07.03.2011 | 17:22
SOM E DIVERSÃO
Ricardo Schott, do Recife
"Nunca me falaram sobre o fato de eu cantar tão rápido", diz a cantora paulistana Rhaissa Bittar, 21, ao repórter do LABORATÓRIO POP, impressionado com a precisão, assemelhada às antigas cantoras de choro, dos vocais de músicas como Chilique chique, samba-choro que está no CD estreia da menina, Voilá, recém-lançado. Viajando numa gama de sons permeada pelo pop - passando por samba, samba-rock, música francesa e até (acredite) sons chineses, que ela conheceu durante uma temporada em Taiwan - e pelo bom humor, a cantora trouxe suas canções marcadas por personagens nesta segunda (7) ao palco do festival recifense Rec Beat.
"Eu tento interpretar cada personagem de cada música no palco, mas não é para ficar um circo, não é nada muito exagerado, porque é um show de música. Mas tem elementos que levam o público para esse lado mais teatral. Uso um leque numa música chinesa, uma estola numa música francesa... Em uma música eu sou um pombo, em outra, uma mulher de malandro, em outra, uma madame que perde a unha", adianta Rhaissa, que inclui nos causos e personas de suas letras uma brincadeira com a língua francesa, em Pa ri, e duas em chinês, Folk chinês e Chapéu.
A interseção música-teatro-histórias é bem a cara da cantora que, quando criança, já era "hipnotizada pelo palco" e sonhava em fazer algo com teatro ou música - no release, ela brinca que, na época, já aprimorava o canto com o microfone de plástico. "Comecei desde essa época a fazer aula de violão, de canto, de teatro. Onde tinha alguma coisa de arte, eu me enfiava", lembra. O responsável por isso, afirma Rhaissa,é seu marido e parceiro Daniel Galli, autor de quase todo seu repertório - músicas do disco como Dig dom, Pif-paf, Voilá e Pombo correto são dele, que também divide parcerias com Rhaissa.
"O culpado é ele", brinca a cantora, que conheceu Daniel quando fazia um estágio numa produtora de áudio onde ele trabalhava como produtor. Dessa época saíram canções que só agora chegam ao disco, como Caos, parceria dos dois com um primo de Rhaíssa, Felipe Trielli. "Daniel sacou em mim essa coisa de personagens e começou a compor músicas para mim, com uma característica que ele viu que poderia dar certo". O tal vocal rápido de algumas canções, bem ligado ao choro e ao samba de breque, ela localiza em uma de suas primeiras iniciativas musicais. "Eu cantava numa banda de samba-choro e a música que eu mais gostava de cantar era Brasileirinho (de Waldir Azevedo). Para mim é fácil cantar assim, mas pelo que eu vejo numa gravação da Baby do Brasil, por exemplo, ela lasca o pau. Quem sabe um dia eu consiga!"
O tal intercâmbio que Rhaíssa fez em Taiwan acabou vazando para algumas músicas e letras - e surgiu na cara e na coragem, quando ela tinha 17 anos. "Escolhi Taiwan porque queria um lugar diferente. Eu não sabia a língua, não sabia nem inglês. Comecei a estudar inglês, mas vi que assim eu não ia me aprofundar. As pessoas que não sabiam falar a língua tinham muito mais para me ensinar". Para quem adora incluir causos nas letras e interpretar personagens, o contraste cultural foi rico o suficiente. "Foi um grande choque. Lá não tem problema arrotar ou comer de boca aberta, por exemplo. E aqui no Brasil é falta de educação. Eu era até mais enojada com as coisas antes de ir para lá", brinca ela, que ao voltar para o Brasil, passou a se dedicar ao disco, lançado pela própria produtora-gravadora de Daniel, a Panela.
Surgida na época em que uma geração de compositores-cantores paulistanos chega aos cadernos culturais - incluídos aí Marcelo Jeneci, Tulipa Ruiz e outros - ela se reconhece como parte disso. "Acompanho pela internet, vejo o que está surgindo, mas fico sempre imaginando que há os que fazem história. Na época em que os baianos surgiram, tinha muitos artistas novos e só alguns ficaram. Não sei se isso vai acontecer comigo, mas estou fazendo meu som", afirma ela, que promete "diversão e entretenimento" a quem não conhece seu trabalho. "Voilá não é um disco pretensioso. É um disco feito para contar histórias".
Foto: Gui Castoldi, com ilustração de Paulica Santos/Divulgação
FORMULE
23.05.2012
Veja um vídeo de “The tomb”, que une mais uma vez Stallone e Schwarzenegger
Lady Gaga canta música exclusiva em “Os Simpsons” – veja a performance
Vazam detalhes de “Destiny”, novo projeto da Bungie em parceria com a Activision
Agridoce, projeto folk de Pitty e Martin, se apresenta no Rio nesta quinta (24)
Gerhard Brêda
Artista sueco se esconde em um pseudônimo para disparar melodias densas sufocadas por reverbs e delays
Rodney Brocanelli