20.11.2010 | 14:54
A OUTRA FACE
Rodney Brocanelli
A fórmula dos pontos corridos parece ter se estabilizado no campeonato brasileiro. São oito temporadas (contando com a atual) em que o clube que faz mais pontos é o campeão. Em todo esse tempo, não parece existir qualquer objeção aos campeões brasileiros desde 2003. Em épocas anteriores, quando havia mata-mata ou agrupamento de equipes em duas chaves finais, sempre dá para contestar um campeão ou outro. Um exemplo é o Santos de 2002. Aquele time que tinha Robinho e Diego era, de fato, espetacular, mas não dá para esquecer que ele ficou apenas na oitava colocação durante a fase de classificação.
Contudo, de uns tempos para cá, o campeonato de pontos corridos passou a ter uma outra face, mais controversa. Sempre quando a competição começa a entrar em sua reta final, alguns clubes, de acordo com a sua colocação na tabela, passam a encarar o Brasileirão de maneira mais displicente.
Um exemplo vivo deste segundo item é o Palmeiras. A equipe dirigida por Luis Felipe Scolari está numa posição intermediária da tabela. É o décimo colocado. Não está arriscado a cair para a série B. Por outro lado, suas chances de título inexistem. Seu atual foco é a Copa Sulamericana, na qual vai muito melhor. Se conquistar seu título, vai ter vaga na Copa Libertadores 2011.
Nos seus últimos jogos, o Palmeiras tem entrado em campo com um segundo time. Se o primeiro já não é aquelas coisas, imagine o segundo. Um dos favorecidos por essa postura foi o Atlético-GO. Lutando para fugir da zona do rebaixamento, o clube goiano deve estar agradecendo até agora por ter vencido os reservas do Palmeiras por 3 a 0, no Serra Dourada. O velho clichê diz que o “se” não joga, mas fica a pergunta no ar: e se o alviverde tivesse escalado seus titulares nessa partida?
No ano passado, foi a vez do Corinthians tratar do campeonato brasileiro com desdém. Já classificado para a Libertadores, o time se limitou a ser apenas um coadjuvante de luxo. Quem agradeceu foi o Flamengo, especialmente naquela partida em Campinas na qual o então goleiro Felipe não fez a mínima questão de saltar para defender um pênalti.
E o campeonato do ano que vem vai ter esse mesmo tipo de situação. Um ou mais clubes vão se conformar com suas colocações intermediárias na tabela e disputar suas partidas de qualquer jeito.
Solução para esse estado de coisas? Vai ser mais trabalhoso, mas talvez adotar a tabela dirigida para todos os jogos a partir do segundo turno, com direito a sorteio de jogos, seria uma saída para se pensar.
FORMULE
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