09.09.2010 | 01:01
GUERRA DE MENTIRA
Gerhard Brêda
Para vencer uma guerra, é necessário mais do que equipamentos modernos, soldados bem treinados e planejamento estratégico sólido. É preciso mentir, enganar, trapacear, interceptar informações e estar sempre preparado. RUSE, o novo game de estratégia da Ubisoft e da Eugen Systems, é um dos primeiros a incorporar o lado mais sujo das guerras em um game. O LABORATÓRIO POP conversou com o CEO da Eugen Systems, Cedric Le Dressay, que contou um pouco como funciona esse game de estratégia em tempo real da Segunda Guerra.
A primeira coisa que o jogador precisa entender em RUSE é que não se trata de um jogo de estratégia em tempo real convencional. Sim, o jogador comanda e cria unidades em um grande mapa e precisa coletar alguns recursos, mas a ideia não é se sentir um deus onipotente, mas um general movendo suas peças em uma maquete. “Você é um general, portanto seu trabalho é tomar decisões”, explica Le Dressay. “Você prefere tanques, artilharia ou aviões? Prefere atacar pela direita com algum truque ou tentar superar seu inimigo no centro? Você quer investir em um novo prédio agora ou prefere acumular dinheiro para poder enfrentar os truques de seu inimigo?”.
A mecânica principal do game gira em torno dos “RUSEs”, que são táticas de espionagem e contra-espionagem, truques ou habilidades especiais, que o jogador ativa contra os inimigos ou em suas próprias unidades. É possível cortar comunicações por rádio e tornar unidades em um determinado setor do mapa invisíveis para os adversários, por exemplo.
“Os ‘RUSEs’ são um dos pilares do game, pois é possível ver os prédios e unidades dos adversários. Então, você pode usar esses truques para esconder o que você está fazendo, mostrar ações falsas ou modificar informações, como o tipo de unidades que você tem, guiando seu adversário para uma armadilha”, explica Le Dressay. “Mas é possível usar essas habilidades em batalha também. Com “Fanatismo”, suas unidades lutam até a morte. Com a “Blitzkrieg”, elas se movem mais rápido. É possível também esconder seus prédios em uma rede de camuflagem para evitar bombardeios e artilharia”.
Basicamente, é um sistema de poderes especiais, que remete a games como Warcraft III, com suas magias e poções, mas a diferença de RUSE está em sua gigantesca escala. “Em RUSE, as batalhas acontecem em mapas gigantescos, com cerca de 16km²”, revela Le Dressay. “É muito incomum em um videogame ter unidades com o mesmo alcance de suas versões reais. Por exemplo, a artilharia de longo alcance avançada pode destruir edifícios separados por muitos quilômetros”.
O sistema de zoom do game permite que a ação fique bem próxima das tropas no solo e, com pouco esforço, se distancie tanto que a ação sai do mapa: no nível máximo de zoom, é possível ver que RUSE se passa não no calor da batalha, mas em alguma base militar. As operações acontecem em uma maquete na sala de comando e as unidades são, na verdade, peças de um grande tabuleiro de batalha (como na imagem acima). É um toque muito interessante que realmente coloca o jogador na cadeira de um general.
A mecânica de truques e trapaças poderia cair por terra se a IA do game não fosse projetada para atuar como um jogador humano – ou algo próximo disso. “Nossa IA é muito sensível aos ‘RUSEs’. Ela não trapaceia e, se você esconder suas unidades usando um truque, ela não sabe onde essas unidades estão”, tranquiliza o executivo. “Por outro lado, a IA usa todos os tipos de truques para te tapear e provavelmente vai surpreender os jogadores em várias ocasiões”.
A inteligência das unidades também parece auxiliar os generais de poltrona, reduzindo ainda mais o micro-gerenciamento de unidades. “Em RUSE, as unidades tem um comportamento inteligente e você não precisa ficar gerenciando o tempo todo”, revela Le Dressay. “Unidades leves se escondem em florestas se estiverem próximas, unidades feridas vão recuar até se recuperar e unidades em movimento param assim que encontram ameaças”.
Em um computador, com a dupla mouse e teclado, a jogabilidade de RUSE flui como é costumeiro em jogos de estratégia. Aponte aqui, clique ali, arraste acolá. A diferença é que a Eugen Systems e a Ubisoft também querem levar o game para os consoles, aonde o gênero de estratégia em tempo real ainda engatinha e vive de experimentos.
“Para garantir a melhor experiência nos consoles, tivemos que criar um sistema de movimentação simples e o zoom foi muito útil nessa etapa”, revela Le Dressay. “Os controles também precisam ficar simples para evitar que os jogadores tenham que apertar todos os botões do joystick. Por fim, decidimos focar na estratégia em vez de apostar no micro-gerenciamento. Dessa forma, os jogadores podem controlar muitas unidades sem ficarem atolados com algumas tropas”.
O game também vai sair com suporte ao PlayStation Move, controle de movimento da Sony. “No Move, apostamos em pequenos movimentos de pulso e não em grandes gestos. Os controles são mais precisos no Move do que em um joystick convencional, então é possível sentar no sofá e curtir o game com uma jogabilidade similar, em qualidade, à dupla mouse e teclado”.
FORMULE

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