"'Final fantasy XIII' tem até bossa nova" | LABORATÓRIO POP


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17.03.2010 | 23:40

"'FINAL FANTASY XIII' TEM ATé BOSSA NOVA"

Gerhard Brêda



Antes mesmo de comer o primeiro cogumelo em Super Mario bros., o jogador já está ouvindo a icônica música tema do encanador bigodudo, em toda a sua glória 8-bits. O compositor Marcelo Martins sabe disso e se juntou a alguns colegas para formar a Clefbits, uma empresa especializada em criar trilhas sonoras para games. Em entrevista ao LABORATÓRIO POP, Marcelo falou sobre sua ligação com os games, sobre os planos da Clefbits e revelou qual o seu compositor favorito de música de videogame.

 

LABORATÓRIO POP: Qual a sua ligação com o mundo dos games? Você sempre jogou, começou mais tarde ou não joga?

 

Marcelo Martins: Sempre joguei. Tive consoles de todas as gerações e ainda compro muitos jogos. Jogo pelo menos uma hora por dia. Em 2002, fui convidado pelo jornal A Tarde, na Bahia, para ser colunista do caderno de informática. Aí foi uma maravilha porque eu tinha de jogar tudo que era lançado para fazer as resenhas dos jogos. Escrevi mais de 200. No fim de 2006 eu fui chamado para ser editor do site do Xbox 360 no Brasil e fiquei lá por um ano e três meses. Tive a oportunidade de trabalhar com a equipe da Microsoft no Brasil e conhecer o mercado brasileiro de games, além de falar com produtoras de jogos parceiras da Microsoft no mundo inteiro. Também produzimos vários jogos para o site do Xbox 360, o que movimentou bastante o fórum e trouxe resultados interessantes para a Microsoft no Brasil.

 

Como surgiu a inspiração de criar a Clefbits?

 

Eu quis unir duas paixões: música e videogames. Além de jogar todos os dias e conhecer o mercado de videogames, tenho uma relação muito estreita com música. Lancei três discos com minha banda de heavy metal (Plexus) e o último deles está disponível gratuitamente no site da banda. Escrevi um livro sobre produção musical para bandas independentes, chamado Comunicação Subterrânea. Trabalho com produção musical há mais de dez anos e já participei de trabalhos de artistas como Viper e Wanessa Camargo. No começo desse ano, resolvi fundar a Clefbits, junto com meus parceiros André Tavares, Daniel Maudonnet e Patrick Andrews. Todos tem experiência em produção musical e são apaixonados por videogames.

 

A Clefbits está trabalhando em algum projeto no momento?

 

No momento, estamos em contato com algumas produtoras, mas não estamos atuando em nenhum projeto.

 

A ideia da empresa é atender ao mercado nacional ou expandir as fronteiras para além do Brasil?

 

Vamos atender o mercado nacional e internacional. Nosso objetivo é criar a melhor música possível para os projetos de videogames e se o nosso cliente estiver no Japão, trabalharemos juntos também. O perfil da nossa equipe e do nosso tipo de trabalho nos dá mobilidade para trabalhar com produtoras em qualquer lugar do mundo.

 

No artigo publicado no LABORATÓRIO POP, você discute a importância da trilha sonora em um game. Qual a sua visão sobre games que utilizam músicas já gravadas como trilha sonora, como por exemplo os games da EA Sports (FIFA e Madden, por exemplo)? E os games de música?

 

Cada jogo tem a sua característica e jogos de esportes como os que você citou combinam muito bem com a trilha de bandas de pop/rock.  Eu já conheci muitas bandas interessantes através dessas trilhas. Seria realmente interessante pensar em bandas criando músicas exclusivas para esses jogos, com a temática proposta pela produção. Eu adoraria produzir algumas canções de bandas pensando na direção do jogo! Algumas produtoras orientais já adotaram essa tendência e utilizam canções (com vocais) em jogos de ação e RPG, como é o caso de The world ends with you, que é um RPG sensacional da Square Enix. Devil may cry, Bayonetta e Final fantasy também usam canções em trilhas.

