UMA CÂMERA NA MÃO, UMA BALA NA CABEÇA | LABORATÓRIO POP


GAME

31.07.2010 | 00:26

UMA CÂMERA NA MÃO, UMA BALA NA CABEÇA

Gerhard Brêda



A câmera balança descontrolada, claramente o cinegrafista não tem intimidade com o aparelho. Pixels cortam a tela a cada virada brusca, o clima é digital e lo-fi ao mesmo tempo. Parece um vídeo amador de Youtube, mas é o novo game de tiro da IO Interactive, Kane & Lynch 2: Dog days, que recentemente lançou uma demo na Xbox Live, PlayStation Network e Steam. O estilo visual é uma das ferramentas que o estúdio encontrou para transmitir a história suja do criminoso condenado Kane e seu insano parceiro, o psicótico e instável Lynch.

O Youtube foi uma grande inspiração para todos os detalhes de Kane & Lynch 2. Nas telas de carregamento, aparece um círculo igual ao do site de vídeos, com o jogo informando que está “buffering”. Ao correr, a câmera não segue com a firmeza de um Gears of war. Ela persegue, com passos largos e afoitos, tentando manter o foco. É difícil de se acostumar nos primeiros minutos, mas cria uma experiência muito mais coesa e condizente com o clima “sujo” do game.

O motor gráfico do game é o mesmo, mas Lund explica que foi altamente customizada para comportar o estilo artístico de vídeo online. O resultado é uma mistura de última geração com baixa resolução. Ainda assim, nos inimigos, a engine começa a mostrar sua idade, mas sem comprometer muito o resultado.

Na trama, a dupla estão na China. A primeira grande mudança em relação ao polêmico predecessor, Kane & Lynch: Dead men, é que Lynch é o personagem jogável. “Esta é a história dele”, comenta Lund ao LABORATÓRIO POP, que não revela a razão pela qual os personagens estão na Ásia. “Seria uma pena estragar alguma coisa. Só digo que esses dois são excelentes em destruir tudo e todos ao redor deles”.

As palavras de Lung já se tornam verdade na demo. Kane e Lynch estão comendo em um restaurante quando policiais invadem a espelunca, armas em punho, e as balas começam a voar. Alguns elementos do cenário são destrutíveis, causando uma chuva de estilhaços quando as rajadas invadem o salão. A primeira coisa que mudou foi o sistema de cobertura. No primeiro game, era necessário se aproximar de uma parede para que o personagem decidisse se encostar nela, uma mecânica que não funcionava perfeitamente. Agora, a IO decidiu adotar o mesmo esquema dos jogos de tiro modernos, com um botão para colar nas paredes e muretas. “O sistema de cobertura foi um dos primeiros a ser completamente retrabalhado”, explica Lund.

O primeiro game tinha um gigantesco potencial cooperativo, mas infelizmente não trazia o modo, mesmo tendo os dois personagens na mesma tela o tempo todo. Lund diz que isso mudou na sequência. “Sabemos que perdemos a oportunidade no primeiro game, estamos felizes de ter este modo em Dog days”, explica o diretor.

Um campo que foi elogiado no primeiro game foi o multiplayer, especificamente o modo Fragille Alliance, na qual os jogadores se juntavam em um grupo de ladrões de banco. A qualquer momento, um dos jogadores podia trair seu grupo, arriscando a vida para ganhar mais dinheiro com o assalto. O modo está de volta em Dog days, com novidades. “Fragille Alliance está de volta, com melhorias para ajudar (ou prejudicar) o jogador”, explica Lund. “Se alguém decide virar um traidor e tenta matar alguém de seu time e não consegue, a vítima caída, mas não morta, ganha um cartão amarelo que permite que ela mate alguém sem se tornar uma traidora. É muito dinâmico e aprofunda muito as regras de Fragille Alliance”.

Kane & Lynch 2: Dog days mira em uma estética inovadora e firmemente plantada no zeitgeist. Ver os personagens praticarem os atos brutais que praticam – Lynch, em determinado momento, mergulha a cara de um inimigo no óleo fervendo – com uma câmera tremida e pixelada adiciona uma carga de realismo que não existe em GTA IV, com seus ângulos polidos, como se fossem dirigidos por Martin Scorcese. Dog days é a assustadora história de psicopatas violentos e detestáveis, mas, estranhamente, fascinantes. “Não importa o quanto eles tentem fazer a coisa certa, eles dois são muito bons em fazerem as escolhas erradas”, define Lund.



*Foto: Divulgação

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