06.06.2010 | 15:07
SIMON VAI à COPA, ACREDITEM, SENHORES
Rodney Brocanelli
Carlos Eugenio Simon provou que tem um padrinho forte dentro da comissão de abritragem da Fifa. Depois de protagonizar os erros mais bizaros em partidas do futebol brasileiro, ele foi escalado para atuar em um jogo importante da primeira fase desta Copa do Mundo: Inglaterra x Estados Unidos. A partida ganha foco não apenas pelo fato de que os ingleses são favoritos para ganhar a competição. Existe uma grande preocupação extra-campo com possíveis ameaças terroristas.
A arbitragem brasileira em Copas do Mundo é dividida em duas fases. Antes e depois da Copa de 1982. Na primeira fase, temos muitos fatos controvertidos envolvendo nossos assopradores de latinha. A história conta que, em 1930, Gilberto de Almeida Rego teria prejudicado a França numa partida contra a Argentina encerrando a disputa seis minutos antes do fim do tempo regulamentar. Tal fato teria provocado a ira de Jules Rimet, então presidente da Fifa, que baniu a presença de brasileiros nos mundiais seguintes.
O Brasil só teria novamente árbitros em Copa do Mundo no ano de 1950. Por falta de um, o país teve três indicados: Mario Gonçalves Vianna, Mario Gardelli e Alberto da Silva Malcher. Cada um apitou três partidas. Vianna teve nova participação na Copa da Suiça, em 1954. Ele dirigiu naquela competição a partida entre Suíça e Itália. Os registros históricos dizem que a partida foi muito violenta e o próprio Vianna acabou se envolvendo em confusão, agredindo com socos o italiano Boniperti. Provavelmente por causa desse mau exemplo, em 1958 não tivemos árbitros na Copa da Suécia.
Em 1962, no Chile, a Fifa decidiu arriscar-se novamente, chamando João Etzel Filho. Ele apitou a partida entre União Soviética e Colômbia, um empate por 4 a 4. Os soviéticos sairam reclamando de Etzel e o acusaram de influenciar o placar. A URSS tinha uma vantagem de 4 a 1 e acabou levando o empate.
Quatro anos depois, Armando Marques foi o escolhido para representar a arbitragem do Brasil na Copa da Inglaterra. Por incrível que pareça, sua atuação foi bem discreta. No México, em 1970, Aírton Vieira de Moraes, conhecido como Sansão, apitou Uruguai x Suécia e Itália x Israel. Os suecos não ficaram nada satisfeitos com Sansão após o jogo.
Armando Marques voltou a ser escalado para a Copa da Alemanha, em 1974. Assim como em 1966, na Inglaterra, ele também teve atuação discreta. Em 1978, Arnaldo Cesar Coelho teve participação decisiva na partida entre França e Hungria. As duas seleções entram em campo com uniformes brancos idênticos. Seus respectivos roupeiros se esqueceram de levar os segundos uniformes. Em vez de determinar os hungaros como vencedores por WO, ele aceitou que os franceses pegassem emprestado o fardamento de um time amador. Foi a única vez que a França jogou de verde.
Não perca amanhã a segunda parte deste artigo e saiba porquê a arbitragem brasileira passou a gozar de bastante prestígio a partir da Copa de 1982.
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