07.06.2010 | 00:27
DESDE 82, ARBITRAGEM BRASILEIRA VIVE BOA FASE EM COPAS
Rodney Brocanelli
Na coluna anterior, falamos sobre a história dos árbitros brasileiros em Copas do Mundo até 1978. Se até então, a participação era irregular e cheia de problemas dentro e fora de campo, o Mundial de 1982, na Espanha marcou o ínicio de uma nova fase, em que nossos juízes passaram a ocupar um lugar de destaque dentro da competição. O sucesso de alguns deles, como veremos a seguir, dependeu bastante do fracasso da seleção brasileira.
Arnaldo Cesar Coelho, muito criticado por deixar a França usar um uniforme verde na partida contra a Hungria em 1978), viveu sua redenção quatro anos mais tarde ao ser escalado para a final entre Itália e Alemanha. É bem verdade que muitos brasileiros encararam a decisão da Fifa com muito pesar, pelo fato de preferir ver na final a super seleção de Telê Santana que tinha, entre outros , Zico, Falcão e Sócrates.Como isso não foi possível, o jeito foi torcer por um bom trabalho do árbitro. Ele não decepcionou, e sua atuação não influenciou no resultado. Arnaldo teve alguns aborrecimentos com o meio campista alemão Stielike, mesmo assim, não precisou usar o cartão vermelho.
No México, em 1986, outro fracasso da seleção brasileira abriu portas para um arbitragem brasileira na grande final. O escolhido desta vez foi Romualdo Arpi Filho. Apelidado pela imprensa paulista de o “rei dos empates”, ele teve a chance de arbitrar Alemanha e Argentina na grande final, que, por sinal, não terminou em empate. Arpi Filho não se intimidou com Maradona, a grande estrela do Mundial, e lhe aplicou um cartão amarelo.
Embora tenha sido escolhido o melhor árbitro da Copa de 1990, na Itália, o polêmico e controvertido José Roberto Wright não trabalhou na grande final. A Fifa achou melhor não indicar mais um brasileiro pela terceira vez consecutiva. Contudo, ele não ficou de fora de um jogo importante daquela competição, atuando na semifinal entre Alemanha e Inglaterra.
Nas Copas seguintes, a participação brasileira já não obteve tanto destaque, apesar das atuações dos indicados transcorrerem sem grandes polêmicas. Tal fato coincide com a melhora no desepenho da seleção brasieira. Em 1994, ano do tetra, Renato Marsiglia apitou apenas duas partidas: Bélgica x Holanda e Suécia x Arabia Saudita. Na França, em 1998, com o Brasil vice, Marcio Resende de Freitas também fez duas partidas: França x África do Sul e Bélgica x Coréia do Sul.
2002 marca o começo da hegemonia de Carlos Eugenio Simon. Com a boa campanha brasileira, que culminou no penta, ele não foi muito longe, atuando em partidas da primeira fase como Inglaterra x Suécia e México x Itália. Na Alemanha, em 2006, mesmo com a desclassificação do Brasil nas quartas-de-final, Simon, não foi indicado para jogos importantes do restante da segunda fase. Ele trabalhou na partida entre Alemanha x Suécia, válida justamente pelas oitavas. Agora, na Copa da África do Sul, ele terá uma nova chance de ir mais longe. Isso se a seleção brasileira deixar.
FORMULE
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