05.12.2011 | 18:54
DA SUÉCIA, COM AMOR
Gerhard Brêda
O Brasil não é exatamente o maior pólo de produção de videogames. Apesar do mercado estar extremamente aquecido, da Microsoft e da Sony estarem investindo cada vez mais agressivamente e de escolas voltadas para o desenvolvimento de games pipocarem em todos os cantos, o país ainda não tem grandes estúdios de renome. Mas isso não quer dizer que não exista produção: o carioca Critical Studio arregaçou as mangas e bateu na porta da publisher Paradox Interactive em busca de uma parceria. O projeto, ainda sem nome definido, vai ser lançado em meados de 2012, a princípio para PC.
Formado por veteranos de outros estúdios brasileiros e profissionais vindos de diversas outras áreas, o Critical Studio define o game como hardcore, mas não entrega detalhes de suas mecânicas. Em conversa com o LABORATÓRIO POP, o game designer Marcos Venturelli e o artista Gabriel Teixeira deixaram claro que a meta é criar games que eles querem jogar, algo com uma pegada hardcore. “É importante criar um jogo que esteja dentro da sua capacidade e que seja algo que você goste”, diz Venturelli. “As duas coisas que mais acontecem aqui no Brasil é ou você tentar criar um jogo que está muito além do que você pode fazer, como estrear com um jogo ultra-hardcore, ou pensar: ‘O dinheiro está nos jogos casuais de iPhone, Android e Facebook’, sem pensar que você não jogaria estes games, como consumidor”.
A Paradox Interactive, por outro lado, é conhecida de quem é fã de games de estratégia no PC. Como desenvolvedora, a empresa foca no nicho do nicho com títulos como Hearts of iron e Europa universalis. Como publisher, a Paradox amplia um pouco o foco, com alguns títulos bastante populares, mas sempre com um pé na estratégia, como Magicka, Mount & blade e King Arthur: The role playing war game.
A Paradox foi contactada pela Critical com o projeto de um game e firmou a parceria para distribuir o jogo, a ser lançado a princípio para o PC. “Devido ao sucesso de games como Mount & blade e Magicka, estamos em uma posição que nos permite lançar games que gostaríamos de lançar”, diz Shams Jorjani, produtor da Paradox. “Muitos estúdios sabem o que podemos proporcionar, em termos de lançamento, e nos procuram. Escolhemos games que nós gostaríamos de jogar, e nós sabemos o que o nosso público também gosta”.
Sobre a relação do publisher com o desenvolvimento de jogos, Jorjani garante que a Paradox costuma ficar de fora do processo, por confiar nos estúdios. “Confiamos que os estúdios sabem o que estão fazendo e que eles conhecem o jogo e nós sabemos a nossa parte, vender e promover games”, diz o produtor. “Mas isso não quer que não ajudamos em algumas etapas que sabemos que podemos ajudar. Em Magicka, por exemplo, não mexemos muito enquanto ele estava sendo desenvolvido, porque já gostávamos da ideia do game quando firmamos a parceria, mas recebemos uma cópia quando ele já estava quase pronto e fizemos muitos testes de foco, jogamos muito e percebemos que o game era muito difícil e que as mecânicas precisariam ser melhor explicadas para os jogadores. O estúdio então disse que não sabia como fazer isso e nós pensamos em várias sugestões de como tornar o game mais acessível”.
“Até agora, a Paradox não nos fez mudar nada internamente, continuamos seguindo o desenvolvimento da forma que queremos”, complementa Teixeira. “É como ter toda a liberdade de ser indie, mas com a rede de segurança que é ter uma publisher”.
O Critical Studio se esforça para tirar o estigma dos jogos brasileiros como necessariamente inferiores, ou a noção de que um jogo é bom ou ruim só porque foi desenvolvido por aqui. Venturelli confessa, no entanto, que um dos problemas no Brasil é encontrar profissionais qualificados. “Um cara que sai de uma escola de desenvolvimento de games por aqui acha que sabe fazer um jogo, mas não sabe”, explica. “Fazer um jogo é uma atividade maior que a soma de suas partes. O único jeito de saber, de verdade, como se faz um jogo, é fazendo vários”.
Embora o projeto ainda esteja enrolado de mistério, é possível presumir que seja lá o que o estúdio carioca esteja fazendo, tem um pé na estratégia, até mesmo considerando a linha de lançamentos da Paradox e o público que acompanha seus games. Os primeiros detalhes do game devem ser divulgados próximos à Games Development Conference, em 2012.
Foto: Divulgação
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