Anatomia de uma derrota | LABORATÓRIO POP


GERAL

05.07.2010 | 00:03

ANATOMIA DE UMA DERROTA

Rodney Brocanelli



Passado o impacto da desclassificação da seleção brasileira, é hora de uma análise individual dos principais nomes que fizeram parte desta campanha na Copa da África do Sul.

Julio Cesar
- A contusão que sofreu no amistoso contra o Zimbabue preocupou bastante, mas não interferiu no seu desempenho dentro da Copa. Embora tenha tomado dois gols, um da Coréia do Norte e outro da Costa do Marfim, foi pouco exigido nos primeiros jogos do Brasil. Apareceu mais (e melhor) na partida contra Portugal, se arriscando em divididas com os atacantes. Falhou no momento mais inapropriado da competição, nas quartas-de-final, quando aconteceu o primeiro gol da Holanda.

Maicon
- Um dos poucos jogadores que sai deste mundial com a imagem arranhada. Fez um golaço contra a Coréia do Norte, dando tranquilidade ao time que estava sofrendo com a retranca adversária. Suas atuaçãoes comprovam que o Brasil está bem servido na lateral-direita desde Djalma Santos.

Lúcio
- Por mais incrível que possa parecer, a zaga não foi o grande problema desta seleção que foi à África do Sul. Lúcio atuou bem e até fez mais do que se esperava dele. Em muitos momentos, ele carregava a bola da defesa até o meio-campo, com suas passadas largas, para tentar criar alguma jogada.

Juan
- Apesar de dar alguns sustos, como na partida contra Portugual, o zagueiro teve boa participação nas partidas que atuou. Era sempre o elemento-surpresa que chegava na área adeversária e foi premiado com um gol na partida contra o Chile. Talvez se ele tivesse marcado um gol no jogo contra Holanda, ainda no primeiro tempo, a seleção brasileira teria uma melhor sorte nesta Copa.

Michel Bastos
- Sentiu a responsabilidade de defender o Brasil numa Copa do Mundo. Suas participações fizeram muitos sentirem saudades de Roberto Carlos. Na partida contra a Holanda fez a falta que originou o gol de empate. Nervoso, teve que ser substituido para não ser expulso. Se na lateral-direita, a seleção esteve bem servida, não se pode dizer o mesmo da lateral-esquerda.

Gilberto Silva
- Na sua terceira Copa consecutiva, o volante não teve o mesmo desempenho que surpreendeu o mundo em 2002, quando entrou com a díficil missão de substituir o contundido Émerson. Numa entrevista, Dunga o defendeu com as estatísticas oficiais da Fifa. Contudo, o técnico se esquece de que os números também podem enganar.

Felipe Melo
- Durante a Copa, não conseguiu apagar a má impressão que o planeta todo tinha a seu respeito quando de sua convocação. Destemperado, sempre correu o risco de ser expulso nas partidas da seleção brasileira. Por isso, teve de ser substituido na peleja contra Portugal. Nem mesmo o conversador árbitro japonês que apitou Brasil x Holanda teve paciência com o jogador e o expulsou, após pisar em Robben. Virou o símbolo de mais um fracasso da seleção brasileira na história das Copas.

Elano
- Outro que vinha atuando bem e poderia ser o artilheiro do Brasil nesta Copa não fosse a contusão que teve na partida contra a Costa do Marfim.

Kaká
- É o seu segundo fracasso consecutivo em Copas do Mundo. Em 2006, seu nome não foi muito lembrado na hora das responsabilizações, uma vez que outros atletas tinham culpas maiores na ocasião. Desta vez, chegou a África do Sul em condições físicas não satisfatórias. Alternou bons e maus momentos nas partidas em que atuou. Apresentou um inexplicável descontrole emocional em algumas ocasiões, dentro e fora de campo. Se perdeu ao entrar numa polêmica estéril com o jornalista Juca Kfouri. A imagem que fica de Kaká são os palavrões que ele, evangélico, disse durante os jogos do Brasil.

Robinho
- Esperava-se que ele fosse o grande protagonista da seleção brasileira, com a má fase de Kaká. Só foi aparecer bem mesmo nas partidas contra o Chile (quando esta já estava decidida) e contra a Holanda, marcando gols. Parceia pressionado com a camisa 11 e não apresentou seu repertório de jogadas que encantou o mundo e fez com que sua presença fosse exigida por multidões na Copa de 2006.

Luis Fabiano
- Passou a fase de amistosos pré-Copa em branco. E os adversários eram seleções do porte do Zimbabue e Tanzânia. Não marcou na partida contra a Coréia do Norte, em tese o adversário mais fraco do grupo do qual o Brasil participou neste mundial. Só voltou a marcar na partida seguinte, contra a Costa do Marfim. Usou da malandragem num de seus gols, usando os dois braços para ajeitar a bola. Coincidência ou não, a arbitragem não foi tão condescendente com a seleção a partir de então. Dois pênaltis deixaram de ser marcados, um no jogo contra o Chile e outro contra a Holanda.

Gomes
- Entrou bem nos amistosos da fase de preparação. Não foi mais lembrado durante a Copa.

Ramires
- Fez uma excepcional partida contra o Chile. Contudo, ele tem o grave defeito de tomar cartões tolos. Um deles o tirou da partida contra a Holanda.

Josué
- Entrou no decorrer de algumas partidas, mas não mostrou nada que o fizesse ser lembrado, seja para o bem ou para o mal.

Kleberson
- Participou da partida contra o Chile talvez para não ficar com o rótulo de turista acidental.

Doni
- Este sim, o verdadeiro turista acidental. Especador privilegiado da Copa do Mundo, não foi lembrado nem para participar dos amistosos contra Zimbabue e Tanzania. Se desejar, pode escrever um livro. O título é quase certo: "O que eu vi nesta Copa do Mundo".

Daniel Alves
- Não mostrou nesta Copa a estrela que teve na Copa das Confederações do ano passado, quando marcou gols importantes.

Gilberto
- Entrou num dos momentos mais difíceis da seleção nesta Copa, contra a Holanda, e pouco pode fazer.

Dunga
- Como já foi dito aqui, não teve a mesma sorte que o acompanhou em competições anteriores e o tirou de situações difíceis, como na semi-final da Copa América de 2007, quando o Brasil venceu o Uruguai nos pênalits. Assim como Kaká, também se portou de forma descontrolada tanto fora de campo, quando só faltou jogar o sapato no jornalista Alex Escobar, como dentro de campo, na partida contra a Holanda, em que ele quase mordeu o poste de sustentação e o teto de acrílico que protege o banco de reservas.

Jorginho
- Também evangélico, Jorginho perdeu uma boa chance de ser o ponto de equilíbrio de uma seleção desequilibrada emocionalmente. Assim como Dunga, partiu para o ataque contra a imprensa logo numa das primeiras entrevistas coletivas após a chegada na África do Sul.

Rodrigo Paiva
- O que faz um assessor de imprensa no banco de reservas da seleção brasileira? Proteger a comissão técnica não era o caso, uma vez que, ao contrário do que acontece no Brasil, não havia repórteres dentro de campo.

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