente, a explicar sua trama principal. Passione abusa das cenas de Bete abrindo o coração para a vilã Clara (Mariana Ximenes), na mais pura inocência, e a competição entre os filhos para assumir o comando da empresa deixada pelo pai. O tédio não se instaura justamente pela atuação da dama do teatro, comedida e emocionada, que faz Mariana parecer somente um boneco de cera de belos olhos, estática ao lado da patroa.

    Fred (Reynaldo Gianecchini) completa a dupla de jovens vilões com a moça. Na primeira aparição juntos, rolou até tapa na cara em meio a beijos furiosos, mas falta muita química ao casal para se equiparar a Cláudia Abreu e Bruno Gagliasso em Celebridade. Gianecchini teve uma atuação oscilante, mas, caso entre nos eixos, destilando cinismo e encaixando os erros de português, o charmoso e perigoso Fred pode marcar a carreira do rapaz. Vera Holtz é Fátima, a feirante mãe do trambiqueiro, completamente descrente do próprio filho, ótima em cada fio do cabelo branco - embora o sotaque seja o mesmo de sempre.

    Entre os maus, há ainda Saulo (Werner Schünemann), filho sedento pelo reinado da metalúrgica deixada pelo pai, um vilão assim meio sem querer. Casado com Stela (Maitê Proença), o homem é traído todo o dia pela mulher, que aprecia os rapazes mais novos. O papel não caiu bem à bela Maitê, que nas duas frases que trocou com seu jovem affair, forçou tanto a barra a ponto de se constranger.

    Do outro lado, sempre presente quando se trata de uma novela de Silvio de Abreu, há o núcleo novo rico, predisposto a balançar gafes e mau gosto a qualquer momento. E que promete. Irene Ravache (Clô) e Francisco Cuoco (Olvao), com o perdão do clichê, roubaram a cena do casamento entre Jéssica (Gabriela Duarte) e Berillo (Bruno Gagliasso), italianinho que veio ao Brasil tentar a vida e deixou a mulher Agostina (Leandra Leal) e filho na terrinha a comer pães.

    De volta à Itália, as coisas ficam mais estranhas. Invariavelmente felizes, beberrões e gritadores, os italianos da Globo falam um idioma incompreensível. A aflição para que Tony Ramos (por que sempre ele?) erre o sotaque da vez e escorregue para o grego ou indiano não é o bastante. Já no primeiro capítulo o ator regeu uma bandinha numa praça do vilarejo italiano, chorou assistindo a Sophia Loren num cinema improvisado a céu aberto e ainda praguejou, cambaleando de bêbado, a chuva cinematográfica que o obrigou a voltar para casa. Aracy Balabanian reina no núcleo macarrônico, e, assim como Fernanda e Vera, que ilumine o elenco mais jovem que as cerca.

    Completa o espetáculo a abertura assinada por Vik Muniz, em que beijos surgem do monte de sucata espalhado meticulosamente pelo artista. No elenco, onde sobram nomes de peso, e alguns muito promissores em médio prazo, carece um tanto de liga, entrosamento. Se ninguém enrolar a língua até o último capítulo, os brasileiros podem aproveitar a história de paixões, de casais e famílias, que Silvio de Abreu tem a oferecer.

    Foto: Thiago Prado Neri/Divulgação TV Globo

    POR: [Marcella Huche]

  • Excelente

    Treme

    | HBO

    Como sobreviver em meio a um cenário de total destruição e abandono? Treme, nova minissérie da HBO traz aos espectadores novamente a questão de Nova Orleans, nos Estados Unidos, devastada após a passagem do furacão Katrina, em 2005.  Criada por David Simon (The Wire e Generation Kill) e por Eric Overmeyer (produtor e roteirista de séries como Lei e Ordem e The Wire), a série foi renovada para uma segunda temporada com apenas dois episódios exibidos. Precipitação do canal? Muito pelo contrário. Reconhecimento do brilhante trabalho em torno de uma produção extremamente sensível, delicada e séria.

     

    A trama acompanha a vida de um grupo de moradores de Nova Orleans, que vive no distrito de Treme e luta para reconstruir suas vidas e a cidade após a catástrofe natural. O piloto traz os habitantes voltando a fazer a tradicional parada pela cidade, três meses depois da passagem do furacão. Quando muitos pensavam que o luto, o desespero e a tristeza tomariam conta da comunidade, a música e a vontade de recomeçar de seus moradores falaram mais alto.

     

    Combinando situações de melancolia, revolta e depressão com as tradições do povo de Nova Orleans, Treme faz um balanço direto e objetivo das vidas dessas pessoas, sem deixar de abordar, de maneira excepcional, questões sociais, políticas e culturais. O governo americano, por exemplo, é colocado contra a parede no roteiro, acusado de abandonar a população da cidade e de ser irresponsável por não tomar medidas mais drásticas que poderiam ter evitado a tragédia maior.

     

    Como toda produção da HBO, o elenco de Treme é outro bônus positivo. O talento dos veteranos Melissa Leo, que interpreta a incansável advogada Toni Bernette, Clarke Peters, no emocionante papel de Albert Lambreaux, e de John Goodman, que rouba a cena como o revoltado Creighton Bernette, é o casamento perfeito com a vivacidade e naturalidade das atuações de Steve Zahn (que mostra na série todo o seu potencial dramático, com um desempenho completamente sóbrio e consistente), Rob Brown, das fortes Kim Dickens e Khandi Alexander e de Wendell Pierce, que interpreta o trombonista Antoine Batiste.

     

    Tudo em Treme leva à emoção, à reflexão e ao questionamento. A paixão e o comprometimento dos moradores com o distrito e a cidade é algo comovente e, ao mesmo tempo, doloroso de se ver, devido às péssimas condições a que foram deixados. Difícil escolher a melhor cena, o melhor diálogo ou a melhor atuação no piloto, quando toda a produção faz o espectador viajar através da cultura de Nova Orleans. E o que dizer da trilha sonora? É uma ode ao melhor do Jazz e do Soul, que ajuda a ditar o ritmo cadenciado da série.

     

    Com uma fotografia espetacular que remete à Nova Orleans atual, a série traz também imagens verdadeiras da cidade, dando ao projeto um ar ainda mais realista. Depois das excelentes Família Soprano e Band of brothers (só para citar algumas), a HBO presenteia os espectadores com uma produção intimista e avassaladora, que mostra o poder de superação de um povo envolvido por uma realidade cruel. Resumindo, Treme é uma obra-prima.

     


    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Bom

    Glee - The power of Madonna

    | Fox

    Antes de tudo, é preciso lembrar que Glee é uma série musical que se propõe a discutir temas recorrentes do cotidiano jovem, sem, no entanto, se levar muito a sério. Ponto. Dito isto, não há como negar que a qualidade do programa é simplesmente impecável e que os números musicais não deixam a desejar em nada. O mais esperado episódio da temporada do novo fenômeno americano, dentro dos moldes de Glee, pode ser considerado arrebatador. The Power of Madonna, totalmente dedicado à diva pop, com um repertório exclusivo da cantora, levou Glee a um nível superior do gênero. Não à toa, a própria Madonna considerou o episódio “brilhante”.

    Explorando a questão da forma com que os meninos tratam as meninas atualmente, Ryan Murphy, criador da série, conseguiu combinar a capacidade de Glee de se comunicar com o público a uma belíssima homenagem para um dos maiores ícones do pop. The power of Madonna apresentou tudo o que Glee tem a oferecer aos espectadores: comédia, romance, boas atuações e performances memoráveis, como o clipe de Vogue estrelado pela excepcional Jane Lynch (que interpreta a intragável Sue Silvester) e os números de Like a virgin e Like a prayer.

