HERÓIS DE BRINQUEDO | LABORATÓRIO POP


GAME

30.08.2010 | 22:20

HERÓIS DE BRINQUEDO

Thomas Schulze



Sabe aquela regra de que no mundo dos videogames todos os games baseados em filmes que não se chamam Goldeneye 007 tendem a ser péssimos? Graças ao bom trabalho do pessoal da Avalanche Software e da Disney Interactive Studios, é possível acrescentar Toy story 3 à lista de exceções a regra.

Claro, o game não consegue fazer pela indústria de jogos o mesmo que o magistral filme da Pixar fez pelo cinema, mas em um mundo dominado por jogos desenvolvidos porcamente e com pressa para ter seu lançamento concomitante à estreia dos filmes homônimos, descobrir que Toy story 3 é um jogo bem divertido é uma grata surpresa.

Existem dois modos principais de jogo. O primeiro é o modo história, no qual é possível trilhar o mesmo caminho do filme, passando por cenários famosos como a casa de Andy, a creche, o lixão, etc. O jogador pode assumir o papel de Woody, Buzz ou Jessie, e cada um deles tem talentos diferentes, essenciais para superar os obstáculos do cenário. Buzz é lento, mas forte, e pode arremessar seus parceiros para plataformas distantes, enquanto Jessie é ágil e ligeira, porém fraca, conseguindo escalar plataformas perigosas como pequenos dardos presos na parede. Então é preciso usar a cabeça e alternar entre os personagens com sabedoria para vencer. Para tornar a jornada ainda mais divertida, é possível encarar a aventura em modo co-operativo com tela dividida, o que é sempre louvável. Não que a aventura solo não tenha seus momentos, mas trabalhar em equipe torna tudo mais eletrizante.

Mas o verdadeiro trunfo de Toy story 3 é o modo Toy Box. Trata-se de um mundo aberto, em que é possível brincar com todos os personagens da franquia. Nada mais adequado para um game sobre brinquedos, não? Uma ideia simples e inteligente, que é executada com grande sucesso.

A princípio não há muito o que se fazer, pois o cenário está deserto e não há tantos brinquedos a disposição. Mas basta interagir com seus amigos iniciais para receber missões que liberam novos personagens e, com eles, novos desafios.

As tarefas não são exatamente complexas, e os jogadores mais exigentes podem se frustrar com a ausência de dificuldade real. Mas o ponto é que são missões bem pensadas, divertidas e rápidas, então é raro ficar entediado com o jogo. Na verdade, o mais provável é ficar um pouco viciado, ansioso para liberar mais e mais atividades.

Até mesmo porque a recompensa por vencer os desafios é bastante gratificante. Depois de um tempo, é possível customizar completamente a Toy Box, alterando desde as roupas dos personagens até o design das estruturas, dando ao mundo a cara que bem entender. Fica a ressalva de que a versão para Wii possui um modo de edição e customização ligeiramente mais limitado que as versões para Playstation 3 e Xbox 360, e não possui suporte para dois jogadores no modo Toy Box, o que é bastante frustrante.

Graficamente o game não faz feio. As animações em computação gráfica lembram bastante o estilo da Pixar e devem botar um sorriso no rosto dos fãs do filme. Ou melhor, apenas aumentar o sorriso que já deve ter sido aberto ao ouvir o marcante tema You've got a friend in me, de Randy Newman, nos menus. A jogabilidade não compromete jamais e raramente a câmera causa dores de cabeça, então é só curtir tudo sem maiores preocupações.

Toy story 3 é um exemplo de game bem intencionado e desenvolvido com carinho, que oferece boas ideias, horas de diversão, e evita o caminho preguiçoso que a maioria das adaptções de filmes abraça. Não chega no nível Pixar de genialidade, é verdade, mas às vezes um jogo bom, divetido e honesto é tudo que é preciso para ser feliz.

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