03.12.2011 | 00:57
FEDERAçãO INTERNACIONAL DE VôLEI TEM QUE DAR UM JEITO NA SUA COPA DO MUNDO
Rodney Brocanelli
A edição 2011 da Copa do Mundo de Vôlei (versão masculina) infelizmente deverá entrar para a história não pelo seu nível técnico. Várias seleções entraram em quadra com um olho no peixe e outro no gato. Explicando melhor: esta competição classifica três países para os Jogos Olímpicos de Londres, em 2012. Quem não conseguir êxito terá uma outra chance de conseguir a vaga, disputando seletivas continentais.
É aí que começa o problema. Com o desenrolar da competição, várias seleções começam a pensar mais na segunda chance que terão nos pré-olímpicos regionais do que tentar algo nesta Copa. Temos dois exemplos assim que saltaram mais aos olhos. Um deles é o da Sérvia. Sabendo que suas chances de chegar entre os três primeiros era mínima, a seleção passou a usar outra estratégia: poupou titulares em algumas rodadas e entrou com força máxima na partida contra o Brasil. A idéia? Dificultar a vida da seleção de Bernardinho em caso de vitória (o que, de fato aconteceu) e favorecer as outras seleções europeias. Caso três seleções daquele continente consigam as vagas, a Sérvia terá, teoricamente, menos dificuldade no pré-olímpico europeu.
Por outro lado, a Argentina poupou titulares na partida contra o Brasil. Perdeu naquele que é o maior clássico entre seleções da América do Sul, independente da modalidade esportiva. O raciocínio? Se a seleção brasileira se classificar para os Jogos de Londres, a eliminatória sul-americana também fica menos complicada para os argentinos.
Colocar a culpa só nas seleções é um raciocino simplista demais. A FIVB tem grande parcela de culpa pela situação estabelecida na Copa do Mundo. A classificação para a Olimpíada de Londres nada mais é que uma tentativa de valorizar uma competição que já concorre com outros dois campeonatos importantes: a anual Liga Mundial e o campeonato mundial, disputado a cada quatro anos.
Do ponto de vista comercial, a situação até que foi resolvida. A entidade tem uma competição atraente e que deve render muito em termos de direitos de televisão. Mas pelo que se viu nesta edição de 2011, a parte esportiva está bem comprometida por causa da postura de algumas seleções.
Uma sugestão a ser feita seria acabar com a Copa do Mundo e transformar a Liga Mundial (e o Grand Prix, no caso feminino) numa competição eliminatória, especialmente nos dois anos que antecedem os Jogos Olímpicos. Mas se a FIVB não considerar essa hipótese, ela que se vire para criar mecanismos a fim de não se repitam mais as situações aqui descritas.
FORMULE
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