25.01.2012 | 14:11
POWER TRIBO
Uma noite na qual ficou difícil escolher a melhor banda. Os quatro grupos - Cubo, Tapete Red, Paulo Camões e os Lusíadas e Up Against Down - que tocaram nesta terça-feira, (24) na quarta noite das Seletivas do Mada, mostaram qualidades como boas canções, ótima presença de palco, amadurecimento e ousadia (na MPB-rock de Camões e no pós-punk repleto de teclados do Up Against Down). Prevaleceu, no entanto, a combinação de técnica e boas canções dos experientes músicos do Cubo, o preferido da plateia - provando mais uma vez que quem se mobiliza junto aos amigos e fãs faz bonito. O power trio de pop-rock mostrou faixas de seu primeiro CD homônimo, como O tempo. Somando votos de platéia e júri, o Cubo alcançou oito votos, deixando o Up Against Down em segundo lugar.
"Passamos anos tocando com os outros e resolvemos apostar no nosso trabalho. Foi muito importante para a gente ganhar esse evento, embora nem tenhamos vindo com essa intenção. Voltamos ao passado, de botar bateria no carro, sair para tocar por aí, investir nisso", diz o baterista Zé Mario. Ele e seus colegas Humphry Scott (baixo e voz) e Mario Guita (guitarra) têm no currículo gigs com artistas como Emmerson Nogueira, Geraldo Azevedo e Latino. "Fizemos muito baile e essa experiência nos deu muita segurança. Foi muito bom para vermos que podemos mudar de fase", diz Humpry. Além de já estarem na final de janeiro, os três rapazes podem ouvir sua música rolando no rádio neste sábado (28), às 16h, no programa Acorde, da emissora carioca Roquette Pinto (94.1), apresentado por Leandro Souto Maior e Ricardo Schott. Os Azuis, Suricato e Tai já passaram por lá.
Além de O Cubo, Paulo Camões e os Lusíadas foi outra banda que trouxe plateia bem participativa, que cantava todas as canções - o som é uma mescla de rock e MPB, que não fez por menos ao agradar também no voto do público (22 pontos contra os 25 dados ao Cubo). Tapete Red, que já esteve em outras seletivas, cresceu em termos de som e postura de palco. O Up Against Down foi a banda que conquistou mais jurados, com seu som quase pós-punk, herdado de bandas como Joy Division e New Order, e repleto de tecladinhos retrô - mas contrastaram pelo baixíssimo voto da plateia, que também tirou o Tapete Red do páreo. As duas bandas, por acaso, foram as que Tchello, baixista da banda Detonautas e um dos jurados, mais curtiu. "Quando você vê uma banda tocando num palco pequeno e consegue enxergá-la tocando num palco grande para muita gente já sabe que ela está preparada. Vi isso no Tapete e no Up Against Down", diz o músico, que identificou profissionalismo em todas as bandas que assistiu na noite. "Hoje em dia não existem mais bandas bobas. Elas têm o mesmo sonho e já sabem o que é subir num palco e mostrar seu som, e as responsabilidades disso".
Diretor de conteúdo do portal LABORATÓRIO POP e criador da festa Ploc, o jornalista Luciano Vianna foi um dos que optaram pela banda Cubo. Mas curtiu os sons apresentados durante a noite e lamentou que as duas últimas bandas ignorassem a mobilização. "Tudo transcorreu num nível muito bom, mas não dá para esquecer de levar torcida, ainda mais com os quatro pontos garantidos por cada voto da plateia. Uma banda que deixa de prestar atenção a isso já sobe ao palco de muletas. Não adianta o sujeito achar que tocar bem basta. Tem que ficar atento a tudo. As seletivas do Mada são uma competição de credibilidade e de quesitos claros. Eu dei nota 10 para Performance do Up Against Down e 5 para Empatia com Público. Afinal, ao que parece, eles não têm público. Isso fez a banda perder. E eles pareciam não se importar. Foi esquisito”.
As Seletivas do Mada acontecem desde 2005 e são um marco do rock carioca. Agora, cruzam todo o primeiro semestre. Terão quatro bandas por semana até julho - com sete bandas na final concorrendo a duas vagas no festival. As quatro do mês disputam na segunda-feira seguinte a vaga . O voto do público na casa vale 4 pontos. O evento é realizado desde 2004 pelo portal LABORATÓRIO POP, é promovido pelo Costello e tem apoio da agência digital LABPOP CONTENT.
O Costello, que em março vira Cortez, é a novidade do circuito alternativo. Desde 2011 abriga festas como Laboratório Pop e virou palco para novas bandas. Dirigida pelo jornalista Mario Marques e pelo designer Claudio Brandão, a casa vai se transformar numa Hacienda carioca, lendária casa de shows de Manchester nos anos 80.
"Sempre foi meu sonho e aos poucos estamos remodelando a casa para a noite", avalia Claudio Brandão, que faz as vezes de DJ. "Tenho certeza de que o Cortez será o point do verão".
Marques, que além de sócio do Costello (Cortez) é diretor executivo da agência digital LabPop Content, cuja sede fica no mesmo prédio da casa de shows, diz que a tendência é o lugar virar referência. "Já é um sucesso no almoço e estamos trabalhando para obter o mesmo sucesso à noite, com uma programação variada, de segunda a segunda", complementa Marques.
VOTOS DOS JURADOS:
UP AGAINST DOWN (5 votos)
Abel Lumer (diretor da Experiência Digital)
Philippe Noguchi (repórter do canal Multishow)
José Luís Figueiredo (produtor)
Gerhard Brêda (editor do portal LABORATÓRIO POP)
Claudio Brandão (DJ e sócio do Costello)
CUBO (4 votos)
Ricardo Schott (crítico de música da revista Billboard Brasil)
Mario Marques (diretor executivo da LabPop Content e sócio do Costello)
Luciano Vianna (crítico de música, criador da festa Ploc e diretor de conteúdo do Laboratório Pop)
Fred Nascimento (guitarrista e arranjador)
PAULO CAMÕES E OS LUSÍADAS (2 votos)
Marcelo Reis (diretor-artístico do Costello)
Frank Dias (baixista do Ramirez)
TAPETE RED (1 voto)
Tchello (baixista dos Detonautas)
VOTO DO PÚBLICO
CUBO: 25 VOTOS (4 votos garantidos)
PAULO CAMÕES E OS LUSÍADAS: 22 VOTOS
UP AGAINST DOWN: 5 VOTOS
TAPETE RED: 2 VOTOS
Foto: Divulgação
FORMULE

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