O FIM DO CAMALEÃO? | LABORATÓRIO POP


MÚSICA

07.08.2011 | 18:28

O FIM DO CAMALEÃO?



O camaleão é um réptil que tem a capacidade de mudar de cores para se camuflar, dependendo de seu ambiente. Pensando por esse lado, o título de “Camaleão do Rock” talvez seja incorreto para David Bowie. Por quase 30 anos, o cantor mudou suas cores, penteados e sons, mas não para se adaptar ao ambiente: Bowie criava os ambientes e iniciava tendências. Sem lançar um disco desde 2003, parece que Bowie está pensando sem e aposentar. Para Paul Trynka, autor da biografia David Bowie: Starman, é preciso um milagre para trazer o cantor de volta aos palcos.


“Meu coração diz que ele vai voltar”, disse Trynka à Spinner. “Mas minha cabeça diz que é provável que ele não volte. Eu acho que ele apenas voltaria se achasse que pudesse mostrar algo sísmico. Se voltar ao palco, vai ter de ser com algo explosivo, cheio de flashes. Seria um milagre se ele voltasse, mas milagres acontecem”. O último disco de Bowie é Reality, de 2003.


O autor também comentou outros aspectos da biografia, como a amizade de Bowie com Iggy Pop e um período sombrio da vida do cantor, quando ele se envolveu pesadamente com a cocaína e passava 48 horas seguidas em casa, isolado, vendo TV.


“A amizade está bem no centro do livro, pois mostra os dois por seus melhores ângulos, e mostra o altruísmo do Bowie”, disse Trynka. “De muitas maneiras, eles eram caras parecidos. Eles tinham muitas qualidades em comum, como a capacidade de lidar muito bem com pessoas. Ambos eram cantores, ambos narcisistas. David genuinamente queria o melhor para o Iggy, não sei se as pessoas entendem isso”.


“Quando eu era pequeno, achava que David estava explorando Iggy, e agora eu acredito que ele lhe deu algumas de suas melhores canções. Não consigo pensar em muitos exemplos desse tipo de generosidade, como quando Bowie deu a Iggy a música Nightclubbing”, disse o escritor. “Certamente David queria os holofotes uma grande parcela do tempo, mas ao mesmo tempo, há muito altruísmo ali, e isso o torna uma pessoa muito mais interessante, cheio de aspectos contraditórios em seu caráter”.


“É meio assustador”, diz Trynka sobre o período no meio dos anos 70 no qual Bowie se envolveu pesadamente com a cocaína e se separou de seu empresário, Tony Defries, dono de todas as suas gravações. “O que me impressionou é como ele estava sozinho grande parte do tempo, solitário, vendo TV por 48 horas seguidas. Acredito que ele estava perto de um ataque de nervos, porque Bowie é um homem obcecado em fazer essa obra única, então, ele percebeu que Defries era dono de tudo. Subitamente, a única coisa pela qual ele lutou foi roubada dele e pertencia a outra pessoa, ele era apenas um funcionário. É uma crise bastante profunda para alguém como ele enfrentar”.


Foto: Divulgação

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