11.10.2011 | 21:32
TORCIDA DO PALMEIRAS NãO APRENDE E AGRIDE VOLANTE JOãO VITOR
Rodney Brocanelli
“Em casa onde falta pão, todo mundo grita e ninguém tem razão”. Esse velho ditado é auto-explicativo. No entanto, ele pode ser adaptado para o mundo do futebol. Ficaria mais ou menos assim: “Em clube onde faltam títulos, todos gritam, todos batem, e ninguém tem razão. Essa é a atual situação do Palmeiras. Há muito tempo sem conquistar um torneio de grande expressão, o clube vive em estado de permanente tensão. E, não raro, essa tensão aflora da pior maneira possível. Insatisfeita por não ver o Palmeiras aumentar sua coleção de troféus, parte de sua torcida passou a reagir da pior forma possível: com violência.
A vítima da vez foi o volante João Vitor. De fora da partida contra o Flamengo por causa de uma lesão, ele estava na loja oficial do clube, que fica próximo à sua sede. Segundo alguns relatos, o jogador, acompanhado de amigos, estaria comprando camisetas do Palmeiras. De repente, um grupo de torcedores o reconheceu. Não se sabe se houve discussão, mas o certo é que , depois, eles passaram a agredir o atleta com socos e pontapés. Soldados da Polícia Militar viram a confusão, chegaram perto, mas o grupo se dispersou.
Levado ao hospital, João Vitor recebeu cuidados médicos. Ele apenas teve escoriações. Na seqüência, se dirigiu até a uma delegacia registrar queixa. No entanto, deverá ser tarefa difícil para a polícia identificar os agressores e, depois, tomar as providências cabíveis.
João Vitor chegou ao Palmeiras no começo de 2011, vindo do Grêmio Prudente. Ele tem 23 anos e tem a confiança do técnico Luiz Felipe Scolari. Não é titular, uma vez que estão à sua frente altetas experientes como Marcos Assunção e Marcio Araújo. Mesmo assim, tem entrado em algumas partidas e já fez um gol desde que chegou ao clube.
A imprensa especula que esse incidente tenha a ver com o fato de João Vitor ter perdido um pênalti na semifinal do campeonato paulista deste ano, contra o Corinthians. Contudo, não se pode deixar de lado a hipótese de que qualquer outro jogador que aparecesse em seu lugar também correria o risco de ser agredido. João Vitor, infelizmente, estava no lugar errado, na hora errada.
A irritada torcida não se dá conta de que, a continuar com atitudes como essa, só irá afugentar jogadores que compõem o elenco ou que poderão vir a fazer parte dele no futuro. Quem desejará defender um clube onde se corre esse tipo de risco? E sem jogador, não há condição de montar um grupo que, ao menos, possa ser competitivo.
Agressões a profissionais do Palmeiras já viraram rotina. Em 2008, Wanderley Luxemburgo levou a pior em um confronto com torcedores: quebrou o braço. Um ano depois, foi a vez de Vagner Love ter problemas. Revoltado, ele quis ir embora. Foi parar no Flamengo e formou uma dupla de ataque excepcional com Adriano. Não se aprendeu a lição.
FORMULE
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