PIRATARIA LEGALIZADA | LABORATÓRIO POP


GAME

06.08.2010 | 22:13

PIRATARIA LEGALIZADA

Gerhard Brêda



Em uma tarde quente no Rio de Janeiro, um rapaz anda pelo labirinto de pequenos quiosques no maior mercado popular da cidade, o Saara, e encontra um game para comprar. Com R$ 15, ele descola um medalhão de Xbox 360, um Halo ou Gears of war. “Paralelo”, ou “genérico”, claro. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, um cidadão entra em uma grande cadeia como a GameStop e alcança um game na prateleira de usados. Paga mais barato em um game recente, como Mass effect 2, em uma transação completamente lícita. As publishers, no entanto, colocam as duas situações no mesmo saco de problemas.

Depois da EA e a THQ desenvolverem conteúdo apenas para os games comprados novos (por meio de um código único de ativação), chegou a vez da Activision arregaçar as mangas e declarar guerra contra o mercado de jogos usados, que movimenta bilhões – principalmente nos EUA – e não dá um centavo para as publishers.

As empresas argumentam, com razão, que quando um game é vendido pela segunda vez, a empresa deixa de conseguir um consumidor. A maior parte do faturamento da loja GameStop já vem do mercado de usados. A discussão, em última instância, acaba caindo no argumento dos games como produtos ou serviços, como artigos ou contratos de licensa.

A estratégia da Activision parece que vai seguir os passos da EA. O game novo permite que o jogador tenha acesso a conteúdo extra gratuito, por download. Caso o jogador que comprou o game usado queira acessar o conteúdo, precisa pagar uma taxa, geralmente de cerca de US$ 10, para comprar o download.

“Ainda estamos avaliando várias possibilidades para maior participação no mercado de games usados. O que está funcionando melhor por enquanto é fornecer conteúdo adicional para os produtos novos e limitar nos usados”, disse Thomas Tippl, COO da empresa, durante uma conferência com os investidores. “Então, essa é uma estratégia já testada que vamos continuar. Quaisquer outras iniciativas serão discutidas em um momento mais próximo da implementação”.

“Hoje, temos mais recursos do que nunca dedicados a criar conteúdo extra para Call of duty, sejam pacotes de mapas, sejam modos de jogo ou toda uma gama de novidades que vamos discutir quando nos aproximarmos mais do lançamento de Black ops”, completou o executivo.

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