    Tudo começa quando Sue, fã declarada de Madonna, resolve impor uma regra de tocar os CDs da cantora nos corredores da escola. Então o diretor do Glee Club, Mr.Shue (Matthew Morrison), percebe que as músicas da diva seriam uma ótima opção para as apresentações do Novas Direções e pede para que seus pupilos preparem números com as canções de Madonna. A partir daí, o 15º episódio da primeira temporada de Glee incorpora o espírito “Girl Power”, com momentos cômicos e surpreendentes, como a entrada de Mercedes (Amber Riley) e Kurt (Chris Colfer) nas Cheerios e a transferência de Jesse (Jonathan Groff) para a McKinley e, consequentemente, para o Novas Direções. Tudo para ficar ao lado de Rachel (Lea Michelle), ele garante. Vamos ver até onde esse romance é para valer.

    Os destaques do episódio ficam por conta, claro, de Sue, Rachel, Mercedes e Kurt. Jane Lynch cada vez mais mostra todo o seu talento para a comédia e se firma como um dos melhores personagens cômicos da TV. E Lea, Amber e Kurt são jovens promessas que despontam com um enorme carisma, atuações consistentes e belíssimas vozes.

    O repertório não poderia agradar mais aos fãs de Madonna, combinando sucessos antigos com o hit atual 4 minutes. O episódio foi desde Express yourself, passando por um ótimo dueto de Rachel e Finn (Cory Monteith) com Bordeline e Open your heart, com um super produzido clipe de Vogue, até uma sequencia muito bem feita (aliás, uma das melhores de Glee até hoje) de Like a virgin e uma mega apresentação de Mercedes e Kurt com 4 minutes (que lembrou um pouco High school musical). Mas os meninos não poderiam ficar de fora e exibiram seu pedido de desculpas generalizado ao sexo feminino com um sólido desempenho ao som de What it feels like for a girl. Para fechar com chave de ouro e com o brilho de verdadeiros astros musicais, The Power of Madonna trouxe uma apresentação grandiosa com Like a prayer, na qual todos os integrantes do Glee Club participaram, com o apoio de um coral. Um final digno de Madonna.

    No geral, sem grandes revelações bombásticas para a história, Glee cumpriu, mais uma vez e de forma muito bem-feita, a sua proposta de entreter os espectadores, sem precisar de um roteiro bem elaborado ou complexo, nos moldes de outras séries. Talvez essa seja a principal diferença de Glee para os outros programas e, quem sabe, o seu grande trunfo. A produção não faz questão de se levar a sério, mas realiza o trabalho de maneira consistente e com qualidade. Como gênero musical, é um dos melhores projetos já apresentados para a televisão. Os espectadores não esperam grandes tramas, mas sim ótimos números, músicas boas e o divertimento garantido. E, quanto a isso, Glee está se mostrando imbatível.

    POR: [Juliana D'Arêde]

  • Excelente

    American Idol - Top 9

    | Sony

    O que pode ser ruim envolvendo Beatles? Nada. E foi justamente o quarteto britânico que trouxe novamente ao American idol o frescor, a energia e o talento que todos esperavam ver nesta temporada para este Top 9. Sem dúvida, foi a melhor noite deste ano, até o momento, e também uma das melhores com o tema Lennon/McCartney de todas as temporadas.  Não faltaram clássicos ao repertório e apresentações memoráveis. Mas, claro, o assunto da semana é o bottom three (os três menos votados) e a comoção que a quase saída de Michael Lynche (sim, acredite) causou no público e nos jurados. Tanto que Randy, Simon, Kara e Ellen nem hesitaram e usaram seu “poder de salvação” para resgatar um dos participantes considerados favoritos. É, haja coração.

     

    O jovem Aaron Kelly abriu a noite com uma versão clássica de Long and Winding Road. Apesar de ter boa voz e ser esforçado, os jurados reclamaram da falta de originalidade e pediram mais energia ao cantor, que, de fato, não teve uma de suas melhores performances e acabou sendo um dos que recebeu o menor número de votos (o que também causou surpresa à platéia). Em seguida, a também jovem Katie Stevens fez uma apresentação simplesmente impecável com uma belíssima versão de Let It. Desta vez, Katie, você acertou na mosca. Tanto que a moça recebeu inúmeros e unânimes elogios dos jurados, que a consideraram de volta à disputa.

     

    Então Andrew Garcia regride após uma excelente apresentação na semana passada, com uma performance fraca ao som de Can’t Buy Me Love. Resultado? Garcia completou o trio de menos votados ao lado de Aaron e Michael, que veio logo depois com uma versão muito confusa de Eleanor Rigby. Desempenho que quase lhe custou uma saída mais do que antecipada do programa. Por sorte, Lynche tem carisma e definitivamente sabe cantar. Interpretando novamente This Woman’s Work, apresentação que já levou Kara às lágrimas no Top 16, o participante conquistou seu direito de permanecer no programa com o voto de resgate unânime dos jurados.

     

    E quando o programa parecia que começava a afundar, eis que surge a excelente Crystal Bowersox, arrebatadora com Come Together.  Pode parecer cedo, mas uma das vagas para a final já está praticamente garantida e seria injusto se não fosse dela. Até mesmo o sem sal Tim Urban conseguiu mostrar algum talento com uma agradável versão de All My Loving e, surpresa, agradou a todos os jurados. Com isso, pela primeira vez, Urban pôde respirar aliviado sem estar no bottom three, o que é um grande feito para ele, se considerarmos as últimas semanas.

     

    O consistente Casey James fez uma apresentação nada menos do que perfeita, com uma linda versão acústica de Jealous Guy. James provou que não só tem um talento, como também pode chegar longe na disputa e sabe exatamente o tipo de artista que quer ser.  Merecidamente foi adorado pelos jurados e considerado o melhor da noite ao lado de Crystal. Siobhan Magnus resolveu inovar e apresentar um lado mais sensível, a pedidos, com  Across the Universe, mostrando total controle de seu conteúdo vocal. Apesar das críticas injustas, a moça agradou o público. Para coroar a noite, Lee Dewyze, completamente mais solto e desinibido, se consagrou ao som do clássico Hey Jude.

     

    Finalmente uma noite memorável não só para os participantes como para os espectadores. Agora já é possível vislumbrar uma luz no fim do túnel de uma temporada que começou praticamente sem expectativas e que tem tudo para ser eletrizante.

     


    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Bom

    A vida alheia

    | Globo

    Jornalistas vivem num mundo da fantasia – da pior fantasia possível. Seus códigos são tão particulares e esquizofrênicos que nunca na história desse país um novelista conseguiu entender o modus operandi do dono do bloquinho – e do companheiro mais próximo, o fotógrafo – pelo menos até ontem. Manoel Carlos, Aguinaldo Silva, Gilberto Braga e até Janete Clair, entre outros donos da nossa ficção, por décadas estereotiparam a postura dos escrevedores e clicadores. Numa hora os fotógrafos estavam tentando um clique de uma celebridade em meio a seis gatos pingados, forçando uma acotovelação que não existia. Noutra, aparecíamos fazendo perguntas absurdas – bem, isso nem é tão irreal assim. Mas A Vida Alheia de Miguel Falabella, seriado que estreou nesta quinta (10) pós-Jornal da Globo, é um marco pela (boa) reprodução, aos mortais, desse ofício tão controverso.

