Zagallo: consultor de mídia | LABORATÓRIO POP


GERAL

31.05.2010 | 11:09

ZAGALLO: CONSULTOR DE MíDIA

Rodney Brocanelli



Disse e repito: nunca antes na história do Brasil nas Copas do Mundo uma seleção saiu do país envolvida em dois sentimentos tão diferentes: a esperança e a desconfiança. O primeiro se justifica pelos bons resultados obtidos por Dunga como treinador. O título da Copa América de 2007 deu a ele um elemento fundamental para qualquer tipo de trabalho: a tranquilidade. Posteriormente, a classificação fácil nas eliminatórias e o título da Copa das Confederações de 2009 garantiram um outro elemento: a legitimidade. Contudo, a desconfiança surgiu pelo fato de que, mesmo vencendo, o Brasil nunca conseguiu apresentar um futebol convicente e passou apuros em algumas ocasiões.



Dunga não ajuda muito a dar qualquer tipo de injeção de otimismo ao torcedor em suas entrevistas. Ao assistir a algum trecho de suas coletivas, começo a sentir saudades de Mario Jorge Lobo Zagallo. O atual comandante da comissão técnica pode saber algo de tática e de técnica e consegue passar isso com competência aos jogadores. No entanto, falta-lhe um componente fundamental: saber se comunicar com a mídia e, consequentemente, com o público. O exemplo máximo dessa falta de habilidade ocorreu quando ele disse que nem todos gostam de sexo, ao ser perguntado sobre as folgas dos jogadores.



Se alguém fizesse esse tipo de questionamento a Zagallo, este saberia tirar o assunto de letra e até faria uma piada mais engraçada. O Velho Lobo é o profissional de futebol que melhor sabe usar os meios eletrônicos. Técnicos como Luxemburgo, Felipão e Muricy estão muito longe dele neste aspecto. Não sei dizer se isso é algo intuitivo ou se houve algum tipo de treinamento ministrado por profissionais do setor, mas Zagallo é campeão neste aspecto.



Não posso deixar de lembrar dois momentos em que Zagallo usou a mídia como ninguém. O primeiro ocorreu na Copa América de 1997, na Bolívia. Ao ser abordado pela reportagem da Rede Globo instantes depois de conquistar o título daquela competição, ele, olhando para a câmera, disse a frase que entrou para a história: "Vocês vão ter que me engolir". Resposta dura a seus críticos mais implacáveis à época.



A outra aconteceu pouco depois da Copa do Mundo de 1998. Havia no ar toda aquela controvérsia envolvendo a escalação de um Ronaldo sem condições para disputar a partida final contra a França. Num Globo Repórter dedicado ao tema, Zagallo falou bastante sobre o que aconteceu naquele dia. Ele dizia que o próprio jogador apareceu no vestiário e se disse em condições para atuar. A explicação foi arrematada com um golpe de mestre. Olhando (também) fixamente para a câmera e procurando a cumplicidade com o telespectador, perguntou: "O que você faria?".


Esse know-how fez muita falta a Dunga para justificar a não-convocação de Neymar e Ganso. E poderá fazer mais falta de acordo com o desempenho da seleção durante a Copa. Ainda dá tempo de chamar o Zagallo como consultor de mídia.

 

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Quem disse que Zagallo não é pop? No final da década de 1970, ele foi personagem principal de uma música do cantor Zia Atabay, conhecido como o Tom Jones do Irã. A seleção de seu país conseguiu se classificar para a Copa da Argentina, de 1978, deixando para trás forças, digamos, mais tradicionais como Coreia do Sul, Austrália e o Kuwait, que era dirigido à época pelo técnico brasileiro. Foram duas vitórias no confronto direto: 1 a 0 em casa e 2 a 1 fora. Mesmo com a barreira da língua, é possível deduzir que a canção está recheada de ironias a respeito do desempenho de Zagallo no comando da seleção do Kuwait. Reparem na seriedade dos backing vocals no vídeo abaixo.





Foto: Ignácio Ferreira/Secretaria de Turismo, Esporte e Lazer

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FORMULE

Postado Por DUDUCA FONTES

31.05.2010 | 15:56

Eu axo o zagalo um mala. e o dunga é teimoso igual a ele

Postado Por MARCIA DIMAS P

31.05.2010 | 17:06

Hilário esse vídeooo