Sobre os jogos musicais, eu acho um fenômeno muito interessante na indústria. Os jogos são muito bons e divertidos. No lado musical, é legal ver gente jovem se interessando em tocar instrumentos de verdade depois de ter detonado Guitar hero em todas as dificuldades. Eu fico imaginando como será a nova geração de bandas que treinaram as harmonias vocais jogando Beatles rock band.

  

Ainda no artigo, você discute que a música deve se adequar à época do que o game foi lançado, o que é verdade. Os Megamans dos anos 80, tinham batidas eletrônicas e riffs de guitarra (8 bits, claro). E agora, qual é o estilo?

 

Hoje, os produtores de jogos estão se apropriando de uma direção mais orquestral e hollywoodiana, já que as produções mais caras têm estrutura digna de filmes. Mas essa não é a única opção disponível. No Final fantasy XIII, tem até bossa nova. Eu acredito que os videogames precisam encontrar a sua própria linguagem musical. Os jogos são uma mídia diferente de tudo que já existiu e os produtores estão buscando alternativas para criar algo realmente novo. Eu citaria a música dinâmica como uma tendência saudável para o futuro. Esse tipo de música se adequa às ações do jogador e é algo que só pode ser feito nos videogames. Existem alguns jogos com música dinâmica no mercado, mas é uma coisa ainda pouco explorada. The legend of Zelda: Spirit tracks é um ótimo exemplo de jogo que utiliza música dinâmica.

Qual o seu compositor de música de videogame favorito?

 

É difícil escolher um só. Existem muitas pessoas talentosas nessa indústria e seria injusto citar um único compositor. Mas, pela importância histórica e como só posso citar um, seria o Koji Kondo. Ele criou as músicas mais memoráveis da história dos videogames e continua fazendo coisas sensacionais até hoje.

 

Qual o seu compositor de música de videogame favorito?

 

É difícil escolher um só. Existem muitas pessoas talentosas nessa indústria e seria injusto citar um único compositor. Mas, pela importância histórica e como só posso citar um, seria o Koji Kondo. Ele criou as músicas mais memoráveis da história dos videogames e continua fazendo coisas sensacionais até hoje.

 

Você já teve a oportunidade de criar músicas usando alguma tecnologia antiga, como, por exemplo, da época do NES?

 

Não, mas adoraria, se o projeto tivesse essa direção. Os compositores dessa época trabalhavam muito bem com as limitações dos consoles e criaram obras memoráveis. Algumas produtoras até estão criando novos jogos com a tecnologia antiga, como o Megaman 9. Seria sensacional trabalhar em um projeto deste tipo.

 

Qual a sua avaliação do mercado brasileiro de games atualmente? Ele vem crescendo ou estagnou?

 

O mercado brasileiro está se tornando cada vez mais profissional e existe muita gente talentosa atuando aqui. É difícil dizer se ele cresceu ou estagnou, mas o que percebo é uma dedicação cada vez maior dos profissionais e projetos muito interessantes sendo desenvolvidos. Se tivéssemos algum tipo de incentivo do governo brasileiro, seria ainda melhor. 

 

Você teve a oportunidade de assistir a algum Video games live?

 

Sim, já assisti e acho incrível.

 

Você acha que estes eventos de game music ao vivo refletem a importância da música nos games? Qual a sua opinião sobre o Video games live?

 

Esses eventos certamente mostram o quão importante é a música nos jogos, em que o jogador fica ali por muitas horas ouvindo esses temas. Impossível não sair cantando depois! Gruda mais do que música pop de rádio. Aqui no Brasil, infelizmente temos poucos eventos como esse, mas em outros países existem dezenas de iniciativas semelhantes e até especializadas! Para você ter uma ideia, no mês passado aconteceu na Suécia o Castlevania - The concert.

Eu assisti o Video games live e achei sensacional. Gostei da seleção dos temas, fiquei emocionado em alguns e parabenizo o Tallarico e toda a equipe responsável pelo excelente evento.

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