     

    Chegam a assustar nossos piores pecados e desvios cerebrais retratados na TV. Aos olhos dos jornalistas, há muito mais graça diante das situações do seriado do que para os espectadores comuns. Ao tentar decodificar um universo de regras tão distantes do mundo real, com particularidades tão catatônicas, Falabella corre o risco de soçobrar na audiência. O equilíbrio, o que pode ter segurado os 19 pontos de audiência da estreia, está justamente nos módulos atingidos, as celebridades. Tudo o que se diz delas é de interesse popular em qualquer lugar do mundo. E na ficção acrescenta-se uma pitada do grotesco, ainda que se ache que o limite deste ridículo é a vida real.


    Tudo gira em torno de uma redação de revista de celebridades – a tal A Vida Alheia. Com contornos humorísticos, tiradas bem tiradas, texto ácido e certeiro e uma pegada ágil, Falabella destila suas intenções tribais e antropológicas contra o mundo dos famosos e subfamosos. Mas quem é desnudo na casca mesmo é o jornalista - todos, não só o setorista do gênero. Há a editora impiedosa, Alberta Peçanha (ou Peçonha, para seus detratores), vivida por Claudia Jimenez, que comemora os deslizes das socialites; a repórter ambiciosa Manuela (Daniele Winits); o fotógrafo esperto Lírio (Paulo Vilhena); a celebridade que vive dando vexame Isa (Tereza Rachel); e a dona da revista, Catarina Faissol (Marília Pêra). O núcleo central da trama é apresentado de cara. Dali fervilham bastidores de negociações escusas, como um escândalo que abalaria a vida do casal Alfredo (Blota Filho) e Verônica Moyana (Isabeli Fontana), que encomendam a um modelo o filho deles. Para fugirem do escândalo, acertam a entrada do banco do empresário como novo anunciante da revista. Acontece aqui fora assim? Sim, claro que acontece. A capa com a futrica, então, é  estancada na hora.

     

    Há debates jornalísticos absolutamente reais e específicos. Como o entre Alberta Peçanha e Catarina Faissol na sala da manda-chuva. A dona da revista pede para a editora carregar menos nas tintas na cobertura massacrante que a amante do pai (já morto), Isa, sofre – ela uma alcoólatra ensandecida. No que Alberta responde:

     

     “Catarina, se a gente não der, as outras revistas vão dar”.

     

    “Tudo bem, a gente dá. Mas minimiza. Em vez de dar capa a gente bota com menos destaque”.

     

    Manuela também retrata, com cor cítrica, a nossa já vilipendiada profissão.

     

    “Se eu der esse furo eu faço meu nome”, sentencia-se a repórter, complementando: “O lugar da Alberta será meu”.

     

    O seriado abre com Lírio clicando impiedosos flagrantes: a atriz com celulite na praia, o ator brigão em mais uma confusão e a socialite caindo trôpega na boate. A busca não é por conteúdo, claro, mas pela imagem – e pelo escândalo. Há, como nas revistas atuais de celebridades (Quem, Caras, Chiques e Famosos, Contigo, Isto é Gente), muito de jornalismo investigativo, embora extrapolado aqui em exagero. Como o exame de DNA para confirmar a paternidade do modelo, cujo exame foi feito a partir da escovada de seus cabelos pela editora da revista.

     

    As interpretações não viram a curva. Danielle Winits como sempre está num tom acima; Paulo Vilhena, num tom abaixo; Tereza Rachel mantém aquela sobrancelha habitual franzida de dar medo; e Marília Pêra (catapultada de Cinquentinha, onde fez forfait e se afastou) e Claudia Jimenez se embaraçam para ver quem aparece mais.

     

    Nos próximos 14 episódios que se seguem conheceremos melhor – ou não - as entranhas da redação de A Vida Alheia para confirmar se o seriado não vai se desintegrar diante da coerência da estreia. Os diálogos propostos por Fallabella, com colaboração de Antonia Pellegrino, Carlos Lombardi e Flávio Marinho, e a direção segura de Cininha de Paula potencializam seu bom ritmo. O problema é que, como tudo na Globo, o primeiro capítulo sobra, o meio padece e o fim se redime. Resta saber o que Falabella fez com o miolo.

    POR: [Mario Marques]

  • Bom

    American Idol - Top 10

    | Sony

    É por essas e outras que American idol não deveria abrir a votação ao público. Que os jurados façam o trabalho completo. Assim não teríamos injustiças como o quinto lugar de Chris Daughtry, na quinta temporada, ou o terceiro lugar de Melinda Doolitle, na sexta. Ou então a eliminação antecipada de Didi Benami nesta edição. E quem ficou mais uma vez entre os três menos votados e se safou? O sem sal do Tim Urban, que resolveu ficar metido por receber votos pelo seu rostinho bonito e não pelo talento. Os próprios jurados já não o levam mais a sério e, sinceramente, parece que ele muito menos. Mas American idol é um programa de canto e não de beleza. Para isso já temos America’s next top model.


    O Top 10 conseguiu apagar a péssima impressão deixada na semana passada, com um bom programa de R&B/Soul. O rapper Usher foi convidado para ser o mentor dos participantes e parece que conseguiu extrair a sensibilidade e leveza que faltavam ainda em alguns candidatos, como, por exemplo, Casey James, Lee Dwayze e Andrew Garcia. O primeiro definitivamente encontrou o seu estilo meio country/rock e está sabendo ser consistente, coisa fundamental para se seguir no programa. Andrew finalmente voltou a ser aquele participante promissor das seletivas e arrebatou o público e os jurados com uma versão acústica de Forever, de Chris Brown. Já Lee definitivamente entrou na briga pelo programa, com uma apresentação genial ao som de Treat Her Like a Lady. Simon chegou a dizer para o cantor que aquela noite iria mudar a sua vida (e é verdade).


    Os jovens Aaron Kelly e Katie Stevens também tiveram boas performances , mas dividiram a opinião dos jurados. Katie, novamente, também entrou no temido bottom three (os três menos votados), mas foi salva pelo apresentador Ryan Seacrest. Siobhan decepcionou com sua versão nada original de Through the fire. Dona de uma voz potente, ela não está sabendo aproveitar o seu diferencial, caindo sempre na monotonia dos gritos que começam a ficar irritantes. Mais uma vez, os favoritos Crystal Bowersox e Michael Lynche nos proporcionaram momentos emocionantes na fraca temporada do programa. Ela, pela primeira vez sem o violão e se arriscando no piano, apresentou uma belíssima versão de Midnight Train to Georgia, enquanto ele emocionou a audiência com Ready Love.


    Com altos e baixos, a nona temporada de American idol segue líder de audiência na TV americana, mas ainda não condiz com os demais anos do programa. É bom que o público pare de votar somente no sorriso simpático e tenha a consciência de que o objetivo do show é revelar talentos. Rostinhos bonitos sem conteúdo já temos aos montes.

     

    Confira a marcante apresentação de Lee:

     


    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Regular

    FlashForward - S01E06

    | AXN

    É impressionante como temos a impressão de estar vendo praticamente o mesmo capítulo de FlashForward toda as vezes. Isso porque os roteiristas cismam em continuar batendo nas mesmas teclas: burocracia e situações completamente dispensáveis com personagens pouco relevantes para a trama. O sexto episódio da primeira temporada (e, provavelmente, a única), Scary Monsters e Super Creeps, até conseguiu ser melhor do que o anterior (o que também não é muito difícil), mas para aqueles mais radicais os pontos positivos foram jogados no lixo com a péssima e completamente sem noção sequência envolvendo  o personagem Simon (interpretado por Dominic Monaghan, o Charlie de Lost), o misterioso homem que está por trás do apagão, junto com Loyd Simcoe. Além da atuação extremamente artificial de Monaghan, a trama em si não acrescentou absolutamente nada para a história, a não ser para ratificar que o cara é um tremendo psicopata.

