13.06.2011 | 01:12
O BOM, O MAU E O FEIO
Gerhard Brêda, de Los Angeles
O Wii U pegou o mundo de surpresa em algum nível. Já pipocavam rumores de que o novoconsole da Nintendo teria a potência similar à do Xbox 360 ou PlayStation 3 e a boataria já dava conta da tela embutida no controle. Mesmo assim, vá lá, ninguém tinha em mente essenome ridículo nem a extensão das inovações proporcionadas pelo joystick-tablet. No quesitoinovação, a E3 foi fraca, mas trouxe alguns bons games, como Mass effect 3, Batman: Arkhamcity, Modern warfare 3, X-COM e BioShock infinite.
A feira, como de costume, mostra um panorama velado, mas preciso, do cenário dovideogame atual. As publishers orientais, à exceção da Capcom, ficaram acuadas em estandesmodestos, com o caso mais deprimente sendo a Namco-Bandai, relegada a um canto e semgrandes games para mostrar. A Square-Enix até levou pompa, mas a empresa agora é mais uma publisher de games ocidentais do que uma desenvolvedora de RPGs nipônicos.
Por outro lado, as publishers americanas – ao lado da francesa Ubisoft – dominaram a feiracom os melhores games, com destaque para a Bethesda, 2K Games e Warner Games. Para variar, os FPS dominaram o cenário, os RTS, coitados, surgiram tímidos, os MMORPGs correram por fora e clones de Gears of war se esgueiraram pelas frestas, como o surpreendentemente bom Binary domain, da Sega. Mas aonde estão as surpresas?
A primeira grande ausência da feira é a Valve, um dos estúdios mais criativos atualmente. A E3seria a oportunidade perfeita para tirar Half-life 3 do status de lenda urbana e começar a geraresperança nos fãs de Gordon Freeman. A empresa não surgiu nem com um estande para falar do Steam e, embora isso já houvesse sido divulgado, a decepção é a mesma. Outro estúdioque poderia muito bem ter dado as caras é a Rockstar. A pergunta na ponta da língua de todos os jogadores é: “Como anda GTA V?”. Pois é, aparentemente não anda.
Alguns jogos já conhecidos do público decepcionaram ao ficarem confinados em portas fechadas. BioShock infinite, o novo filhote de Ken Levine e um reboot completo na franquia, não deu o ar da graça em forma jogável, mesmo tendo sido anunciado no começo do ano, comalguns trailers e telas já divulgadas. O mesmo vale para X-COM e, estranhamente, Duke Nukemforever, que só apareceu com seu fraco modo multiplayer. O novo Hitman e o reboot de Tomb raider fizeram pouco barulho na feira também, tornando possíveis novidades em teasersextremamente vagos.
As três empresas principais – Nintendo, Sony e Microsoft – tiveram performances muitodiferentes durante a feira. A Sony veio com fôlego de novata, fortalecendo o PlayStation com medalhões como inFamous 2 e Uncharted 3: Drake’s deception, ao mesmo tempo que lançava um golpe duríssimo no 3DS com o recém-batizado PlayStation Vita, um nome elegante paraum interessante portátil, com gráficos impressionantes e muito potencial. Se alguns anos atrás a Sony foi motivo de piada com um PlayStation 3 sem grandes jogos a US$ 600, em 2011 a empresa dominou o cenário.
No lado oposto do espectro, está a Microsoft, que apenas provocou com um novo Halo na conferência e não levou nenhuma novidade interessante para a feira. O Kinect, enquanto isso, vira um abismo de jogos casuais dispensáveis e o frescor da novidade já desapareceu. Starwars kinect, uma das últimas promessas do periférico de atender a um público hardcore, é apenas mais uma ofensa à obra original de George Lucas. O Kinect é, atualmente, uma espéciede Sega CD bem sucedido, mas em vez de um Sonic, se sustenta em Dance central.
No meio do caminho, está a Nintendo. De um lado, novidades interessantes e uma possívelrevolução na indústria com o Wii U. Por outro lado, a eutanásia velada do Wii, com direito a um Zelda fechando o console, assim como o Game Cube e seu Twilight princess. Skywardsword tem ideias interessantes, mas sem o WiiMotion Plus, a falta de precisão faz o jogadorpensar que um controle tornaria o jogo bem melhor. O 3DS, por outro lado, trouxe as armaspesadas, tanto em boas ideias para velhos personagens, como o 2,5D de Super Mario 3D,quanto novas versões de velhos clássicos, com The legend of Zelda: Ocarina of time e Star fox64. A Big N não confirmou a morte do Wii (nem do DS, por extensão), mas é bastante aparenteque os sistemas não tem um futuro brilhante.
A Nintendo quer – finalmente – entrar na nova geração, a Microsoft está acomodada e a Sony traz fôlego de iniciante com experiência de veterana. As grandes surpresas ficaram paraescanteio e alguns grandes games ficaram escondidos nos estandes. Mas, se o que importa são os games, eles estavam lá. Seja na forma de um justiceiro que se veste de morcego durante as noites de Gotham ou um fuzileiro espacial que está montando um exército galáctico paraenfrentar uma ameaça quase indestrutível, seus dedos estarão ocupados nos joysticks e touchscreens por um bom tempo.
Foto: Gerhard Brêda
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