FOI SÓ PARA ASSUSTAR | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

05.03.2011 | 12:51

FOI SÓ PARA ASSUSTAR

Ricardo Schott, do Recife



Parecia que não ia rolar. Ou que ia rolar de modo bem diferente do comum. O bloco Balança Rolha, não tão tradicional em Recife, mas já com um cero tempo de existência, trouxe um certo ar baiano ao carnaval local, algo que não costuma ser visto na capital do frevo. Na sexta (4) à tarde, abriram os trabalhos ao som de músicas do Chiclete Com Banana - quase uma heresia na capital de Pernambuco, sempre voltada aos sons locais - e prosseguiram com o show das Conxitas de Olinda, à base de músicas de artistas como Banda Reflexu's.


Só um susto, já que o carnaval multicultural do Recife não foge da combinação frevo-samba-mangue bit. E ganha sua cara com o começo dos festejos no Marco Zero, com o tradicinal show do percussionista Naná Vasconcellos - acompanhado de 500 batuqueiros de maracatu - e com a apresentação da Orquestra de Frevo do Maestro Duda - encerrrando com um show interessante, embora cansativo, de 12 cantoras (de Céu a Pitty, passando por Maria Gadú) mesclando repertório próprio a pérolas do repertório pernambucano. 
Nome conhecido do frevo, Duda caprichou nos convidados especiais, cabendo do local Claudionor Germano a Hermeto Pascoal. A surpresa foi Yamandú Costa, sozinho ao violão, emulando uma batida local em seu instrumento e botando todo mundo para cantar Evocação nº1, de Capiba.



Produzido por Lenine, o show das doze cantoras,intitulado Mulheres do Brasil - Sob o mesmo céu, teve duas combinações inusitadas. A primeira, logo na abertura, foi Marina Lima (com registro vocal ainda meio baleado, embora um pouco melhor) e a novata paulistana Karina Buhr recordando Voltei Recife, de Capiba, em versão reggae - Marina ainda abriu a noite lembrando À francesa, de Claudio Zoli. A outra foi Pitty e Céu dando um ar de bolero a Bicho de sete cabeças, de Geraldo Azevedo e Alceu Valença.


Roberta Sá interpretou seu sucesso televisivo Fogo e gasolina e juntou-se à local Isaar em Frevo e ciranda. A cidade, de Chico Science e Nação Zumbi, foi parar nas vozes de Elba Ramalho e Mariana Aydar, aplaudidíssimas. Hit brega do local Reginaldo Rossi, Mon amour, meu bem, ma femme, foi lembrado por Fernanda Takai e Zélia Duncan. Esperada pelo público desde o começo - com direito a fãs gritando alucinadamente só de ouvir seu nome - Maria Gadú juntou-se a Nena Queiroga em Sol e chuva, de Alceu Valença.

Foto: Divulgação/Wilson Correia

Leia outras notícias sobre música

FORMULE