     

    Ao mesmo tempo, por mais contraditório que possa ser, a trama envolvendo o FBI foi a salvação do episódio. Isso porque resolveram finalmente dar continuidade a alguma coisa, e tivemos o início da repercussão do atentado sofrido pelos agentes. De certa forma, os asiáticos parecem estar envolvidos no fenômeno e as pistas vistas por Mark Benford (Joseph Fiennes) em seu flashforward começam a aparecer e se interligar. Agora resta saber se vão conseguir manter o foco e o rumo dos acontecimentos.

     

    Outro ponto, digamos, interessante de Scary Monsters e Super Creeps foi a constrangedora cena entre Mark, Olivia e Loyd na casa dos Benford. Um bom momento construído no episódio, apesar de um pouco previsível. Mas é melhor que o personagem de Fiennes sofra algumas alterações para não correr o risco de ganhar o troféu de mala da série e desperdiçar o talento que o ator já mostrou ter em determinadas ocasiões.

     

    O problema de FlashForward atualmente é a inconsistência. Nunca sabemos o que esperar (de um modo negativo), e fica o receio de o episódio ser pior do que o anterior. Isso não é bom sinal, pois a expectativa é de que cada capítulo deixe o espectador ansioso para o próximo. As tramas parecem estar jogadas aleatoriamente, como se fossem o mosaico da série. A questão é que o espectador não tem a obrigação de juntar as pistas e formar o quebra-cabeça, mas sim se entreter.

     

    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Regular

    S.O.S Emergência

    | Globo

    Como nada se cria, tudo se copia, não é de estranhar que a nova série cômica da Globo,  S.O.S emergência, nos remeta a outros programas do gênero. Com um certo quê de Grey’s anatomy e uma ampla referência  a Scrubs, o seriado junta um time de grandes nomes da comédia nacional em um ambiente médico atrapalhado. O texto de Daniel Adjafre e Marcius Melhem tem ritmo e boas sacadas, mas o primeiro episódio, exibido neste domingo (4), deixa a desejar no quesito originalidade.  Tem a médica “boazuda”, que vive um caso com um enfermeiro desastrado, o doutor metido a gostosão, a obstetra pedante, a assistente social retraída e o chefe psicótico.

     

    Com direção-geral de Mauro Mendonça Filho, a ideia do programa é exibir situações recorrentes dos hospitais de maneira leve e divertida. Assim, a cada episódio, os 10 personagens fixos da série são obrigados a lidar com pacientes e suas mais diversas críticas. Ney Latorraca, Marisa Orth, Maria Clara Gueiros, Bruno Garcia, Cláudio Mendes e Hugo Possolo integram a equipe de médicos, enquanto Fábio Lago vive o enfermeiro, Pedro Henrique Monteiro e Renata Tobelem são os residentes e Mariana Bassoul, a recepcionista.

     

    No episódio de estreia, tivemos as participações de Cássio Gabus Mendes, Fábio Assunção e Renata Barbosa, numa história engraçadinha sobre uma mulher grávida que não sabia quem era o pai da criança. Rendeu apenas algumas poucas risadas. Destaque, no entanto, para a química entre Gabus Mendes e Assunção, ótimos como marido traído e amante enganado.

     

    O único problema mais perceptível neste primeiro capítulo é exatamente a sensação de “já vi isso em algum lugar”, principalmente no que diz respeito aos atores. Grande parte do elenco permanece com os mesmos trejeitos e expressões de trabalhos anteriores. É o caso de Bruno Garcia, que parece sempre interpretar o bonitão que usa e abusa do sarcasmo, e de Maria Clara Gueiros, fazendo novamente a mulherona cheia de si e nem aí para os que outros pensam. Não que a fórmula não funcione, mas esses atores têm potencial para explorar um pouco mais. 


    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Fraco

    American Idol - Top 11

    | Sony

    American idol está com síndrome de FlashForward. Só assim para explicar o apagão que tomou conta dos 11 participantes na última semana. Como não aproveitar o tema “as números 1 da Billboard”? Com algumas apresentações beirando a mediocridade, a nona temporada do reality vai de mal a pior. Parece que os aspirantes a melhor cantor ou cantora dos Estados Unidos não têm noção do que é se apresentar para milhões de pessoas na maior oportunidade de suas vidas. Tirando umas três exceções, eles definitivamente não sabem escolher as músicas. E isso está irritando (muito) os jurados, que não escondem mais o descontentamento e frustração e soltaram duras críticas para seus pupilos. 

     

    A jovem Miley Cryus foi escolhida como mentora desta semana e, ao contrário do que poderia se pensar, cumpriu adequadamente a função, ganhando, inclusive, elogios de Simon. Lee Dwayze abriu a noite com The Letter do The Boxtops e foi sua melhor apresentação até agora em todo o programa. Mais descontraído, ele empolgou o público e recebeu críticas positivas de Randy, Kara e Ellen, apesar de Simon ter achado a performance brega.  Mas dali para a frente, mal sabiam eles que Lee seria o menor dos problemas. 

     

    Paige veio logo em seguida Against All Odds e...deu pena. Ainda com a voz debilitada, a menina simplesmente não se encontrou no palco e o resultado foi uma confusão das piores já assistidas.  Não à toa, Paige não só entrou no chamado bottom three (os três menos votados), como foi a segunda eliminada do show.  Mas ela teve também a companhia de Tim, para variar, e Katie. A entrada de Katie nos três menos votados foi injusta, porque, pela primeira vez, ela apresentou tudo o que absorveu dos jurados e se mostrou mais jovem e extrovertida cantando Big Girls Don’t Cry. Quanto a Tim, bem, ele tenta, isso não se pode negar. Mas não consegue.  E já pode se considerar um vencedor só de chegar até aqui e agradecer eternamente às meninas. Com sua interpretação de Crazy Little Thing Called Love ele mostrou mais uma vez que, apesar de esforçado, ainda não chegou ao nível exigido pelo programa.

     

    O jovem Aaron Kelly, mesmo com problemas na garganta, conseguiu se sobressair aos demais com sua versão de I Don’t Wanna Miss a Thing.  Casey, com The Power of Love, fez uma boa performance e tem mostrado avanço com o decorrer das semanas. Big Mike encantou a platéia com When a Men Loves a Woman, mas foi alertado para ser mais natural. Andrew , por sua vez, causou irritação nos jurados (principalmente em Kara e Simon) com sua performance em I Heard It Through The Grapevine. Sinceramente, o lugar de Katie nos três menos votados seria dele esta semana. Didi Benami tentou mudar o estilo com You’re no Good, mas foi demais. 

     

    Os destaques novamente ficam com as apresentações de Crystal Bowersox e Shioban Magnus. Cantando Me and Bobby Mcgee, Crystal foi o sopro de ar fresco e de talento que os espectadores tanto ansiavam na noite. Sem dúvidas a melhor da semana, ela se colocou em vantagem outra vez e confirma o favoritismo. Já Shioban mostrou, como sempre, o poder de sua voz e as notas altas com uma excelente versão de Superstition. Mas, como criticou Simon, ela não pode só contar com os agudos no fim de cada música para arrebatar a platéia.

     

    American idol teve uma de suas piores apresentações de Top 11 de todas as edições e esperamos que os participantes levem realmente a sério as críticas e consigam se superar na próxima semana, aproveitando todo o embalo do mentor Usher com o tema R&B/ Soul. Caso contrário, vão ficar marcados como o grupo mais frustrante do programa.


     

    Confira abaixo a apresentação de Miley Cyrus na noite de resultados:

     


    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Bom

    American Idol - Top 12

    | Sony

    Podemos dizer que, agora sim, American idol, exibido aos sábados pelo canal a cabo Sony, começou. Após três semanas de apresentações frustrantes que definiram os participantes da nona edição do programa, o Top 12 mostrou a que veio e conseguiu afastar um pouco (vale frisar o “pouco”) a sensação de completo fracasso, pela primeira vez em quase 10 anos, que rondava esta temporada.

