04.12.2011 | 13:26
ADEUS SóCRATES. E OBRIGADO POR TUDO
Rodney Brocanelli
O enterro de Sócrates deverá acontecer no final de tarde deste domingo, na cidade de Ribeirão Preto. O ex-jogador morreu durante a madrugada, vitimado por uma infecção generalizada. Ele estava internado no hospital Albert Einstein desde a última quinta-feira. Era a sua terceira internação só neste ano de 2011. Logo após uma delas, Sócrates revelou a programas de tv que seus problemas de saúde eram decorrentes do consumo excessivo de álcool. Tinha 57 anos.
O radialista Vander Luiz, da Rádio Jovem Pan (SP), disse que era difícil para um adolescente nos anos 80 guardar na memória uma fórmula matemática, química ou física. Mas era fácil saber de cor o nome completo do jogador que defendeu o Corinthians: Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira.
Sócrates começou sua carreira no Botafogo, de Ribeirão Preto, a cidade que seus pais adotaram para viver. O jogador nasceu em Belém, no dia 19 de fevereiro de 1954. Seu futebol chamou a atenção dos grandes clubes da capital. Vicente Matheus, do Corinthians, foi mais esperto e conseguiu seu passe.
Coincidência ou não, a partir desse casamento, Corinthians e Sócrates viveram momentos maravilhosos no futebol brasileiro. O time conquistou três campeonatos paulistas: 1979, 1982 e 1983. Enquanto isso, o atleta se transformava em um dos astros do futebol brasileiro. Mas um astro diferente, que não se deslumbrava com tudo o que a fama poderia lhe oferecer. Ele aproveitou para firmar posições contra o establishiment vigente e se transformou numa voz incômoda.
Na seleção brasileira, disputou duas copas: em 1982 e 1986. Na primeira, fez parte de uma das maiores seleções de todos os tempos e completou um meio-campo fomado só por craques: ao seu lado, na criação, tinha Zico como parceiro. Um pouco mais atrás, Toninho Cerezo e Falcão formavam a dupla de volantes. Apesar do excelente futebol, a Itália apareceu pelo caminho para acabar com aquele futebol dos sonhos.
Quatro anos mais tarde, no México, nem Sócrates e nem a seleção brasileira apresentaram o mesmo brilho. No entanto, uma imagem do jogador ficou marcada para sempre. Na primeira partida contra a Espanha, ele entrou em campo com uma faixa na cabeça que tinha os seguintes dizeres: "Mexico sigue em pie". Nem precisa de tradução. Era uma mensagem ao povo mexicano, que no ano anterior tinha passado por um terrível terremoto. A tragédia matou milhares de pessoas e colocou em dúvida a realização daquele mundial.
Depois de defender o Corinnthians, Sócrates se transferiu para o futebol italiano. Lá, defendeu a Fiorentina, mas não ficou muito tempo. De volta ao Brasil, defendeu o Flamengo e conquistou mais um título: o de campeão carioca, em 1986. Jogou pelo Santos também, antes de encerrar a carreira.
Longe do futebol, tentou até virar técnico, mas desistiu após ter más experiências. Retomou sua carreira na medicina. No últimos anos, transformou-se em jornalista, com participações em programas de tv e assinando colunas em jornais e revistas.
Numa entrevista ao programa Móbile, da TV Cultura, há pouco mais de um ano, ele disse que gostaria de atuar como ator no teatro. Não seria sua primeira incursão pela área artística. Nos anos 80, ele chegou a gravar um disco com músicas sertanejas.
Uma pena que Sócrates não tenha deixado discípulos no futebol. Especialmente no Brasil, não temos atletas como ele, dentro e fora de campo. De qualquer forma, sua biografia está aí para servir como exemplo às futuras gerações. Para o bem e para o mal. Por agora, só nos resta dizer adeus à Sócrates. E obrigado por tudo.
FORMULE
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