"Escrever pornografia é divertido" | LABORATÓRIO POP


GERAL

01.03.2010 | 21:15

"ESCREVER PORNOGRAFIA é DIVERTIDO"

Carolina Leal



O corpo é todo tatuado. Os cabelos ora são loiros, ora escuros. A paixão é pelo rock n’ roll e a felicidade, ela garante, foi encontrada nos novos ares de Los Angeles, ao lado do roqueiro e ator Coyote Shivers. Mayra Dias Gomes queria mesmo era ser uma rockstar. Renegava seguir a mesma profissão do pai, o saudoso autor Dias Gomes. Tinha medo das comparações, das cobranças. Nesta semana, a escritora bonitona - que se diz uma pessoa muito sexual - enveredou por outros caminhos, lançando seu primeiro conto erótico na revista Sexy. Também anunciou a vontade de escrever um livro erótico.

Em entrevista ao LABORATÓRIO POP, Mayra, com 22 anos, conta a nova fase de sua vida, envolvendo o casamento, o gosto pela pornografia, a relação de sua escrita com o rock, sua timidez em começar uma carreira musical e declara que Los Angeles "é um lugar muito inspirador onde todos estão em busca de um sonho". Inclusive ela.

Uma guitarra desafinada frustrou uma apresentação musical ainda durante a escola e fez a menina passar longe do instrumento. Momentos difíceis durante a adolescência levaram Mayra à depressão e a um envolvimento com entorpecentes. Foi daí que ela tirou o impulso para ultrapassar os medos e ir à escrita, onde encontrou sua principal forma de expressão. Na época, chegou a declarar que "ou escrevia ou se matava". O resultado? Já aos 19 anos, misturando autobiografia e ficção, lançava seu primeiro livro, Fugalaça. E, a partir daí, não parou mais de se dedicar às palavras, seja no jornalismo, na literatura ou escrevendo letras de músicas.

Depois de lançar o segundo livro, Mil e uma noites de silêncio, em 2009, acabou, por acaso, dando outros rumos à sua vida e decidiu morar em Los Angeles. A escritora, que se dizia infeliz no Brasil, viajou para a cidade a passeio e não voltou mais.  Já na segunda noite por lá conheceu o roqueiro Coyote Shivers, de 44 anos, com quem, anuncia, pretende se casar em um mês.  Passou a  colaborar para o site da revista americana Spin e segue com a coluna de rock quinzenal no jornal Folha de São Paulo.

O que provocou sua mudança para Los Angeles? Você disse que pretende continuar morando aí depois de casada e "ser o melhor de Los Angeles"... 

Inicialmente eu vim para os Estados Unidos para tirar férias. Pretendia passar um mês em Los Angeles,  estava me sentindo muito infeliz no Brasil. Eu havia acabado de lançar meu segundo livro e senti que era o momento certo para respirar novos ares. Tudo aconteceu por acaso. Conheci meu noivo na minha segunda noite aqui e nos apaixonamos. Los Angeles é uma cidade cheia de oportunidades, Hollywood, principalmente. É um lugar muito inspirador onde todos estão em busca de um sonho. Aqui eu sinto que tenho oportunidade de fazer ou ir atrás de qualquer coisa que eu quiser.  

Por que o casamento com Coyote Shivers, que ia acontecer em janeiro, foi adiado? Já tem data nova marcada? 

O casamento foi adiado porque tivemos que resolver algumas burocracias. Simplesmente não deu tempo, mas são vou entrar em detalhes. Minha família o conheceu na semana passada e agora vamos marcar a data novamente. Esperamos poder realizar a cerimônia em menos de um mês.

Em Los Angeles, o jogador de basquete Dennis Rodman te convidou para transar num dia em que você estava na piscina com sua família. Como foi isso?

Ai, meu Deus! Ele estava na piscina do hotel onde minha família estava hospedada e estava claramente bêbado, querendo companhia. Não foi nada demais, essas coisas acontecem. Eu apenas disse que “não, obrigada”.

Você escreveu um conto erótico para edição de março da revista Sexy e anunciou a vontade de escrever um livro erótico. Como é esse gosto pela pornografia?

Foi meu primeiro conto erótico e me excitou muito escrevê-lo. Algumas passagens do meu segundo livro, Mil e uma noites de silêncio, têm conteúdo pornográfico. Acho que isso chamou a atenção da revista. Escrever pornografia é divertido e me faz romper ainda mais tabus. O erotismo tem sua própria justificação moral, pois diz que o prazer é suficiente. É uma afirmação de independência, de autoridade suprema.

Você declarou à revista Outro estilo que sempre foi uma pessoa muito sexual. Escrever contos eróticos é uma das formas de expressar sua sexualidade?

Pode se dizer que sim. Contos eróticos são escritos para excitar os leitores, portanto o escritor também precisa estar excitado para escrevê-los. É uma ótima maneira de fazer algo produtivo com as minhas taras sexuais.

Como é a sua relação com a literatura do seu pai?

 Eu não queria me tornar escritora porque meu pai era escritor e eu achava que essa era a profissão dele, não a minha. Tinha medo das comparações, da cobrança. Foi muito difícil lidar com a pressão que foi colocada em cima de mim quando lancei meu primeiro livro. Algumas pessoas me atacavam como se eu tivesse que ter escrito clássicos aos 16 anos  porque meu pai era o autor de O pagador de promessas. Eu sempre o admirei muito, sempre fui fã do seu trabalho. Acho que meu pai é um escritor extremamente sensível, engraçado e confrontador. Um homem genial que lutava pelo direito do povo, um rebelde que foi contra a ditadura. Tento ler tudo que ele escreveu, mas ainda não cheguei lá.  No momento, aliás, estou aguardando o lançamento de um livro que montei com a Editora Azougue, onde traçamos o pensamento do meu pai através de entrevistas que ele deu ao longo da vida.

E a sua relação com o jornalismo? Pretende seguir a carreira de repórter?

Estou escrevendo uma coluna quinzenal na Folha de São Paulo e sou colaboradora do site da revista americana Spin. Também já trabalhei como colunista de literatura na MTV. É uma profissão que me agrada muito: me mantém informada, me diverte, e me coloca em contato direto com músicos que eu amo. Com certeza pretendo seguir esta carreira, é algo que faço com paixão.

Você declarou que queria ser uma rockstar. Ainda tem esse desejo ou desistiu mesmo depois da história com a guitarra na escola? 

Desejo eu sempre vou ter, coragem é outra história. Quanto mais conheço músicos incríveis, mais me sinto intimidada para começar uma carreira musical. Eu gostaria de perder meu pavor de palco e ir atrás do que eu sonhava ser quando era criança, mas acho que não é pra mim. Eu faço música no papel, simplesmente. Apesar de o rock ser a minha maior paixão na vida e de eu não conseguir ser uma cantora ou guitarrista de rock, sinto-me profundamente conectada através da minha profissão. De vez em quando escrevo letras para bandas e por enquanto isso me satisfaz. Quem sabe um dia eu mude de ideia.

 

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