    Bem mais desinibidos e mostrando bastante seriedade, os cantores precisavam provar que estavam ali para ganhar e que não haviam sido escolhidos aleatoriamente. Com o tema “Rolling Stones” (só canções da banda de Mick Jagger e Keith Richards na interpretação dos futuros astros), a noite de apresentações foi bastante agradável, com gratas surpresas e umas duas exceções.

    O grandão Michael Lynche, ou Big Mike, um dos favoritos deste ano, abriu o show com Miss you, agradando bastante o público com uma performance leve e consistente. Mas o implacável Simon Cowell não gostou muito dos momentos “dançantes” da apresentação e disse que Michael beirou o desespero. Com Play with fire e Wild horses, Didi Benami e Katie Stevens, respectivamente, receberam críticas positivas dos jurados e podem se considerar de volta à disputa (ainda que de uma forma mais lenta).  

    Já Tim Urban, Paige Miles e Lacey Brown formaram o grupo dos três menos votados, resultado justo, a não ser por Paige, que estava com laringite e, mesmo assim, conseguiu atingir notas altas. Lacey, a primeira eliminada do show, pode ter uma boa voz e ser bem simpática, mas precisava ter mostrado mais personalidade para se manter no programa. Quanto a Tim Urban, bem, seu rostinho bonito e jeito de garoto de boa família, com certeza, são os únicos motivos explicáveis para sua permanência no American idol. Não que ele seja de todo ruim, mas, se Lacey foi eliminada por estar bem abaixo do nível dos demais, Tim, certamente, é ainda mais café com leite e os fãs de Rolling Stones devem ter se retorcido em frente à TV com a versão de reggae, sim, reggae, de Under my thumb 

    Crystal Bowersox, a favorita de Simon, fechou a noite com uma belíssima e forte apresentação, como sempre, de You can t always get what you want, mas acabou dividindo a opinião do júri. O grande destaque da noite ficou com a surpreendente Siobhan Magnus, que arrebatou público e jurados com sua versão de Paint it black. Como alguém pode atingir notas como aquelas? Não à toa, Siobhan já foi comparada a Adam Lambert (vice-campeão do programa do ano passado). A serenidade e segurança da menina são de cair o queixo e, definitivamente, ela colocou as mulheres em vantagem nesta semana. Vale também destacar a excelente apresentação de David Cook, vencedor da sétima temporada, que apresentou um cover de Jumpin Jack Flash.

    O jovem Aaron Kelly pode ser o azarão do ano, com sua voz doce e uma tranquilidade que em muito lembra o desempenho de David Archuleta, vice-campeão da sétima temporada. Andrew Garcia e Lee Dwayze têm muito potencial, mas precisam ouvir os conselhos de Simon e acreditar mais em suas qualidades, enquanto é bom Casey James mudar seu formato de apresentação (camisa meio aberta, cabelo solto e guitarra na mão), para não ficar monótono, desperdiçar a sua grande chance e conseguir mostrar ao público que pode ser muito mais do que um cantor country-rock sexy.  

    No geral, começamos bem a primeira grande noite da nona temporada de American idol e há, sim, grandes expectativas. Talento eles têm, mais ainda falta a personalidade que imperava no grupo de 2009. Que venha o Top 11.  

    Abaixo, assista à apresentação de Siobhan que impressionou os jurados:

    POR: [Juliana D'Arêde]

  • Fraco

    FlashForward - S01E04 e 05

    | AXN

    E voltamos à estaca zero.  Quando 137 Sekunden ensaiava uma leve esperança para FlashForward, veio Black Swan para acabar com a festa. Como os roteiristas conseguem jogar a série para baixo em tão pouco tempo, sem aproveitar o próprio (bom) gancho do episódio anterior? Algumas coisas são simplesmente inexplicáveis e, caso o programa mantenha este rumo, o que é muito provável, é melhor os espectadores não se animarem muito com uma segunda temporada (e nós agradecemos).

    De interrogatório a um nazista, com boas e interessantes sacadas sobre as possíveis causas para o apagão, a um garoto com hipocortisolismo. Sim, exatamente.  E aí a pergunta que não quer calar? O que uma coisa tem a ver com a outra? Em que a visão do menino doente, que o fez se sentir seguro, acrescenta algo consistente à trama? Pois a resposta é simples: nada. A impressão que os roteiristas de FlashForward nos passam é de que se perderam  completamente em sua própria história complexa e investem em tramas paralelas para justificar a situação. Obviamente o recurso não funciona, pelo contrário. As voltas aleatórias do roteiro da série são perturbadoras para espectadores que esperam de um seriado de ação e suspense o que ele deveria apresentar: ação e roteiro bem desenvolvido.

    Do nada, simplesmente do nada, o FBI resolve interrogar novamente a moça que foi presa após o apagão, suspeita de participar de uma organização criminal. Tudo para ela dizer uma frase ambígua a um personagem perseguido pela sensação de que vai morrer nos próximos seis meses, já que não teve nenhuma visão.  E, clichê dos clichês, no fim do episódio o momento da revelação: descobrimos que são duas pessoas, de fato envolvidas pelo apagão, entre elas Loyd Simcoe (Jack Davenport), o homem que Olivia (Sonya Walger) viu em sua visão.

    Ao mesmo tempo, a série insiste em rondar os ares burocráticos, tornando o quinto episódio Gimme Some Truth quase sacal. Aparentemente o fenômeno foi global, certo? Pois, até o momento, para os criadores de FlashForward a noção de globo resume-se a Los Angeles, até a hora que atiradores chineses resolvem dar ao ar da graça e investir contra o FBI. Ahn? Sim, ao que tudo indica a China está envolvida. E o que foi a cena dos departamentos oficiais americanos apresentando suas impressões sobre os causadores do apagão? Momento vergonha alheia da série, principalmente quando se tenta explicar o motivo do envolvimento da China. Ego pouco foi bobagem para o governo americano.  O episódio, que girou em torno das audições dos agentes do FBI em Washington para conseguir a verba e continuar a investigação, até apresentou alguns (poucos) pontos positivos, como a atuação de Courtney B. Vance, intérprete do chefe Stanford Wedeck, sem dúvida um dos melhores da série. Joseph Fiennes, cada vez mais artificial, chega a cansar em sua performance. Mas não se pode culpá-lo totalmente. Seu personagem, infelizmente, não está sendo bem construído.

    Talvez o principal obstáculo para FlashForward decolar de vez, seja a incapacidade de desenvolver os cliffhangers. Qual a motivação de se assistir a uma série em que apenas o final nos chame realmente atenção? É bom as coisas começarem a mudar, e logo...

    POR: [Juliana d'Arêde]

  • Bom

    FlashForwards - Episódios 2 (White to play) e 3 (137 Sekunden)

    | Axn

    FlashForward é o perfeito exemplo de roteiristas que têm uma ótima trama nas mãos e acabam não sabendo o que fazer com ela. Resultado? Uma série que tinha tudo para dar certo, inicialmente foi até considerada a nova Lost, devido ao tom de mistérios e acontecimentos inexplicáveis, mas se tornou mais uma daquelas histórias que o telespectador sente quando está sendo enrolado e perde a paciência cedo demais.

    Não que não haja pontos positivos na criação de Robert J. Sawyer e Brannon Braga. Teoricamente, uma trama que começa com um misterioso evento global responsável por apagar toda a população do planeta num período de dois minutos e 17 segundos e fazer com que as pessoas tenham visões para daqui a seis meses é, no mínimo, instigante, ainda mais para os amantes de teorias de conspiração. Mas o grande problema de FlashForward, que podemos perceber já nos segundo e terceiro capítulos, é a falta de ritmo e a ausência de desenvolvimento das histórias.

