A sucessão de Ricardo Teixeira | LABORATÓRIO POP


GERAL

13.07.2010 | 00:51

A SUCESSãO DE RICARDO TEIXEIRA

Rodney Brocanelli



Se colocarmos numa balança a relação custo-benefício dos 20 e tantos anos de permanência de Ricardo Teixeira à frente da Confederação Brasileira de Futebol, a mesma não pende tanto a seu favor. As solicitações para que ele deixe o cargo, (seja por vontade própria ou derrubado) iniciadas logo após mais uma desclassificação do Brasil em Copas, são mais que bem-vindas. Contudo, o afastamento de Teixeira não resolve todos os problemas do futebol brasileiro por si só.

É preciso parar com esse conceito simplista de que uma simples mudança de nomes possa acarretar em grandes mudanças na estrutura do nosso futebol. Quando eu era moleque (e isso faz tempo), lembro-me de que a grande reclamação dos jornalistas era em relação ao fato de que as federações estavam infestadas de políticos. À época, o narrador Sílvio Luiz se candidatou  à presidência da Federação Paulista de Futebol (por duas vezes) como uma forma de protestar contra isso. Pouco tempo depois, ao menos em São Paulo, a classe política parou de usar a federação como vitrine ou trampolim. Contudo, isso não significou uma melhora do futebol no estado.

Um discurso muito ouvido atualmente é o que defende a presença de ex-jogadores de futebol em cargos diretivos do futebol. A tese vem ganhando força nos últimos tempos e parte de um princípio no qual a experiência dentro de campo pode fazer com que os atletas consigam administrar bem o futebol fora das quatro linhas. Se levarmos em consideração a atual experiência brasileira, muitos que defendem essa ideia deveriam repensar bastante seus conceitos. A atual gestão de Roberto Dinamite à frente do Vasco faz muitos torcedores sentirem saudades de Eurico Miranda, infelizmente.

A grande questão é que não temos nomes para substituir Ricardo Teixeira. Como não existe oposição, não há uma grande liderança que faça frente a ele. Aliás, é curioso notar que o papel que deveria ser da oposição acaba sendo cumprido por uma parte (mínima, lamentavelmente) da imprensa.

Olhando rapidamente para alguns clubes, não se consegue pinçar um nome que desperte suspiros. Luis Gonzaga Beluzzo, nome saudado como exemplo de renovação atuando à frente do Palmeiras, lembra muito o célebre Pateta, personagem do cinema e dos quadrinhos que traz a grife Walt Disney. Tem boas intenções, mas é totalmente atrapalhado. Andrés Sanchez, mandatário do Corinthians, não tem o perfil para o cargo, para se dizer o mínimo.

O nome de Patrícia Amorim ganha um olhar simpático pelo fato de ser mulher. E por que não uma mulher para modernizar o futebol brasileiro? Seria também uma vitória contra aquela visão machista de que elas não entendem de futebol. No entanto, nota-se que ela ainda está muito crua para lidar com um mundo que por muitas vezes é cruel.

Enfim, apesar de Teixeira não pretender largar esse osso tão cedo, a questão de sua sucessão deve ocupar os pensamentos daqueles que vivem o futebol.

Leia outras notícias gerais

FORMULE