    Em White to play, percebemos que o apagão não trouxe apenas conseqüências físicas para o planeta, mas, principalmente, psicológicas. A maioria dos seres humanos deixou de viver no presente para pensar e agir sobre o futuro, o que, claro, gera inúmeros conflitos sociais. Centrado na equipe do FBI e na família do agente Mark Benford (Joseph Fiennes numa atuação um tanto quanto superficial), o episódio apresentou novas pistas a respeito de quem possa ter provocado o fenômeno (no primeiro capítulo descobrimos que um único homem estava acordado durante o evento), mas o episódio peca pela repetição. Tudo bem, sabemos que a equipe do FBI está tentando descobrir o motivo de tudo aquilo ter acontecido, mas a série, até onde foi noticiado, não é policial, e sim uma ficção.

    A questão fundamental para que a série ainda não tenha decolado é a limitação do roteiro, justamente por querer focar demais nas ações do FBI e na preocupação de Benford de perder a mulher, interpretada pela consistente Sonya Walger, que, em sua visão, estava com outro homem. A entrada de Jack Davenport, como Loyd Simcoe, pai de um menino operado por Olivia (Walger), após o apagão, e o homem que ela viu dividindo a casa em seis meses, pode animar um pouco as coisas, se a história for bem desenvolvida.

    A trama do policial Demetri Noh (John Cho), parceiro de Benford, corre o risco de ser daquelas que os espectadores têm vontade de adiantar o episódio. Um dos únicos que não teve visão durante o fenômeno, o agente tem certeza de que isso significa sua morte prematura e começa a buscar soluções para evitar o terrível desfecho. Por causa disso, seu comportamento sofre alterações, prejudicando o trabalho (e, claro, podendo atrapalhar também a investigação). Por outro lado, FlashForward tenta apresentar bons ganchos ao final de seus episódios, o que é uma tentativa válida. Em White play, por exemplo, descobrimos que a filha de Mark teve uma visão com o principal suspeito do apagão e que o homem não é lá flor que se cheire.

    Já em 137 Sekunden, as coisas começam a melhorar, com a série explorando questões delicadas como o livre-arbítrio e a moralidade para justificar certas atitudes. No terceiro episódio, o FBI encontra mais uma pista em potencial para o mosaico (site criado pela agência para as pessoas enviarem mensagens sobre suas visões), referente a um ex-nazista que está preso na Alemanha. É interessante observar o dilema dos oficiais de ultrapassar ou não os seus valores, ou seja, não negociar com um dos piores tipos de criminosos do mundo (depois de o preso fazer exigências para dizer o que sabe), e deixar passar informações importantes que podem levar ao responsável pelo apagão, ou atender ao pedido de um homem cruel em nome de um bem maior.

    Mas o que seria o bem maior na visão dos roteiristas de FlashForward? Porque, parando para pensar, descobrir quem causou tudo isso não alivia o fato de que um dos maiores desejos da humanidade - saber o futuro - foi, em parte, desvendado e que, diferentemente do que a maioria pensava, ter a noção de como as coisas vão se desenrolar não é necessariamente uma vantagem. Quer dizer, qual é o sentido de prosseguir se já sabemos como vai acabar (ou não)? Se não temos certeza de que poderemos controlar o nosso próprio destino? A esperança em torno da série se renova com a revelação final em 137 Sekunden, após o depoimento do nazista ao agente Mark, que resulta na descoberta de um fenômeno semelhante anterior. Que a série consiga manter essa linha.

    POR: [Juliana D'Arêde]

  • Fraco

    American Idol

    | Sony

    É chegada a hora da decisão e o Top 12 da nona edição do American Idol foi definido. Como sempre, uma ou duas surpresas na escolha final (e vai ser sempre assim enquanto a votação for aberta ao público). Mas, no geral, os felizardos participantes do maior reality show da TV americana foram previsíveis, principalmente num dos anos mais fracos do programa.

    Entre as mulheres, Didi Benami, Crystal Bowersox (a preferida de Simon), Katie Stevens, Lacey Brown, Paige Miles e Siobhan Magnus conquistaram uma vaga na disputa. A surpresa ficou por conta da saída de Lilly, considerada uma das mais originais da temporada. De fato, seu estilo meio Duffy agradou ao júri, mas não foi o suficiente para o público. Do lado feminino, Crystal e Siobhan levam vantagem. A primeira tem uma segurança e um controle de voz impressionantes, enquanto a segunda, que já foi chamada de "estranha" por Simon, arrematou o público com sua versão de Think (sucesso de Aretha Franklin, já está no Top 20) ao atingir uma nota que, até agora, tentam descobrir se existe.

    Já os homens conseguiram dar a volta por cima e saíram com um leve favoritismo ao fim das apresentações do Top 20 e Top 16. Como era de se esperar, Andrew Garcia, Casey James, Lee Dewyze, Michael Lynche, Tim Urban e Aaron Kelly garantiram seu lugar na competição. O inesperado para alguns, talvez, seja a entrada de Aaron, de apenas 16 anos, mas com a firmeza de um artista veterano. Com um início de apresentação nada favorável e conturbado, Tim teve em sua performance de Hallelujah (Jeff Buckley) a superação que resultou em sua entrada definitiva no programa. A voz, que em nada lembrava as tremidas de Apologize (One Republic), cresceu e apareceu, rendendo críticas positivas de todos os jurados e um abraço de Ellen DeGeneres.

    O grande nome, no entanto, desta edição é, sem dúvida, Michael. Ou, para os íntimos, Big Mike. Troncudo, grande, literalmente, ninguém imaginava que de um homem desses sairia a voz que tem tudo para ser o grande vencedor desta nona temporada. Carismático, Michael foi o responsável pela apresentação que o colocou em um nível muito superior aos demais. Cantando This woman’s work (Maxwell), ele levou o público ao delírio, deixou Randy e Ellen sem palavras, fez Kara chorar e, principalmente, ganhou do principal jurado a melhor crítica de todas: para Simon, a performance de Michael foi a melhor que ele já viu de todos os programas. Depois disso dá para dizer mais alguma coisa ou não concordar que, praticamente, ele garantiu uma vaga na final (sem exageros)?

    Não há dúvidas de que o grupo desta edição é inferior ao da temporada passada, mas ainda temos boas vozes e muito potencial. Cabe aos participantes escolherem boas músicas (SEMPRE) e correrem atrás do prejuízo. Porque, agora, Michael já disparou na frente.

    POR: [Juliana D'Arêde]

  • Excelente

    Sundown

    | Lost

    A última temporada de Lost chega a seu sexto episódio, desta vez, dedicado ao torturador iraquiano Sayid Jarrah. Nos últimos episódios, os roteiristas apresentaram aos telespectadores um universo paralelo. O piloto (dividido em duas partes) e What Kate does tiveram seus erros e acertos, mas desde The substitute, a série parece ter tomado algum rumo. Ainda que Sundown não seja o mar de respostas que alguns fãs esperam (e não vão receber), é um excelente episódio de ação, com lutas coreografadas, tiroteios e um uso muito bom dos dois universos. Um dos melhores episódios protagonizados por Sayid.

     

    No universo principal, Sayid confronta Dogen sobre a tentativa de assassinato e os dois começam uma das melhores (senão a melhor) luta da série. Jack contra Sawyer no final da quinta temporada foi carregada de emoção, mas a luta do iraquiano contra o misterioso líder dos outros é a mais bem coreografada da série. Excelente trabalho de Hiroyuki Sanada e Naveen Williams.

     

    O universo paralelo também teve seus méritos. O fato de Sayid não estar com Nadia neste universo também é o jeito dos produtores dizerem que eles não estão destinados a ficar juntos. Quando confrontado, Sayid confessa que não se acha bom o bastante pra ela, algo que possivelmente o personagem carregava também no outro universo.

     

    Como de costume, a trama do universo paralelo não toca (pelo menos por enquanto) em elementos do que acontece na ilha, mas rostos familiares surgem aqui e lá. Algumas participações são melhores que outras (Ethan sendo o obstetra de Claire é genial, enquanto o diálogo entre Hurley e Locke em Substitute  soa como apenas um presente para os fãs) e as de Sundown não decepcionam. Até mesmo o insuportável Keamy dá as caras de forma carismática.

     

    Ainda que não tenha a quantidade de respostas que alguns fãs esperam, a sexta e última temporada de Lost parece tomar forma. Nos últimos dois episódios, os roteiristas estão mostrando o que vai ser o fechamento da série e Sundown, embora não seja particularmente profundo, é um passo na direção correta.  

    POR: [Gerhard Brêda]

  • Fraco

    American Idol

    | Sony

    Decepcionante e frustrante. Assim podem ser descritas as apresentações do Top 24 da nona edição do American Idol, exibidas no último sábado pela Sony. É impressionante como, em quase 10 anos de programa, os candidatos continuam pecando no mesmo ponto: a escolha das músicas (tanto lembrada pelos jurados). Dá-se um desconto pelo nervosismo de se apresentar pela primeira vez para milhões de pessoas. Mas, por favor, já está na hora de prestarem mais atenção no que podem fazer. Com o tema hits da Bilboard, tivemos desde Beatles a Leona Lewis.  E, mesmo assim, não foi o suficiente para eleger esse grupo o mais talentoso de todas as temporadas.

     

    As mulheres, consideradas mais fortes do que os homens neste ano, têm sido a principal frustração até  agora. Têm vozes maravilhosas, só que nenhuma conseguiu se exibir à altura de seu talento. Crystal, Katelyn, Katie, Lilly, Michelle e Siobhan ainda conseguiram se sobressair, mas dividiram as opiniões dos jurados. Ashley e Janell bem que tentaram, mas suas versões não foram boas o suficiente para mantê-las no programa. As duas foram as primeiras eliminadas do time feminino. Resultado justo, apesar de outros desastres que aconteceram no palco.

     

    Já no time dos rapazes, tirando uns três ou quatro, a situação está muito complicada. Depois de apresentações memoráveis de Chris Daughtry, David Cook, David Archuletta, Kris Allen, Danny Gokey e Adam Lambert nas temporadas passadas, fica difícil achar participantes à altura. Aaron (que surpreendeu os jurados), Casey e Lee foram os destaques merecidos da noite. Tyler e Joe não tiveram boas exibições e foram os dois primeiros eliminados da ala masculina. Resultado parcialmente justo. Tyler realmente não estava em seus melhores dias e, provavelmente, não duraria muito no programa se mantendo apenas sob seu estilo anos 70. Já a eliminação de Joe pode ter sido um exagero por parte dos americanos, já que outros participantes foram visivelmente piores em suas apresentações, principalmente Tim, que “disputou” a segunda vaga de eliminado com Joe.

     

    Aliás, a entrada de Tim no Top 24 foi um tanto quanto peculiar. Após ser rejeitado pelos jurados, o participante recebeu uma ligação da produção do programa convidando-o novamente para o show. Não informaram quais foram os critérios, nem os motivos para tal ocorrido. Mas o fato é que, após a apresentação deste sábado, o retorno de Tim e a eliminação de Joe foram completamente injustos. Quem viu sabe que a voz de Tim não é boa suficente para brigar por uma vaga no American Idol. E nem a carinha bonitinha do participante o faria ganhar o programa.

     

    O jurado Simon Cowell foi o exemplo da decepção e frustração que tomou conta dos fãs do reality após a exibição do Top 24. Há muito tempo não se via Cowell tão  ácido e ríspido como nestas duas últimas apresentações. E olha que os comentários severos e o jeito britânico de ser são suas marcas registradas. Mas ele não estava errado, até porque é o único que tem coragem de ser realmente sincero em suas opiniões. Kara melhorou, e muito, como jurada, mas ainda falta “algo”. Randy continua em cima do muro: às vezes é o cara bom da parada, outras tantas tenta seguir os passos de Cowell. E, Ellen, bem, neste primeiro programa ao vivo, confirmamos que ela é uma pessoa extremamente simpática e divertida. Mas, como ela mesma disse, não entende nada de música.

     

    Vamos esperar que, após os sustos e todas as críticas (acreditem, não foram poucas), os participantes deem a volta por cima e façam o que sabem fazer de melhor. Porque talento para isso eles têm. Rumo ao Top 20!

     

    POR: [Juliana D Arêde]

  • Excelente

    Brothers & Sisters

    | Universal Channel

    A família Walker finalmente está  de volta. A quarta temporada de Brothers & sisters estreou na última quarta-feira, às 23h, no Universal Channel, com o que a série tem de melhor: a química indiscutível entre seu elenco (na minha opinião, um dos melhores da televisão) e muitas emoções. Confesso que sou fã declarada do programa desde que vi Sally Field brilhando como a matriarca Nora Walker.

    Neste quarto ano do seriado, talvez o mais tenso de todos, temos as repercussões dos últimos acontecimentos da terceira temporada: o afastamento de Tommy (Balthazar Getty); o noivado de Justin (Dave Annable) e Rebecca (Emily VanCamp);  o amadurecimento da relação de Scotty (Luke Macfarlane) e Kevin (Matthew Rhys); a volta de Sarah (Rachel Griffiths) à Ojai Foods;  e, para mim o pior deles,  a crise no casamento de Kitty (Calista Flockhart) e Robert (Rob Lowe).  Como não poderia deixar de ser, o primeiro episódio da nova temporada,  O caminho à frente, combinou o drama, que tanto já estamos acostumados e, mesmo assim, nos fazem cair em lágrimas, com os momentos cômicos impagáveis que só o roteiro bem amarrado e os diálogos impecavelmente construídos de B & S nos proporcionam.

    O foco do episódio foi o casamento de Justin e Rebeca, e a preparação da festa por Holly (Patrícia Wetting), mãe da noiva, e Nora. Imagine que você precisa organizar o noivado de seu filho/filha com a amante de seu marido (que, por ironia do destino, é a mãe da noiva), sendo que ela assumiu a presidência da empresa de sua famíla e vocês, obviamente, não se bicam? A isso tudo, junte também o fato de você ser uma Walker, mãe superprotetora (quase neurótica) e não levar desaforo para casa. Preciso dizer que foi mais uma reunião de família teminada em barraco? É claro que as melhores cenas do episódio foram desse núcleo, principalmente por causa da chegada da mãe de Nora, interpretada brilhantemente por Marion Ross. Divertidíssimos os momentos em que Nora e Holly se escondiam na cozinha para inventar a história de como os noivos se conheceram e evitar que a mãe soubesse de toda a verdade (é claro que o segredo não durou muito, ora, estamos falando dos Walkers!).

    A tensão que os produtores prometem para esta temporada (e, acreditem, é forte) começa a aparecer logo no início do episódio, com um quase acidente de carro envolvendo Justin e Rebecca. Depois do susto, temos Kevin e Scotty buscando informações sobre barrigas de aluguel (mais um bebê Walker à vista?), mas o casal ainda tem algumas divergências a respeito do assunto. Enquanto o impulsivo e obstinado Kevin já pede um empréstimo ao banco para realizar o procedimento, o racional Scotty reflete sobre as consequências de se ter um filho. Com certeza, esse é um dos pontos chaves desta temporada, principalmente devido à polêmica. Mas não tenho dúvidas de que B & S vai abordar o tema com a seriedade e a delicadeza que exige.

    Por fim, enquanto uns se casam, outros tentam não se separar. Quem diria que o casal 20 do programa pudesse enfrentar problemas. E, olhe, não são poucos. Robert fez o que Kitty menos suporta no mundo: mentiu para ela. Kitty, por sua vez, em um momento vulnerável, beijou outro homem. Esses dois vão precisar de toda a terapia de casal que estão enfrentando logo no começo e, aparentemente, sem resultado.  Formou-se um abismo frio e silencioso entre os ambos, que em nada lembra o par cheio de vida e ideais das primeiras temporadas. É de cortar o coração, ainda mais agora que, depois de tanto sofrimento e expectativa, eles finalmente têm Evan em casa. Mas o pior ainda está por vir e deixará não só a família Walker, mas todos os fãs da série, temerosos. Ao final do episódio, Kitty leva Evan à médica com suspeita de virose, porém, o que não esperava era ela mesma estar doente.  No geral, mais um excelente capítulo dessa saga familiar, com destaque para Sally Field, claro, Marion Ross e Calista. Pelos próximos episódios, só tenho um conselho a dar: preparem os lenços!

    POR: [Juliana D'Arede]

  • Bom

    FlashForward

    | AXN

    Considerada a nova Lost, FlashForward (da ABC) fez fama, antes mesmo de estrear, com a expectativa do público ansioso por achar um programa que possa suprir o buraco deixado pelo fim da trama do vôo 815 da Oceanic Air, atualmente em sua sexta e última temporada.  E não é difícil adivinharmos o porquê.  A história, baseada no livro homônimo de Robert J. Sawyer, e o foco do episódio piloto, exibido na última terça-feira pelo canal a cabo AXN, é o seguinte:  um fenômeno mundial desconhecido faz a população mundial apagar, literalmente, por 2 minutos e 17 segundos. Quando as pessoas acordam, todas relatam ter tido um flash do futuro, precisamente de acontecimentos que estão previstos para daqui a seis meses.

    Os elementos que remetem à Lost, portanto, não são poucos.  Mistério, suspense, fatos inexplicáveis e, com o perdão do trocadilho, flashforwards. O elenco também é bastante promissor: Joseph Fiennes, Sonya Walger (a Pennelope de Lost), John Cho, Jack Davenport, Brian O’Byrne, Courtney B. Vance, Christine Woods, Zachary Knighton e Peyton List. Mas é só.

    Não consegui sentir em FlashForward o mesmo impacto que tive ao assistir ao primeiro episódio de Lost.  A trama é ruim? Não, pelo contrário. É claro que bate a curiosidade para saber o que raios aconteceu com todo mundo e como tudo isso vai ser desenrolado pelos roteiristas. Mas, ainda assim, senti falta de “algo a mais”. Em sua visão, o protagonista Mark Benford (Fiennes), agente do FBI, vê que foi abandonado pela mulher (Walger), voltou a beber e que seu parceiro foi assassinado. Futuro promissor, não? Para completar, ele ainda se vê caçado, sem saber o motivo, por um grupo de mascarados. 

    Desesperado, o oficial corre contra o tempo para sobreviver no presente e tentar modificar o futuro. Sem entender o que está acontecendo, ele reúne sua equipe e começa a juntar as diversas visões dos demais (que, descobre-se podem ser complementares formando um grande quebra-cabeça). É aí, em minha opinião, que está a grande sacada da série e que pode me fazer mudar de opinião futuramente (assim espero).

    No geral,  foi um bom primeiro episódio, porém, pouco abaixo da expectativa gerada pelo ótimo marketing da ABC (que usava a imaginação dos espectadores ao perguntar “o que você faria se visse o seu próprio futuro?). Destaque, claro, para a cena do apagão geral (muito bem produzida e, de fato, me deixou um pouco angustiada) e para o ótimo gancho deixado para o final (que parece ter dado vida nova ao episódio): uma câmera de segurança flagra um homem encapuzado no meio da plateia de um estádio durante um jogo.  A cena até poderia ser considerada normal, não fosse o caso de ele ser a única pessoa acordada no planeta durante os 2 minutos e 17 segundos de “pane” global. No mais, atuações relevantes de Fiennes e Walger e muitas promessas. A conferir os próximos capítulos.

    POR: [Juliana D'Arede]

  • Excelente

    American Idol

    | Sony

    Alegrias, risos, decepção, choro. Há  quase 10 anos no ar como o programa de maior audiência dos Estados Unidos, American Idol continua juntando milhares de pessoas querendo ser o maior talento do país. Tudo isso, claro, com direito a muitas emoções e reações que acabam envolvendo o público e, quando nos damos conta, lá estamos nós dizendo que fulano semitonou e sicrano tem uma voz de anjo. Como espectadora assídua do programa, confesso que comecei a assistir à nona temporada com todos os pés atrás por dois motivos: a saída de Paula Abdul do corpo de jurados (por mais desnecessárias que fossem as suas opiniões, limitadas a comentários do tipo “você é único” e “touchdown!”, sua presença era cativante); e a entrada da apresentadora Ellen DeGeneres para substituí-la (não me levem a mal, eu adoro a Ellen. Ela é ótima apresentadora, mas o que ela entende de música?).

     

    E não é que eu fui surpreendida? A começar pelas seletivas dos estados, nas quais a ausência de Paula foi suprida por jurados convidados que proporcionaram momentos engraçadíssimos (Mary J. Blige e Victoria Beckham foram, sem dúvida, as mais gratas surpresas). Além disso, este foi um dos anos de maiores aprovações para a semana de Hollywood, que marcou a estreia de Ellen como jurada. E mesmo com toda a ironia e o jeito sádico com os candidatos (“você, um passo para trás, por favor. Não, agora para frente. Ah, não importa, você continua”), ela até que desempenha um papel razoável. Pelo menos, divertida ela é. Simon Cowell continua afiado como sempre (para mim, ele é, disparado, o melhor jurado da série), Randy segue em cima do muro em determinados momentos e Kara tenta criar um estilo "Paula" de se relacionar com os participantes. É válida a tentativa e está conseguindo tirar a péssima impressão que eu tinha dela.

     

    Neste sábado foi definido o Top 24, ou seja, os participantes que vão se apresentar ao vivo para disputarem as 12 vagas (seis homens e seis mulheres) para o American Idol. A cada ano que passa, mais gente nova (boa) aparece. Isso é ótimo e o que me faz querer sempre assistir ao programa. Os 24 finalistas da nona temporada são bons, muito bons (tirando uns dois que, provavelmente, não passam dessa primeira apresentação). A turma formada por Aaron, Alex, Andrew, Ashley, Casey, Crystal, Didi, Haeley, Janell, Jermaine, Joe, John, Katelyn, Katie, Lacey, Lee, Lilly, Michael, Michelle, Paige, Siobhan, Tim, Todrick e Tyler promete e eu não vejo a hora de começarem as performances. E, claro, meu palpite para o Top 12: entre as mulheres eu aposto em Crystal, Didi, Katie, Lacey, Lilly e Siobhan (mas, como o público é imprevisível, acredito que Didi dispute vaga com Haley ou Paige). Já entre os homens, eu fico com Andrew, Casey, Lee, Michael, Tim e Todrick (abrindo possibilidade para Tyler e John na vaga de Andrew ou Tim).  

     

    POR: [Juliana D Arede]